EUA: ameaças, ingerência e repressão

Os EUA ameaçam países como Cuba e Irão, ao mesmo tempo que prosseguem a subversão do sistema das Nações Unidas com a constituição do chamado “Conselho da Paz”. Internamente, cresce a contestação às políticas migratórias e à repressão do ICE, que assassinou mais um cidadão norte-americano em Minneapolis.

Cuba e Irão novamente ameaçados pelos EUA

O Governo cubano revelou que os EUA estão a planear asfixiar a economia de Cuba, ainda mais, impondo um bloqueio total às importações de petróleo de modo a tentar impor uma “mudança de regime”. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Carlos Fernández de Cossío, afirmou que se trata de um «ataque brutal contra um país que não ameaça os EUA e contra um povo pacífico que não é hostil a nenhuma nação. Uma prova de que as dificuldades económicas cubanas têm origem principalmente nos EUA». «Porque temer a possibilidade de que Cuba resolva os próprios problemas sem a interferência norte-americana?», questionou.

Estas ameaças evidenciam o recrudescimento de uma política hostil que procura o colapso energético de Cuba mediante a acção de pirataria por parte dos EUA, num contexto de incremento da política agressiva do imperialismo norte-americano na região.

Novas ameaças de agressão ao Irão
Entretanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irão com a possibilidade de uma nova agressão militar. Os EUA estão a enviar para o Médio Oriente poderosos meios militares, incluindo a frota do porta-aviões USS Abraham Lincoln, que se encontrava no Mar do Sul da China. Diversos países no Médio Oriente rejeitaram já o uso do seu território e espaço aéreo para uma nova agressão militar dos EUA e de Israel, com o apoio de países que integram a NATO, como o Reino Unido, contra o Irão.

Conselho” dos EUA visa a ONU
À margem da reunião do Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, os EUA lançaram o seu “Conselho da Paz”, que já não será – como inicialmente anunciado – apenas para a Faixa de Gaza, mas ambiciona ter um âmbito mais alargado. O dito “Conselho” será presidido de forma vitalícia por Donald Trump e a participação dos Estados está dependente de convite e do, eventual, pagamento de mil milhões de dólares.

A República Popular da China, que foi convidada pelos EUA a integrar o dito “Conselho da Paz”, reafirma a sua defesa do sistema internacional das Nações Unidas, sustentado no direito internacional, que admite estar ameaçado pela iniciativa norte-americana.

Protestos massivos nos EUA
Apesar das temperaturas de cerca de 20 graus negativos, dezenas de milhares de pessoas juntaram-se na segunda-feira, 26, em Minneapolis, no norte dos EUA, para rejeitar a repressão contra imigrantes e os assassinatos de dois cidadãos norte-americanos baleados por agentes do Serviço de Imigração e Controlo de Fronteiras (ICE, na sigla em inglês). Um dos assassinados, Alex Pretti, foi morto com 10 tiros quando se encontrava já imobilizado.

Estes protestos somam-se a manifestações semelhantes realizadas em todo o Estado do Minnesota, nas últimas semanas, a exigir o fim das operações federais levadas a cabo pelo ICE e outras agências de segurança nacional. Num comício, os participantes questionaram o autoritarismo do governo federal e a actual deriva antidemocrática que atinge os EUA. Em seguida, desfilaram pelas ruas centrais de Minneapolis, cidade que se tornou o epicentro da rejeição nacional ao ICE e às suas rusgas violentas.

Entre slogans apelando à unidade das comunidades face aos abusos institucionais e pedindo «ICE fora, agora», os manifestantes acusaram os agentes federais – enviados para o Minnesota apesar da oposição das autoridades estaduais – de brutalidade e exigiram responsabilidades quanto aos cidadãos assassinados pelo ICE, depois de semanas a semear o terror nos bairros, a deter imigrantes alegadamente em situação irregular e a separar famílias.

 



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