380 mil euros para hospital privado em Paços de Ferreira

A Comissão Concelhia de Paços de Ferreira do PCP criticou, no dia 5, a decisão da Câmara Municipal de canalizar mais de 380 mil euros para financiar consultas no Hospital Lusíadas, uma «cedência inaceitável» ao sector privado da saúde.

Decisão da CM de Paços de Ferreira normaliza a substituição do SNS por privados

As insuficiências do Hospital Padre Américo e dos centros de saúde do concelho são sobejamente reconhecidas, afirma a Comissão Concelhia, mas isso não torna aceitável esta «cedência ao desinvestimento no SNS», nem a «normalização da sua substituição por privados».

Este protocolo, celebrado entre a entidade privada e o executivo do PS, denuncia o PCP, é a expressão local da política de subfinanciamento crónico do SNS levada a cabo por sucessivos governos, com o actual à cabeça. «O Governo não investe o que é necessário na saúde pública do concelho e a Câmara, em vez de liderar a luta por esses meios, torna-se conivente ao assumir as suas responsabilidades com dinheiro do município, aliviando a pressão sobre o poder central», lê-se na nota emitida pela comissão concelhia.

O PCP considera que o papel do executivo camarário não é o de «usar dinheiro público para alimentar lucros privados, mas sim exigir ao Governo os investimento há muito necessários na Unidade Local de Saúde (ULS) do Tâmega e Sousa», como a concretização do Plano de Capacitação da ULS Tâmega e Sousa, apresentado pelo PCP durante a discussão do Orçamento do Estado para 2026.

«Estes 380 mil euros fazem falta para investir em escolas, saneamento, rede viária ou apoio social. O seu desvio para o sector privado retira investimento em áreas vitais e contribui para o enfraquecimento do SNS ao validar a sua incapacitação programada», critica a Comissão Concelhia de Paços de Ferreira.

Intervenção «estrutural e urgente»

A solução para os problemas no acesso à saúde no concelho pacense «não passa por remendos que transferem utentes e verbas públicas para privados», mas sim, afirma a comissão concelhia, pelo o que o PCP há muito exige: um Plano de Capacitação imediato para a ULS do Tâmega e Sousa, com a expansão e dotação de meios adequados dos hospitais Padre Américo e São Gonçalo, com a reabertura de outros serviços entretanto encerrados; a edificação de uma rede de proximidade em horário alargado para as situações mais ligeiras, a partir dos centros de saúde, com a contratação dos profissionais e equipamentos necessários; e o reforço significativo do financiamento público do SNS, invertendo a política de asfixia orçamental.

 



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