Venezuela alerta para ameaça dos EUA à região da América Latina e Caraíbas

O Presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro, enviou uma carta aos seus homólogos da América Latina e das Caraíbas, bem como a todos os Estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU), denunciando as ameaças belicistas que os EUA representam para o seu país e para toda a região latino-americana.

«A pirataria estatal é uma ameaça directa à ordem jurídica internacional e à segurança global»

Na sua missiva, Nicolás Maduro denunciou a escalada provocada pela instalação de forças militares norte-americanas nas Caraíbas desde meados de Agosto e constituída por mais de uma dezena de navios de guerra e por milhares de efectivos, advertindo para o aumento de agressões de extrema gravidade por parte dos EUA, cujos efeitos transcendem a Venezuela e ameaçam desestabilizar toda a região e o sistema internacional, e exortando à união de esforços para conter a ameaça belicista.

O Presidente da Venezuela reafirmou que o seu país não cometeu acto algum que justifique esta intimidação militar e lembrou os 28 ataques cometidos pelas forças norte-americanas contra embarcações civis no Mar das Caraíbas e no Oceano Pacífico oriental, com um trágico balanço de 104 pessoas executadas extrajudicialmente.

Nicolás Maduro denunciou que as acções militares norte-americanas – sob a falsa alegação da “luta antidrogas” – constituem uma ameaça directa do uso da força, proibida pela Carta da ONU e pelo Tratado de Tlatelolco, que declara a América Latina e as Caraíbas livre de armas nucleares. Realçou ainda que não se trata de incidentes armados, mas «uma prática sistemática de uso letal da força fora de todo o quadro legal internacional e, inclusive, do próprio quadro legal dos EUA».

Na sua mensagem, o Presidente da República Bolivariana da Venezuela sublinhou ainda que a pirataria estatal é uma ameaça directa à ordem jurídica internacional e à segurança global e avisou que a inacção frente à agressão e ao desprezo pelo direito internacional pode implicar consequências devastadoras.

«O problema não é a Venezuela, são os EUA»

«O problema não é a República Bolivariana, são os EUA. A ameaça não é a Venezuela, são os EUA», destacou o representante venezuelano junto da ONU, ao intervir na sessão de emergência do Conselho de Segurança solicitada pela República Bolivariana da Venezuela, que decorreu no dia 23.

O Embaixador Samuel Moncada advertiu que os planos belicistas dos EUA não são só contra a Venezuela, são expressão de uma ambição continental, de acordo com o conceito apresentado pela Casa Branca na sua «Estratégia de Segurança Nacional», que retoma a aplicação da Doutrina Monroe do século XIX, agora denominada «Corolário Trump».
Na reunião do Conselho de Segurança sobre as ameaças dos EUA contra a Venezuela e outros Estados da região, a China reiterou a condenação de actos de unilateralismo e de acosso e exortou os EUA a respeitar a segurança de navegação dos países da região e a liberdade e os direitos que gozam esses países ao abrigo das leis internacionais. A Rússia condenou o bloqueio ilegal imposto pelos EUA na costa venezuelana, que considerou um «acto de agressão claro». O Brasil declarou que a instalação de meios militares nas Caraíbas e o bloqueio naval imposto contra a Venezuela constituem violações à Carta da ONU e que devem ser interrompidos de forma imediata.

Ameaças crescentes contra a Venezuela

O Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, discursando em Havana, no dia 19, perante a Assembleia Nacional do Poder Popular, condenou a política impulsionada pelos EUA e denominada “paz mediante a força”. Afirmou que tal política consiste, na essência, «em impor a todos a vontade arbitrária e o domínio do imperialismo norte-americano mediante ameaças, coerção e inclusivamente a agressão directa».

Para o Presidente cubano, o aberrante Corolário Trump da Doutrina Monroe e a “Estratégia de Segurança Nacional” dos EUA, recentemente publicada, não deixam dúvidas sobre as pretensões hegemónicas contra os povos e países da América Latina, ignorando e pondo em perigo essa região como Zona de Paz, proclamada desde 2014.

«O texto exibe sem pudor as ambições de um poderio unipolar já em declínio. Responde aos interesses das grandes corporações transnacionais, à custa dos direitos inalienáveis dos países da região. Declara abertamente a pretensão norte-americana de apropriar-se dos recursos e riquezas naturais que pertencem aos países soberanos do hemisfério ocidental e seus povos» – afirmou. Para Miguel Díaz-Canel, «isto explica o impulso aos planos para estabelecer bases militares dos EUA em diversos países, a presença militar exagerada e agressiva no Mar das Caraíbas e as ameaças crescentes e provocadoras contra a Venezuela, com pretextos tão insustentáveis que mudam em questão de horas».

O Presidente de Cuba reiterou a condenação, nos termos mais firmes e categóricos, das ameaças e acções agressivas contra a República Bolivariana da Venezuela, e reafirmou o absoluto respaldo e solidariedade de Cuba com esse país latino-americano e caribenho.

 



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