“Unexpressive, they say”*
A greve geral do passado dia 11 foi notícia em todo o mundo.
De Singapura, o The Straits Times informava que o transporte ferroviário paralisou, «centenas de voos foram cancelados e as escolas encerraram». Se alguns transportes públicos «funcionaram devido aos serviços mínimos impostos pelas autoridades», certo é – garantia – que «as ruas de Lisboa estavam visivelmente mais tranquilas». Nos hospitais, a maioria das cirurgias e consultas foi adiada devido à greve, adiantava ainda o periódico do país asiático. «Hospitais, escolas, fábricas, serviços de água e saneamento, bem como a agricultura e as lotas de peixe, estiveram encerrados em todo o País, de norte a sul», salientou o portal turco AA. A conclusão semelhante chegou a cadeia France 24ao noticiar que as estações de metro da capital «estavam encerradas, enquanto os serviços de ferry e de comboio operavam com capacidade reduzida, com os painéis de partida a anunciarem, na sua grande maioria, cancelamentos».
O impacto da greve geral no transporte aéreo teve particular repercussão nos média internacionais. A Associated Pressgarantiu que a TAP apenas operou 63 dos 283 voos programados, correspondentes aos serviços mínimos. Um repórter da agência chinesa Xinhua observou no local como os aeroportos, geralmente cheios de passageiros, «estavam muito menos congestionados» e a EFE destacou que o Aeroporto de Lisboa «esteve praticamente vazio, com voos cancelados, balcões de check-in desocupados e uma redução significativa do número de passageiros». O Times of India realçava as «perturbações significativas nos voos internacionais» e, em Itália, o periódico desportivo Corriere Dello Sport contou como «um número significativo de adeptos do Nápoles», que defrontou o Benfica na noite de dia 10 para a Liga dos Campeões, desistiu de viajar para Lisboa graças ao cancelamento de diversos voos para a capital portuguesa.
A paralisação na indústria também foi notícia. Se a Associated Press salientava que as «empresas privadas também foram afectadas, com paralisações em empresas dos sectores da indústria transformadora e da distribuição», a France 24 destacava que a «maior fábrica de automóveis em Portugal – uma unidade do grupo Volkswagen localizada na região de Setúbal, no sul do País [a Autoeuropa] – parou por completo». A BBC tinha já informado, antes, que quase mil trabalhadores da multinacional alemã do sector automóvel votaram «de forma unânime a adesão à greve».
Bem pode o Governo insistir na tese da greve “inexpressiva”, que por cá todos se aperceberam da sua dimensão – e do que ela revela. E, pelos vistos, no mundo também.
* Inexpressiva, dizem eles




