Reúnem-se forças em Aveiro
Antes do comício na cidade coimbrã, a campanha de António Filipe passou ligeiramente mais à norte, na Biblioteca Municipal de Aveiro, para uma bem participada sessão pública.
Nuno Silva, músico, deu o pontapé de saída, proferindo uma intervenção particularmente emocional onde ficou bem patente um lado humano muito necessário para o empreendimento que é a transformaçãodo mundo. «Este é o nosso povo, não há outro», referiu inicialmente, explicando a importância de construir a unidade independentemente das opções passadas de cada um. Sobre o candidato, lembrou que este «antes de o ser», «é uma pessoa, é parte do povo, é uma parte de nós», caracterização facilmente comprovada pelas suas décadas de intervenção em prol dos interesses do povo. Num «mundo onde já não se fala de amor», o músico descreveu este como mais um momento para «lutar pelos nossos filhos e netos, as nossas sementes de Abril», deixando ainda espaço para fechar num tom esperançoso, pois «se existe esperança, ainda existe Abril» e «se ainda existe Abril», «os nossos cravos erguer-se-ão no ar».
De seguida, Isabel Tavares destacou a importância de eleger um Presidente que esteja ao lado dos trabalhadores no combate aos retrocessos. É o voto nesta candidatura aquele que «defende os interesses individuais e colectivos», ajudando a eleger alguém «dedicado, honesto, sério e competente», que utilizará todos os meios constitucionais ao seu dispor para ajudar a traçar o rumo de que o País tanto precisa.
Esta é também a candidatura que dá voz ao mais jovens, que se inquieta com um constante empurrar de toda uma geração para a emigração. Foi enquanto estudante do ensino superior que José Pinho se apresentou, um dos muitos que construíram a recente manifestação nacional decisiva na derrota das intenções do Governo de aumentar o valor das propinas. Os jovens sabem que a «forte contestação estudantil já levou governos a recuar», e podem contar com este candidato nesta sua luta, «um defensor do Ensino Superior público, gratuito, democrático e de qualidade».
«Não precisamos de mais políticos que olhem para as vidas como números», afirmou Joana Dias, focando a sua intervenção nas questões da saúde. Juntou aos recentes casos mediáticos os muitos outros que não fazem manchete, como o caso das urgências de São João da Madeira, para traçar um quadro que, estando bem difícil, apenas tende a se agravar com a manutenção das políticas em curso para o SNS.
Chegar à raiz da questão
«O SNS está em crise e não é por causa da gripe», apontou António Filipe, denunciando o caminho de desinvestimento e destruição que décadas de política de direita executaram no Serviço Nacional de Saúde. Com mais de 1.5 milhões de pessoas sem médico de família, 200 mil cirurgias em atraso e encerramentos sistemáticos de serviços indispensáveis às populações, o papel do Presidente da República tem de ser muito mais do que somente «lamentar as consequências» da política em curso, assumindo uma postura de defesa desta que é uma das maiores conquistas da nossa Revolução.




