A greve geral parou a Cerealto mas há razões para a luta continuar
O Secretário-Geral do PCP foi na segunda-feira à Cerealto, em Sintra, contactar com os trabalhadores daquela empresa, que pararam a produção no dia da greve geral. Paulo Raimundo saudou a sua coragem e ouviu razões de sobra para que a luta continue.
Trabalhadores da Cerealto rejeitaram a imposição de laboração contínua
A tarde fria não desmotivou Paulo Raimundo e os militantes comunistas que o acompanharam na conversar com os trabalhadores da Cerealto, empresa do ramo alimentar no concelho de Sintra onde, a 11 de Dezembro, durante a greve geral, «não se produziu nem uma bolacha» – como afirmou Fernando Rodrigues, membro do Comité Central do Partido e dirigente sindical, que ali esteve com o Secretário-Geral. Ali, como noutras unidades fabris, os trabalhadores não se limitaram a fazer greve: muitos incorporaram-se no piquete à porta da fábrica e ali estiveram durante praticamente todo o período de laboração. Nesse dia, o Secretário-Geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira, passou por lá e saudou-os às primeiras horas da manhã.
Não era apenas o repúdio pelo conteúdo do pacote laboral que mobilizou os trabalhadores da Cerealto, que demonstravam também que não aceitam a intenção da administração de impor na empresa a laboração contínua. Rejeitada em plenário de trabalhadores, a proposta foi incluída num questionário interno, cujo resultado foi inequívoco: 77 por cento dos trabalhadores não aceitam essa medida. A empresa não desiste, mas a via para a sua implementação é cada vez mais estreita, confia Marcelo, que integra a Comissão de Trabalhadores da empresa.
Se a Cerealto estava, não há muitos anos, no topo do sector alimentar no que aos salários praticados diz respeito, nos últimos tempos têm-se generalizado os vencimentos pouco acima do salário-base. Esta é mais uma razão que motiva a organização e a luta dos trabalhadores, que também ali vai continuar.
O candidato dos trabalhadores
Nos contactos com os trabalhadores da Cerealto, Paulo Raimundo distribuía folhetos da candidatura de António Filipe a Presidente da República, garantindo ser este «o candidato do povo e dos trabalhadores». Para o Secretário-Geral do PCP, os trabalhadores estão perante uma de duas opções: «ou votam num candidato que os apoia, aos seus interesses, aos seus direitos, com um rotundo não! ao pacote laboral, ou apoiam candidatos que, com mais ou menos conversa, aquilo que vão fazer é justificar, quando lá chegarem, a política que está em curso contra os direitos dos trabalhadores».
Quanto aos restantes candidatos, considerou serem os do “consenso neoliberal”, que se encostam uns aos outros para que ele prossiga: «Mas cá está António Filipe e a sua candidatura para travá-lo», acrescentou.




