Sem ilusões, mas com clareza, é preciso derrotar a extrema-direita
«Derrotar Ventura, não branquear e dar combate à política de direita e abrir caminho para a alternativa patriótica e de esquerda», indicou Paulo Raimundo no comício de de Almada, dia 31, como as três principais prioridades do momento para o colectivo partidário.No dia 29, o Secretário-Geral esteve junto dos trabalhadores da Mitsubishi, em Abrantes.
André Ventura é um instrumento nas mãos das forças mais reaccionárias
«A nossa tarefa é simultaneamente simples e muito complexa. Só precisamos de fazer três coisas neste momento: derrotar Ventura, não branquear e dar combate à política de direita e abrir o caminho para a alternativa patriótica e de esquerda», salientou Paulo Raimundo já ao terminar a sua intervenção no comício de passado sábado, na Sociedade Filarmónica Incrível Almadense, inserido na acção Outro rumo para o País. Rejeitar o Pacote Laboral, a exploração e as injustiças, que avança um pouco por todo o território. «Grande desafio que temos pela frente», admitiu, «mas é com esta força que temos, com os resultados eleitorais, com a força e com o povo que temos que vamos fazer essas três coisas ao mesmo tempo: resistir, persistir e tomar a iniciativa».
O tema a que Paulo Raimundo deu maior atenção foi a segunda volta das eleições presidenciais, que se realizam já no próximo domingo. Um momento de sufrágio que coincide com o agudizar das dificuldades dos portugueses no seu dia-a-dia. O Secretário-Geral foi incisivo: «Com Ventura a Presidente, tudo aquilo que está mal ficaria pior e tudo o que de negativo que está em andamento seria mais acelerado».
Já votar em Seguro, «com mais ou menos entusiasmo», é a «única hipótese que temos». No entanto, clarificou o dirigente comunista, «votar em António José Seguro não significa apoiá-lo». «Não temos ilusões, conhecemos bem o seu pensamento, mas o voto nele significa, de forma clara e combativa, sem hesitações, a pensar no presente e no futuro, rejeitar e recusar André Ventura e o que ele é: um instrumento nas mãos das forças mais reaccionárias do capital nacional e internacional», explicou Paulo Raimundo, insistindo que derrotar esse candidato é também «derrotar o projecto reaccionário que lhe está entregue, o projecto antidemocrático, e que quer abrir um novo rumo de retrocesso para o País».
Condicionalismo, pressão e chantagem
Para o Secretário-Geral foram a manipulação, o silenciamento, a difusão do preconceito, as pressões e a chantagem, sem esquecer as manobras em torno das sondagens, os traços que mais marcaram a primeira volta das passadas eleições. «Uma operação», observou o dirigente, que «procurou e conseguiu criar em muita gente a ideia de um empate, dando como certa a possibilidade real de haver dois candidatos das linhas mais reaccionárias que podiam passar à segunda volta». «Um clima de medo, pressão e chantagem», caracterizou.
«Chegado domingo e, ao contrário, como sempre, daquilo que durante longas semanas foi sendo construído, verificou-se o que se verifica sempre: o candidato mais votado, António José Seguro, se tivesse tido menos 14 pontos percentuais, 800 mil votos, teria ainda assim passado à segunda volta», concluiu.
Só a luta resolve problemas
Antes de Paulo Raimundo, já Oxana Barbalata, da JCP, usara da palavra, aproveitando a ocasião para enumerar as várias lutas movidas pelos jovens da Península de Setúbal: estudantes do Ensino Secundário, Profissional e Ensino Superior e juventude trabalhadora.
Já Daniel Figueiredo, membro da Direcção da Organização Regional de Setúbal e responsável pela concelhia de Almada, recordou que os problemas não se resolvem com «passes de magia ou eleições», mas sim com «muitas lutas concretas no tempo, do trabalho contra o capital». Só assim, afirmou o dirigente, se encontrarão soluções para os problemas na saúde, nos transportes (como a ruinosa concessão à Fertagus), na habitação e do tratamento do lixo pela Amarsul. O mesmo se aplica, explicou, ao pacote laboral, que urge ser derrotado.
Solidariedade com as vítimas da tempestade
As primeiras palavras do Secretário-Geral naquela tarde foram dirigidas a todos os que enfrentaram e enfrentam as consequências da tempestade Kristin, criticando o «aproveitamento político» que alguns fizeram da situação e exigindo soluções imediatas para todas as vítimas (ver páginas 4 e 5).
Em contacto com trabalhadores da Mitsubishi
No dia 29, Paulo Raimundo participou num dos muitos contactos com a população, trabalhadores e jovens que o PCP está a levar a cabo no âmbito da acção Outro rumo para o País. Rejeitar o Pacote Laboral, a exploração e as injustiças. Desta vez, sob forte chuva, pouco depois das sete horas da manhã, o Secretário-Geral esteve com os trabalhadores da Mitsubishi Fuso Truck Europe, no Tramagal, concelho de Abrantes.
«Vocês são os heróis», ouviu-se uma das trabalhadores afirmar ao receber um panfleto das mãos de um dos vários camaradas que integravam a delegação do Partido.
O objectivo daquela acção, tal como de todas as outras realizadas ou programadas pelo País, foi explicado pelo Secretário-Geral à imprensa: «estamos aqui a fazer o contacto com os trabalhadores, a mobilizar, a afirmar as nossas propostas e a alternativa que se impõe ao rumo do País. Pelos salários, direitos, pelo tempo para viver, contra a precariedade e pela estabilidade. A afirmar que a alternativa tem que ser construída com os trabalhadores e ao seu serviço». «Para isso, contem com o PCP», sublinhou.
Sobre a segunda volta às eleições presidenciais, Paulo Raimundo salientou que o «voto de quem trabalha é decisivo». «Aquilo a que nós apelamos é que não dêem força àqueles que enganam, porque os que dizem que está tudo mal, o que querem, quando se apanham eleitos, é que o que está mal, fique ainda pior», acrescentou.




