O PCP faz amanhã 105 anos

Projecto. Luta. Confiança

O Partido Comunista Português faz amanhã 105 anos. São 105 anos de um combate tenaz e sem tréguas, que continua, pela causa mais justa e avançada de quantas a Humanidade conheceu: o projecto de construção de uma sociedade nova que ponha fim à exploração do homem pelo homem.

A razão que levou à criação do PCP não só não perdeu como ganhou nova acuidade nos dias que correm


Não há avanço na história destes 105 anos em que os comunistas portugueses não se tenham envolvido: na resistência e no derrube do fascismo, nas conquistas da Revolução de Abril, na luta em defesa dos direitos, das liberdades, da soberania nacional e da Paz.

Do mesmo modo, a vida tem vindo a comprovar, ao longo destes 105 anos, que a razão que levou à criação do PCP não só não perdeu, como ganhou nova acuidade nos dias que correm, face a um capitalismo que é responsável pelos problemas, perigos, incertezas e ameaças com que hoje estamos confrontados – a exploração, as enormes desigualdades sociais, a pobreza, a fome, a doença, o obscurantismo e a guerra – ao ponto de ameaçar a própria sobrevivência da Humanidade.

Continua a ser esse o sentido da iniciativa e intervenção do PCP nos dias de hoje, na luta que trava pela resposta aos problemas concretos que afectam a vida dos trabalhadores, do povo e do País, pelos direitos, pela ruptura com a política de direita e pela concretização da alternativa patriótica e de esquerda, que é parte integrante de uma democracia avançada inspirada nos valores de Abril, indissociável do processo de construção do socialismo e do comunismo.

Responder aos problemas, construir a alternativa

No ano em que o Partido comemora os seus 105 anos, assiste-se, no País, ao aprofundamento da política de direita que assenta na acção do Governo PSD/CDS, com o alinhamento e convergência de CH e IL, e a cumplicidade e conivência do PS.

Uma política ao serviço dos interesses dos grupos económicos e das multinacionais, que promove o agravamento da exploração, das injustiças e desigualdades e a substituição da defesa dos interesses nacionais pela submissão às imposições da UE e do imperialismo, amarrando o País a perigosos projectos, à corrida aos armamentos e a ambições belicistas, como se está a ver, com a postura de subserviência e de cumplicidade à reiterada afronta ao direito internacional por parte dos EUA e Israel, ao permitir a utilização do território nacional pelas forças militares norte-americanas – nomeadamente a Base das Lajes, nos Açores – no âmbito da agressão ao Irão, com o consequente envolvimento de Portugal.

Uma situação nacional marcada pela opulência dos lucros dos grupos económicos em claro contraste com os baixos salários e pensões, a falta de investimento público e a degradação de serviços públicos e funções sociais do Estado.

Uma situação caracterizada também, entre outros aspectos, pelo ataque aos direitos e condições de vida dos trabalhadores e do povo, pelo brutal ataque aos direitos dos trabalhadores com o pacote laboral,pelo aumento dos preços de bens e serviços essenciais, as dificuldades no acesso à saúde e à habitação, pela falta de recursos materiais e humanos na Escola Pública, pelo agravamento da injustiça fiscal, pelas privatizações, nomeadamente da TAP e de parte da SATA ou pela intenção de privatização das linhas mais rentáveis da CP, pela preparação do assalto à Segurança Social, pelo incentivo à especulação imobiliária.

Já no plano internacional, os recentes desenvolvimentos têm lugar num contexto marcado pela crise estrutural do capitalismo e pela ofensiva exploradora e agressiva do imperialismo, face ao qual prossegue a resistência e a luta dos trabalhadores e dos povos e se assiste a um amplo processo de rearrumação de forças no plano mundial.

É também neste quadro que prossegue a acção agressiva, o belicismo, militarismo, a escalada armamentista e a guerra promovidos pelos EUA, NATO e UE, com o significativo incremento da política de confrontação promovida pelo imperialismo norte-americano, em aberto confronto com os princípios da Carta da ONU e do direito internacional, responsável pelo sério agravamento da situação internacional.

