MEP alerta para agravamento das desigualdades

No Dia Internacional da Justiça Social, assinalado a 20 de Fevereiro, o Movimento Erradicar a Pobreza (MEP) alertou para «o longo caminho que ainda temos pela frente até que a justiça social seja uma realidade plena», defendendo a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades.

«O objectivo da justiça social está cada vez mais distante»

Num documento divulgado na ocasião, o movimento cita dados da Oxfam apresentados no contexto do Fórum Económico Mundial de Davos, segundo os quais as 12 pessoas mais ricas do mundo detêm mais riqueza do que metade da população mundial. O MEP refere ainda que o aumento da fortuna desse grupo no último ano seria suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes, concluindo que «o objectivo da justiça social está cada vez mais distante» e que Portugal acompanha a tendência global de desigualdade.

Entre as principais preocupações apontadas estão o aumento das despesas militares, rendimentos que não acompanham o custo de vida, despejos e precariedade habitacional num contexto de rendas elevadas, dificuldades no acesso a cuidados de saúde e medicamentos, bem como a falta de professores, a desvalorização das carreiras e a degradação das escolas.

O movimento apela à mobilização da população e reforça a necessidade de acção colectiva para combater a pobreza e as desigualdades sociais.

 

Igualdade continua longe da vida das mulheres

Também o Movimento Democrático de Mulheres (MDM) assinalou a data sublinhando que a igualdade consagrada na Constituição da República Portuguesa continua longe da vida real de muitas mulheres. O movimento afirma que não pode haver justiça social sem igualdade efectiva, defendendo salários dignos, serviços públicos fortes, protecção social eficaz e políticas públicas que garantam autonomia económica e permitam romper ciclos de violência.

Também neste contexto, o MDM convoca a Manifestação Nacional de Mulheres, sob o lema «Vida com dignidade. Direitos com igualdade». As iniciativas realizam-se no dia 7 de Março, em Portalegre (10h30, na Praça da República), e no dia 8 de Março em Aveiro (14h30, na av. Dr. Lourenço Peixinho – junto à Estação da CP), Beja (14h00, no largo de Santo Amaro), Braga (15h00, na praça da República), Bragança (15h00, na praça da Sé), Coimbra (14h30, na ponte de Sta. Clara – junto ao Estádio Universitário, praça 8 de Maio), Évora (14h30, na praça do Giraldo), Faro (15h00, na rotunda do km 738 – av. Gulbenkian), Lisboa (14h30, na praça dos Restauradores), Porto (14h30, na praça da Batalha), Santiago do Cacém (14h00, frente à Câmara Municipal), Torres Novas (14h30, no jardim Parque da Liberdade – rua Outeiro do Fogo), Viana do Castelo (14h00, na porta Mexia Galvão – antigos Paços do Concelho), Vila Real (15h00, na praça Luís de Camões) e Viseu (14h30, no largo de Santa Catarina).

A mobilização pretende afirmar publicamente que sem justiça social não há igualdade e que sem igualdade não há democracia, defendendo que os direitos consagrados na Constituição só têm sentido quando se concretizam na vida das pessoas.

 



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