Estado privado de meios na resposta às intempéries
A falta de meios e de capacidade de resposta do Governo à devastação das intempéries foi o alvo das intervenções de Paulo Raimundo no debate com o primeiro-ministro no dia 19.
«Manifesta falta de meios»
O Secretário-Geral foi particularmente contundente ao desmascarar a propaganda do Governo que, pelas palavras de Luís Montenegro, teria utilizado todos os meios ao seu dispor. «Acredito, não tenho nenhuma dúvida sobre isso, que activou todos os meios que o Estado tinha ao seu dispor para enfrentar a tempestade», assinalou Paulo Raimundo, contrapondo que é exactamente por isso que se torna clara a ausência de capacidade de resposta. «O facto de ter mobilizado todos os meios torna ainda mais evidente a falta de meios que o Estado tem para enfrentar uma situação destas».
O dirigente comunista exemplificou com os diversos problemas que ainda afectam as populações nas zonas que mais sofreram os efeitos das tempestades, e que continuam com falta de luz, água e comunicações, além da necessidade da reparação de habitações, «com o que isso significa para milhares e milhares de pessoas».
Privatizou-se tudo, ficou muito pouco
A verdadeira questão, sublinhou, concerne ao que subjaz à acção do Executivo, e que se prende com a «manifesta falta de meios» que o Estado tem o seu dispor para responder a problemas com a dimensão e urgência como os decorrentes das intempéries. Em grande medida, referiu, fruto de décadas de privatizações de infra-estruturas e serviços públicos, «com as consequências que estão à vista».
Assim é, recordou, com as operadoras privadas de comunicação, que «estão até hoje a travar o chamado “roaming nacional”». Mas, também, com as auto-estradas, concessionadas a privados. «Foi preciso uma semana de negociações para que […] abrissem quatro troços de auto-estrada que, entretanto, já fecharam. Vamos ver para quem sobram os custos de reparação».
O Governo, no entender do dirigente comunista, não pode continuar «a entregar milhares e milhões para a banca, as telecomunicações, a energia, os grandes grupos económicos, para aqueles que fazem da doença um negócio, para as PPP rodoviárias ou para a loucura da guerra».
Pelo contrário, frisou, urge que o Executivo deixe de andar «a toque de caixa dos interesses dos grupos económicos» e ponha nas mãos do Estado os meios necessários para responder aos problemas.
Nos lucros de uns, as injustiças de muitos
Paulo Raimundo chamou, igualmente, a atenção para as injustiças que estão a ser criadas no decorrer das intempéries, particularmente com a acção das seguradoras.
O dirigente comunista criticou particularmente o facto de, apesar de corresponderem a um ramo que lucrou, entre 2020 e 2024, três mil milhões de euros, as companhias de seguros continuarem à procura de saídas para não arcar com as responsabilidades que lhes são devidas no pagamento dos custos da destruição trazida com as intempéries.
«Estão sempre assentes nas entrelinhas para tentar sacudir o mais possível dos seus compromissos», asseverou o Secretário-Geral.
Para Paulo Raimundo, as tempestades desvelaram, igualmente, a situação de injustiça e exploração que se vive no sector da energia. Trata-se, como afirmou, do esmagador recurso à subcontratação de trabalhadores por empresas como a REN ou a EDP.
«Aquele outsourcing que o senhor primeiro-ministro quer generalizar no seu (e no vosso) pacote laboral, que foi rejeitado pelos trabalhadores e que, hoje, apenas anima PSD, CH, IL e CDS, e o patronato».




