Nos 40 anos da adesão à CEE/UE os impactos negativos subsistem

O PCP assinalou os 40 anos da adesão de Portugal à CEE, posteriormente transformada em União Europeia (UE), com um comunicado do Gabinete do seu deputado no Parlamento Europeu, onde assinala os «impactos profundamente negativos» dessa decisão.

As promessas de coesão ficaram por cumprir

«As políticas neoliberais, federalistas e militaristas da União Europeia contribuíram para uma crescente dependência externa de Portugal, para a manutenção, e mesmo o agravamento, de assimetrias face a países economicamente mais desenvolvidos, para perda de controlo nacional de empresas e sectores estratégicos, para o agravamento de défices estruturais, para a perda de instrumentos fundamentais de soberania, com a transferência de capacidade de decisão para a esfera da União Europeia» – adianta o Partido, em jeito de balanço geral destas quatro décadas.

Considerando a inserção de Portugal na CEE como «parte integrante do processo contra-revolucionário de recuperação monopolista», o PCP acrescenta que essa integração alicerçou a política de direita realizada por sucessivos governos de PS, PSD ou CDS, que conta agora com o apoio de IL e Chega. A adesão à CEE, no Mercado Único e, posteriormente, na União Europeia, com a sua União Económica e Monetária, euro e Pacto de Estabilidade, representaram o «ataque e a destruição de capacidade produtiva nacional, o domínio estrangeiro sobre sectores estratégicos do País, baixos salários e pensões, ataque a direitos, degradação e privatização de serviços públicos, injustiças e desigualdades sociais, mais concentração da riqueza e saque de recursos nacionais, consolidação de défices estruturais do País, dependência externa, estreitamento das relações económicas e comerciais de Portugal».

A realização de infra-estruturas e as tendências de evolução entretanto verificadas, garante, não apagam o sentido essencial que caracteriza este processo.

Soberania comprometida
O grave comprometimento da soberania nacional é outra das críticas apontadas pelo Partido. Há questões centrais da vida do País a «serem decididas, ou fortemente condicionadas, pelas instituições e instâncias da União Europeia, dominadas pelas grandes potências e determinado pelos interesses dos grupos económicos e financeiros».

Exemplos disto são o Pacto de Estabilidade, «para lá da ditadura do défice e da dívida – agora agravado com o foco directo na contenção ou redução da despesa pública –, o Tratado Orçamental, o Semestre Europeu, a Governação Económica»: instrumentos que visam conter a despesa pública, sobretudo nas funções sociais do Estado, nos serviços públicos, no investimento público.

Por cumprir estão ainda as «muitas e reiteradas promessas de salários e condições de vida ao nível da “Europa”, do “pelotão da frente”, da dita “coesão económica e social”». A realidade é outra, bem diferente: a manutenção e o aprofundamento de divergências, desigualdades e assimetrias de desenvolvimento. «Na memória do povo português estão ainda bem vivos os impactos da intervenção da troika, entre 2011 e 2015, com algumas das suas consequências a perdurarem de forma negativa no País», acrescenta.

Neoliberalismo, federalismo e militarismo
Mas não é só, nem sobretudo, de passado que se fala no comunicado, já que as «actuais orientações políticas assumidas pela UE acentuam aqueles impactos negativos e constituem riscos acrescidos para o povo e o País». Isto é desde logo evidente em «decisões tomadas recentemente que desprezam os problemas económicos e sociais que atingem a vida dos trabalhadores e dos povos, que têm omnipresente a apologia e a promoção do militarismo, da escalada armamentista e da guerra como critério transversal às políticas da UE, que acentuam o favorecimento dos grupos económicos e financeiros, nomeadamente do negócio do armamento», sublinha.

A UE, que «cinicamente clama pelos direitos humanos, a democracia e a paz», denuncia o PCP, é conivente e cúmplice com o genocídio do povo palestiniano às mãos de Israel e, de forma crescente, «promove e incorpora concepções e projectos reaccionários nas suas políticas». Além disso, acrescenta, insiste em políticas neoliberais, federalistas e militaristas «que não só atacam os direitos dos trabalhadores e as suas conquistas sociais, a soberania e a democracia, como promovem uma perigosa escalada de confrontação e guerra, incluindo com o aumento das despesas para os armamentos, desviando para a guerra milhares de milhões de euros necessários à resolução dos problemas sociais, com o sério risco de empurrar a Europa e o Mundo para a catástrofe».

Há outro caminho
No comunicado, o PCP recorda que desde o primeiro momento se opôs a este «caminho de abdicação nacional» e nunca prescindiu de «defender os interesses nacionais perante este processo de integração». Da mesma forma que, garante, se continuará a bater «em defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País, pela afirmação da soberania e independência nacional, por um caminho de desenvolvimento económico e social que assegure a concretização dos direitos e das aspirações do povo português».

Contribuindo assim, conclui, «para uma Europa de cooperação entre Estados soberanos e iguais em direitos, de progresso social e de paz».

 



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