Insolvência do Grupo Celeste contestada pelos trabalhadores

«Onde foram aplicados e de que forma foram geridos os lucros amplamente propagandeados em anos anteriores», questionou o SINTAB, reafirmando que a empresa é viável e o emprego deve ser preservado.

Para a viabilização, devem ser exploradas todas as alternativas

A intenção de encerrar a Celeste Actual, SA (Grupo Celeste, com sede em Guimarães, fábricas de panificação e pastelaria e refeições pré-preparadas na cidade e em Caldas de Vizela e Ermesinde e uma cadeia de lojas em várias localidades do Norte), comunicada pela administração, é «inaceitável e politicamente reveladora de uma opção que nada tem de inevitável».

Num comunicado de imprensa, dia 5, o sindicato da FESAHT/CGTP-IN sublinhou que a empresa «não tem de fechar», pois conta «com mais de 50 anos de história, com trabalhadores altamente qualificados, com saber-fazer acumulado, com infra-estruturas industriais plenamente operacionais, com rede comercial e, sobretudo, com clientes e encomendas».

Uma vez que «o problema não está no trabalho, nem nos trabalhadores», é «tão legítimo quanto necessário questionar onde foram aplicados e de que forma foram geridos os lucros amplamente propagandeados em anos anteriores». O sindicato quer saber «quem beneficiou desses resultados», «que opções estratégicas foram tomadas» e «porque é que agora se pretende fazer recair sobre os trabalhadores o custo de decisões que não tomaram».

O SINTAB entende que «a solução passa pela viabilização da Celeste Actual, pela defesa da produção nacional e pela manutenção dos postos de trabalho». Adianta que, «se a actual administração não tem vontade ou capacidade para o fazer, então devem ser exploradas todas as alternativas, incluindo a aquisição por outro operador do sector, que assegure a continuidade da actividade e o respeito pelos trabalhadores».

Foi ainda deixado um alerta para uma «engenharia empresarial, agora usada como escudo processual» e que «cria entraves e riscos sérios para os direitos dos trabalhadores». Todo o pessoal da Celeste Actual foi transferido, em 2019, para a Conceitos Avulso, «uma empresa criada para o efeito», «sem património próprio» e que «opera exclusivamente para a Celeste Actual, nas suas instalações, utilizando as suas máquinas, ferramentas e meios produtivos».

Os trabalhadores devem ser tratados, «em todos os efeitos jurídicos e legais», como sendo da Celeste Actual, exige o sindicato, «recusando que manobras administrativas sirvam para fragilizar direitos, salários e garantias laborais».

Em plenários, realizados nas fábricas de Guimarães e Vizela, na última semana de Janeiro, os trabalhadores salientaram que a situação se agrava ainda mais, com a falta de matéria-prima, impedindo a resposta aos compromissos assumidos com os clientes, e exigiram soluções urgentes.

Rejeitaram o recurso ao gozo forçado de férias, lembrando que estão por pagar os subsídios de férias de 2025 e têm ocorrido intermitências no pagamento dos salários, ao longo do ano. No Verão, o atraso no pagamento dos salários levou mesmo à convocação de uma greve, que acabou por não se realizar, uma vez que a administração regularizou a situação.

PCP questiona Governo
Na Assembleia da República, o Grupo Parlamentar do PCP apresentou, no dia 5, uma pergunta ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, para que este esclareça se o Governo tem conhecimento da aprovação do pedido de insolvência e da apresentação do Plano Especial de Revitalização do Grupo Celeste; se está a acompanhar a situação, por forma a garantir os direitos dos trabalhadores; e que medidas está a preparar, para garantir a manutenção dos postos de trabalho em risco.

 

Unir esforços pela Sicasal

«É urgente que, acima de tudo, todos os esforços convirjam no sentido de viabilizar a continuidade de laboração, com todos os actuais postos de trabalho, bem como a sua modernização, quer industrial, quer na gestão», comentou o SINTAB, quando, há cerca de um mês, foi declarada a insolvência da Sicasal.

Com assembleia de credores marcada para 4 de Março, foi anunciada pelo administrador de insolvência, no início de Fevereiro, uma retoma da produção, porque um cliente terá feito um adiantamento por conta de uma encomenda.

A empresa da indústria de carnes, com instalações em Vila Franca do Rosário, na Malveira (Mafra), registava 260 trabalhadores no final de 2025.

Para o SINTAB, «não é aceitável que décadas de trabalho e dedicação dos trabalhadores sejam colocadas em causa, por decisões que não tiveram em conta a sustentabilidade económica e social da empresa».

 



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