Forças palestinianas rejeitam tutela estrangeira

A Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) rejeita qualquer tutela estrangeira sobre a Faixa de Gaza e a Cisjordânia e reitera as críticas ao chamado “Conselho da Paz”, criado pelo presidente dos EUA.

Resistência palestiniana denuncia e rejeita objectivos do chamado Conselho da Paz

Lusa

A FPLP, em comunicado, divulgado em Ramala, no dia 6, denunciou as tentativas de despojar o povo palestiniano do seu direito à autodeterminação e de utilizar a denominada Comissão Nacional para a Administração de Gaza como um instrumento para implementar as condições impostas por Israel. Esta Comissão, integrada por palestinianos, deve estar completamente alerta e não alinhar com as propostas do Conselho da Paz e os seus objectivos, que procuram esvaziar as tarefas da Comissão do seu efectivo conteúdo e convertê-la num instrumento executivo de projectos que nada têm a ver com os interesses do povo palestiniano.

A FPLP recordou que essa entidade que governará de forma temporária a Faixa de Gaza, como parte do acordo de cessar-fogo alcançado no ano passado, é um organismo exclusivamente palestiniano, «destinado a parar a guerra e a frustrar os planos de deslocação forçada da população». Para a FPLP, que integra a resistência palestiniana, as tarefas desta Comissão constituem um assunto puramente interno palestiniano, limitada de maneira transitória a gerir os assuntos da Faixa de Gaza e a administrar a ajuda humanitária, assim como a lançar o processo de reconstrução. As suas funções, acrescenta a FPLP, terminarão com a formação de um governo de unidade nacional que assuma as suas responsabilidades na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, com o objectivo de prevenir qualquer intento de separar ou perpetuar a divisão dos dois territórios palestinianos.

Já as acções do denominado “Conselho da Paz” representam uma extensão directa da lógica colonial que entregou a Palestina aos ocupantes e uma tentativa de substituir o direito internacional pela «lei da força», à custa dos direitos dos povos e da justiça humana, advertiu a FPLP. E assegurou que a Faixa de Gaza continuará a ser parte integral da Palestina e que qualquer tentativa de converter a sua administração num ponto de entrada para uma tutela estrangeira será derrotada pela firme vontade do povo palestiniano.

Ataques em Gaza e na Cisjordânia

Apesar do acordo de cessar-fogo vigente entre Israel e a resistência palestiniana, o exército israelita prosseguiu os seus ataques contra a Faixa de Gaza e realizou grandes incursões militares e prisões na Cisjordânia.

Helicópteros de combate e veículos blindados das forças israelitas ocupantes abriram fogo, no dia 7, contra zonas das cidades de Rafah e Khan Yunis, no sul, e de Gaza, no norte. As tropas israelitas também levaram a cabo extensas operações de demolição de edifícios residenciais em várias áreas da Faixa de Gaza, onde os mais de dois milhões dos palestinianos que ali vivem estão, na sua maioria, deslocados.

De acordo com dados do Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, desde o começo do cessar-fogo, em 10 de Outubro de 2025, as forças israelitas mataram no território 574 palestinianos e feriram outros 1518. Outra entidade na Faixa de Gaza, a Autoridade Geral do Petróleo, denunciou que desde o início do cessar-fogo, há quatro meses, Israel só permitiu o ingresso de 307 camiões com gás, com um total de 6458 toneladas, que representam apenas 20% das necessidades no território. As proibições e demoras propositadas da entrada de combustíveis, mas também de alimentos, medicamentos e outros produtos básicos de ajuda humanitária, agravaram ainda mais a grave situação sanitária e o sofrimento da população,

Ao mesmo tempo, na Cisjordânia, o exército israelita ocupante lançou mais uma campanha de incursões em grande escala, no meio de advertências das Nações Unidas sobre o aumento do ritmo da deslocação forçada da população palestiniana na Cisjordânia, em resultado da crescente violência dos colonos judeus, das prisões de cidadãos palestinianos e das operações de demolição de habitações e de outras infraestruturas pelas forças israelitas.

 

PCP contra a interdição por Israel da acção de ONG humanitárias na Faixa de Gaza

João Oliveira, deputado do PCP no Parlamento Europeu (PE), questionou o Conselho Europeu, a Comissão Europeia e a vice-presidente da Comissão e Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança sobre a interdição por parte de Israel da acção de Organizações Não Governamentais (ONG) junto da população palestiniana na Faixa de Gaza.

Esta iniciativa – divulgada no dia 6, em Bruxelas, num comunicado de imprensa, intitulado «PCP exige que a UE adopte uma firme atitude contra a interdição por parte de Israel da acção de ONG de ajuda humanitária na Faixa de Gaza» – surge na sequência de um conjunto de acções promovidas pelo deputado do PCP no PE em defesa dos direitos do povo palestiniano, incluindo os seus direitos nacionais, e pelo respeito do direito internacional. Entre essas acções está a promoção de debates e outras iniciativas de solidariedade com o povo palestiniano no PE, nomeadamente com a participação de representantes palestinianos, incluindo encontros com a embaixadora da Palestina junto da UE, com vista à denúncia da política de ocupação, colonização e genocídio por parte de Israel.

João Oliveira apresentou e subscreveu diversas perguntas e propostas que apelam a um cessar-fogo imediato e permanente, ao acesso pleno e incondicional da ajuda humanitária à Faixa de Gaza e à defesa da continuidade do trabalho da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos (UNRWA) e de outras organizações de ajuda humanitária.

Interveio igualmente no sentido da suspensão do acordo de associação entre a UE e Israel com a apresentação de uma proposta de resolução no PE, considerando que a manutenção deste acordo é incompatível com a violação persistente e sistemática do direito internacional e dos direitos humanos por parte de Israel.

João Oliveira tem intervindo no sentido da concretização do Estado da Palestina, com as fronteiras de 1967 e capital em Jerusalém Leste, assim como do respeito pelo direito de retorno dos refugiados palestinianos, conforme determinam as resoluções da ONU, como requisito fundamental para uma solução política justa e duradoura.

«Basta de hipócrita dualidade de critérios por parte da UE e de cumplicidade com Israel», afirma o deputado do PCP no PE, defendendo que «a UE tem de assumir as suas responsabilidades, desde logo com a suspensão do acordo de associação com Israel».



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