É preciso mudar de política

A gravidade e dimensão dos problemas que o País enfrenta não se resolve com variantes da política de direita. É incontornável a afirmação da política patriótica e de esquerda como factor determinante para assegurar e alcançar conquistas políticas, económicas sociais e culturais, favoráveis ao povo em geral e aos trabalhadores em particular.

É neste quadro de grande exigência – a nível nacional e internacional – que se coloca a necessidade de uma força política revolucionária como o PCP, contando com uma história, um património de acção e luta e uma implantação construídos ao longo de 105 anos, com um grande colectivo partidário, com uma intervenção diversificada, independente e corajosa, comprometida com os interesses dos trabalhadores e do povo, com a sua identidade comunista, com a sua natureza de classe e a sua base teórica – o marxismo-leninismo – com um funcionamento assente no desenvolvimento criativo do centralismo democrático, com a sua dimensão patriótica e internacionalista.

Os combates de hoje pela defesa e conquista de direitos e pela satisfação das mais urgentes e sentidas reivindicações dos trabalhadores – em que se insere a luta pelos salários, direitos e em defesa dos serviços públicos e contra o pacote laboral que teve na greve geral de 11 de Dezembro elevada expressão – e das populações, respondendo às suas aspirações e anseios, a luta pela paz, pela ruptura com a política de direita e os constrangimentos externos resultantes da integração capitalista na União Europeia e do garrote do euro e do domínio do capital monopolista, a luta por uma alternativa patriótica e de esquerda inscrevem-se na luta pela Democracia Avançada inspirada nos valores de Abril que, por sua vez, é parte integrante da luta por essa sociedade nova sem exploração do homem pelo homem.

Um caminho que é inseparável do reforço e da afirmação do PCP – Partido necessário, indispensável e insubstituível –, e do seu projecto distintivo, propostas e valores.

Um caminho que será trilhado com “Projecto. Luta. Confiança”, lema das comemorações do 105.º aniversário do PCP.

 

«Um PCP mais forte. É preciso! É possível!»

O reforço da organização do PCP impõe a necessidade de tomar a iniciativa sobre os problemas dos trabalhadores, da juventude, do povo, na afirmação da ruptura com a política de direita e por uma alternativa patriótica e de esquerda, na concretização do seu Programa e Projecto de democracia e socialismo. A necessidade de uma intervenção que promova a luta, a força organizada e a acção unitária visando: desenvolver e intensificar a luta dos trabalhadores e das massas populares; desenvolver o fortalecimento das organizações e movimentos unitários de massas; desenvolver a ligação ao trabalho com outros democratas e patriotas. A necessidade de reforçar o Partido, elemento decisivo para os trabalhadores, o povo e o País, tendo presentes as prioridades apontadas na Resolução «Um PCP mais forte. É preciso! É possível!» (aprovada na reunião do CC de 1 e 2 de Março e que o Avante! publica nesta edição), tem como elemento determinante a iniciativa de cada organização sobre os problemas concretos dos trabalhadores e da população e a ligação às massas populares.

O reforço da intervenção, organização e influência social, política e eleitoral do PCP, com a sua identidade, o seu projecto, o seu Programa, a política alternativa que protagoniza, o seu compromisso com os trabalhadores, o povo e o País é condição primeira para a alternativa, que não prescinde da coragem política, da consciência e determinação do PCP, que não podem ser diluídos e são elemento decisivo no caminho que Portugal precisa.

 

 



Mais artigos de: Em Destaque

Comunicado do Comité Central do PCP

O Comité Central do PCP, reunido a 1 e 2 de Março de 2026, analisou a evolução da situação internacional e os desenvolvimentos da situação nacional, apontou as tarefas que se colocam para a intervenção, iniciativa e organização do Partido e aprovou a Resolução “Um PCP mais forte. É preciso! É possível!”