DENÚNCIA, PROPOSTA E ALTERNATIVA
«É preciso responder aos problemas do povo e desenvolver o País»
Pronunciando-se sobre as consequências do mau tempo e das intempéries, o Secretário-Geral do PCP produziu uma importante declaração na quinta-feira da semana passada, denunciando os efeitos perniciosos de anos e anos de política de direita, que impede, agora, uma resposta às necessidades de todos aqueles que foram atingidos pela devastação que assolou o território.
Como sublinhou Paulo Raimundo, «um País preso por arames, que enfrenta graves problemas de segurança e de soberania, com o poder político às ordens do poder económico, um Estado sem meios e sem instrumentos para intervir como se impõe perante a devastação que assola o território, a tal economia vibrante, para uns poucos, mas incapaz de responder às necessidades de muitos, está evidente a falência da política de direita.»
E perante a inoperância de muitas estruturas e da resposta tardia e insuficiente do Governo à situação, Paulo Raimundo denunciou a responsabilidade do PSD, CDS, Chega e IL, sem esquecer também a acção do PS pelo seu sistemático ataque a um Estado que dizem gordo, mas que está, na verdade, nos mínimos e sem capacidade e instrumentos para a resposta que se impõe. E acrescentou: «Foi e é este o sentido da intervenção do PCP, é assim em cada terra e localidade, é assim aqui na Assembleia da República, é assim no Parlamento Europeu. Um papel de mobilização, solidariedade, denúncia e proposta, tal como fizemos ontem com a apresentação de um plano de intervenção integrada, com medidas urgentes para responder à actual situação.»
Foi, de facto, por iniciativa do PCP que na Assembleia da República e no Parlamento Europeu foram apresentadas propostas que, se aprovadas, minimizariam as consequências do mau tempo e intempéries e contribuir, de forma robusta para superar as dificuldades.
Esta é a postura que o PCP e as suas organizações regionais têm vindo e vão continuar a assumir, contactando as populações atingidas, denunciando a falta ou insuficiência das respostas por parte do Governo PSD/CDS, apresentando propostas concretas, nomeadamente na AR e no PE para a resolução dos problemas provocados pelas tempestades e insistindo na necessidade de um outro rumo político que rompa com a política de direita e abra caminho a uma política alternativa, patriótica e de esquerda, que restitua ao Estado os serviços, estruturas e meios que lhe permitam intervir pela melhoria das condições de vida das populações, pelo desenvolvimento soberano do País, pelo progresso social e a paz.
É este o sentido do questionamento que o Secretário-Geral do PCP mesmo fará ao Primeiro-Ministro no debate quinzenal hoje na AR, confrontando o Governo e os partidos políticos que dão suporte à política de direita: PSD, CDS, Chega e IL, mas também o PS, que ainda há pouco tempo viabilizou o Orçamento do Estado para 2026.
Completado o quadro político-institucional, com a realização das eleições para Presidente da República e conhecidos os resultados das freguesias, onde, por causa do mau tempo, as eleições foram adiadas, resultados que confirmam a pesada derrota de André Ventura e do seu projecto reaccionário e retrógrado, importa desenvolver a luta contra o pacote laboral, pela revogação das normas gravosas da legislação laboral, por mais salários, mais direitos e melhores serviços públicos e pela resposta aos problemas das populações provocados pelo mau tempo. Importa mobilizar para a manifestação nacional que a CGTP-IN promove no próximo dia 28 de Fevereiro, em Lisboa e no Porto.
Importa igualmente promover a intervenção, a iniciativa e o reforço do PCP, como condição central ao combate pela resolução dos problemas e afirmação da alternativa que, como a vida mostra, se torna imprescindível.
Foi neste âmbito que se realizou na sexta-feira da semana passada a audição pública promovida pelo PCP na AR «Defender a Segurança Social: Emprego, Salários, Direitos e Solidariedade». Audição pública que sublinhou o quão urgente é defender a Segurança Social que hoje temos, perante as novas tentativas de assalto que o Governo prepara. Foi no âmbito dessa audição que o Secretário-Geral do PCP lembrou que a Segurança Social pública, solidária e universal é uma das maiores conquistas do povo português, em particular, dos trabalhadores. «A luta pela Segurança Social é, hoje, uma luta pelos direitos dos trabalhadores, pela soberania e pela democracia, é exigir que a poupança nacional seja investida em serviços públicos, em habitação, em indústria nacional – não em acções de empresas de armamento ou em produtos financeiros tóxicos.»
Éeste caminho que o PCP reafirma e continuará a percorrer, com os trabalhadores, as populações, a juventude, os pensionistas, pelos direitos, em defesa dos serviços públicos, contra o domínio da vida política pelo capital monopolista, abrindo caminho à democracia e à convergência na construção de um futuro melhor.




