Solidariedade contra o cerco a ameaça e a agressão
Em Portugal, como em tantos outros países do mundo, elevam-se as vozes de resistência e solidariedade com os povos de Cuba, da Venezuela e outros da América Latina e Caraíbas, que resistem ao cerco, à ameaça e à agressão imperialista dos EUA.
O bloqueio dos EUA contra Cuba é ilegal e desumano
A Associação de Amizade Portugal-Cuba (AAPC) expressou, em comunicado, a condenação firme do anúncio de novas medidas da administração norte-americana «no sentido de intensificar o criminoso e ilegal bloqueio económico, comercial e financeiro imposto a Cuba há mais de seis décadas». A “ordem executiva” do presidente Trump, que ameaça com sanções quem vender petróleo a Cuba, insere-se «no plano mais amplo dos EUA de domínio da América Latina e Caraíbas», garante.
Para a AAPC, as medidas anunciadas comprovam que o objectivo é «asfixiar ainda mais a economia de Cuba, impondo sanções a quem soberanamente decida fornecer petróleo a este país». Esta tentativa de bloqueio dos fornecimentos de combustível representa «um novo passo na escalada de medidas coercivas que sucessivas administrações norte-americanas impuseram a Cuba e ao seu povo», acrescenta.
Também o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) manifestou a sua oposição às medidas anunciadas pelos EUA, que não só constituem uma «escalada na agressão e cerco económico dos EUA a Cuba» como «violam o direito Internacional, pois atentam contra os princípios da soberania, da autodeterminação dos povos e da liberdade de comércio, configurando uma violação sistemática dos direitos humanos». Trata-se, sublinha, de uma «guerra não declarada contra a economia, a sociedade, a vida quotidiana e os sonhos de progresso de milhões de cubanos».
O CPPC insere esta decisão dos EUA no «ataque e ameaças aos povos da América Latina e Caraíbas, para se apoderarem do seu petróleo e riquezas naturais e para impedir o direito destes povos à soberania, ao desenvolvimento, à decisão sobre os seus destinos.
Num apelo que dirigiu ao Presidente da República, ao presidente da Assembleia da República e ao Governo, o Movimento Democrático de Mulheres também sublinha o carácter ilegal da decisão norte-americana, que visa «asfixiar a economia, gerar carências materiais, escassez, semear o desânimo, a insatisfação e o prejuízo ao povo cubano, bem como de obstaculizar as possibilidades de progresso económico num cenário de grave crise mundial». Pretende, garante, «fazer colapsar o país e o seu modelo económico e social».
O MDM salienta que o bloqueio, todos os anos condenado massivamente pela quase totalidade dos Estados do mundo, «constitui uma violação maciça, flagrante e sistemática dos direitos humanos dos cubanos, dos direitos das mulheres e das crianças, e representa o sistema mais injusto, severo e prolongado de medidas coercivas unilaterais jamais aplicado contra qualquer país».
A Campanha continua
AAPC, CPPC e MDM são três dos promotores da Campanha “Por Cuba! Fim ao Bloqueio!”, que decorreu durante o ano passado e prossegue em 2026. Para breve está o envio de um navio com contentores cheios de material recolhido ou adquirido em Portugal no âmbito desta campanha – de colchões a material escolar e médico, é muito o que seguirá solidariamente para Cuba.
Para lá da componente material, a campanha – e as organizações que a dinamizam – tem uma vertente assumidamente política, insistindo no fim do bloqueio e na retirada de Cuba da infame lista dos EUA de países alegadamente “patrocinadores do terrorismo”. Defende o respeito pela soberania e independência de Cuba e o direito do seu povo (como de todos os povos!) a decidir soberanamente o seu caminho, livre de ingerências externas.
As três organizações valorizam ainda o exemplo de resistência, dignidade e coragem do povo cubano.
Afirmar e debater
No dia 3 de Fevereiro o CPPC e a AAPC promoveram, no Porto e em Faro, duas iniciativas de solidariedade com os povos da América Latina e Caraíbas.
A Norte, a acção teve lugar junto à “Brasileira”, com muita gente a enfrentar a chuva e o frio para denunciar e condenar a agressão dos EUA à República Bolivariana da Venezuela, com o rapto do Presidente Nicolás Maduro e da sua esposa, a deputada Cília Flores, e o incremento do cerco económico a Cuba. Manuela Branco, do CPPC, condenou o ataque à Venezuela, as novas medidas visando Cuba e não cumprimento do direito internacional e das resoluções da ONU.
No Algarve teve lugar um vivo debate, realizado no café Maktostas, que devido ao mau tempo abriu as portas à demonstração de solidariedade. Conduzida por Alexandra Tavares, do STAL, intervieram Damião Sequeira (AAPC), José Calico Correia (CPPC) e Catarina Marques, da União dos Sindicatos do Algarve/CGTP-IN.
Em ambos afirmou-se que os povos «têm direito a decidir o seu próprio destino, a viver sem sanções, com soberania, dignidade e paz».




