Trabalhadores argentinos dizem não à “reforma laboral”

Na Argentina, mais de 90 por cento dos trabalhadores do Estado paralisaram no dia 9 e juntaram-se a numerosas manifestações em diferentes cidades do país, protestando contra a denominada “reforma laboral” proposta pelo Governo, a qual ataca gravemente os direitos dos trabalhadores.

Os protestos foram convocados pela Associação de Trabalhadores do Estado (ATE), a que se juntaram diversas organizações sociais. Registaram-se marchas e manifestações em cidades da área metropolitana de Buenos Aires, que integra a capital e uma vintena de municípios, e também em Córdoba, Rosario, La Plata e outras cidades.

Manifestantes juntaram-se junto ao Congresso Nacional, para onde o Governo enviou vários projectos que pretende impor a partir de Janeiro, incluindo uma controversa alteração à Lei Laboral.

A representação da Confederação Geral do Trabalho (CGT), associação sindical que agrupa muitos sindicatos e que até agora vinha dialogando com o Governo, decidiu interromper as conversações como sinal da sua rejeição às alterações à legislação laboral e advertiu que o conflito pode agravar-se.

Os sindicatos opõem-se à proposta do governo porque facilitarão os despedimentos, uma ainda maior redução dos já baixos salários, jornadas de trabalho mais longas e colocarão maiores dificuldades para o exercício da acção sindical.

Diversas organizações sociais juntaram-se às mobilizações, reclamando contra a fome, dada a situação de extrema gravidade que atinge milhões de famílias.

Além de rejeitar as alterações à legislação laboral e a intenção governamental de suprimir 10% dos trabalhadores na administração pública, as manifestações convocadas pela ATE defenderam a reabertura das negociações para um novo acordo colectivo de trabalho que contemple o aumento dos salários.

Fontes governamentais revelam que o governo argentino pretende despedir até 70 mil trabalhadores da administração pública, o que poderia ocorrer antes do final do ano.

Contra este ataque aos trabalhadores levado a cabo pelo Governo de extrema-direita, as centrais sindicais argentinas – além da ATE e da CGT, as duas Centrais de Trabalhadores da Argentina (CTA) – coordenam acções e prevêem uma grande paralisação em todo o país, marcada para hoje, quinta-feira, 18, quando o Senado vai discutir o projecto.

 



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