Poderosa afirmação de força e unidade e de rejeição do pacote laboral
No dia 11 de Dezembro realizou-se «uma das maiores greves gerais de sempre, se não mesmo a maior greve geral de sempre» no País, considerou o Secretário-Geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira, perante os muitos milhares de pessoas reunidas junto da Assembleia da República, nessa tarde. «Mais de três milhões de trabalhadores pararam», afirmou, dirigindo ao Governo um alerta: «Oiçam os trabalhadores», «o pacote laboral mereceu a sua total rejeição» e «a luta vai continuar».
Os trabalhadores empreenderão as formas de luta necessárias para derrotar esta ofensiva
A manifestação em Lisboa foi uma das iniciativas de rua, realizadas de manhã e de tarde, em mais de duas dezenas de cidades, no Continente e nas regiões autónomas, dando maior visibilidade à greve geral e à rejeição do pacote laboral.
Tiago Oliveira lembrou o grande número de plenários, reuniões e outras acções, que permitiram, em cerca de quatro meses, esclarecer milhões de trabalhadores sobre o conteúdo do pacote laboral e sobre o profundo retrocesso que representaria a sua aplicação. «Querem-nos condenar a uma vida de precariedade e sem direitos, querem-nos calados e amarrados, querem-nos sempre disponíveis para o trabalho e, se possível, amordaçados», acusou. A contrariar estes objectivos, no entanto, encontraram «a força e a luta dos trabalhadores», «esta força imensa, com esta unidade que nos caracteriza, com esta determinação que nasce dos locais de trabalho».
Para ontem, dia 17, foi convocada uma reunião do Conselho Nacional da CGTP-IN, para «fazer a avaliação desta grande greve geral», «tirar ilação da resposta do Governo» e, «a partir daí, discutir as formas de luta que entender necessárias, para dar continuidade a este combate», que é «necessário, urgente e duradouro».
Esta informação tinha sido adiantada por Tiago Oliveira, poucas horas antes, numa conferência de imprensa, na sede da confederação. Nessa ocasião, a partir dos dados recolhidos pelos sindicatos, salientou «a impressionante participação nos sectores das pescas, da indústria, da logística, nos transportes, na saúde, nas cantinas, nas IPSS, na educação, na Administração Local, na recolha de resíduos, na cultura, de forma geral, em todas as actividades do nosso País».
Indicou «alguns exemplos» da dimensão da greve geral: as lotas encerradas; os portos de Lisboa, Aveiro e outros, sem movimento de barcos; adesão a cem por cento na logística da Super Bock; produção parada na Cerealto, na Dancake e noutras empresas da indústria de alimentação; cantinas e refeitórios encerrados; supermercado Auchan das Amoreiras, a cem por cento; a logística da Mercadona, em Almeirim, com 70 por cento; a Santa Casa da Misericórdia de Viana do Castelo, a cem por cento; na indústria de cerâmica, 100%; na CIARGA (Grupo Cimpor), adesão a 100% em Alhandra e na Maia; na Domino (Condeixa-a-Nova) e 80 por cento na Gallo Vidro (Marinha Grande); na metalurgia, 95 por cento na AAPICO (Maia) e 90 por cento na PREH (Trofa); no têxtil, 80 por cento na TESCAP (São João da Madeira); no sector automóvel, produção parada na Autoeuropa e empresas do parque industrial; nos transportes, 90 por cento de adesão nos aeroportos de Lisboa e Porto, o aeroporto de Faro encerrado; cem por cento no Metro de Lisboa, na CP e na IP, mas também nos transportes urbanos de Viseu; 95 por cento nos CTT, em Cabo Ruivo.
Desde as primeiras horas deste dia de luta, os sindicatos, as federações e as uniões divulgaram índices de adesão e imagens de piquetes de greve num grande número de empresas, serviços e locais de trabalho. A CGTP-IN deu-lhes eco e emitiu quatro extensas listagens, às 5h30, 10h50, 14h40 e 19h20. Uma delegação da confederação, integrando o Secretário-Geral, percorreu quase uma dezena de locais de trabalho, durante a madrugada e a manhã.
Determinação e compromisso
«Esta grande greve geral demonstra que os trabalhadores não se resignam, que rejeitam o pacote laboral e que estão determinados nesta luta pela derrota de uma política que põe em causa o futuro do País», afirma-se na Resolução que foi aprovada nas manifestações, concentrações e «praças de greve».
Rejeitando «retrocessos», exige-se «outro rumo, no qual os trabalhadores sejam valorizados» e «estejam no centro de uma política de desenvolvimento e progresso, que defenda e reforce os serviços públicos e as funções sociais do Estado e que garanta uma vida digna para todos os que trabalham e trabalharam, tendo como base os direitos de Abril que a Constituição consagra e que têm de ser cumpridos».
Aprovando a Resolução, os presentes em cada acção de rua assumiram «o compromisso de continuar a luta contra o retrocesso e a exploração, contra o pacote laboral de assalto aos direitos, por mais salário e mais direitos, desde já com o desenvolvimento da luta reivindicativa nos sectores, empresas e locais de trabalho».
Solidariedade internacional
A CGTP-IN revelou que recebeu saudações solidárias, por motivo da greve geral, da Federação Sindical Mundial, da Confederação Europeia de Sindicatos, da Federação Europeia de Serviços Públicos, da Organização da Unidade Sindical Africana e da União Internacional de Media, Entretenimento e Artes, de centrais sindicais da Bélgica, Cabo Verde, Paquistão, México, Roménia, Brasil, Equador, Espanha, Galiza, País Basco, França, Tunísia, Suíça, Grécia, Hungria, África do Sul, Itália, Turquia, Luxemburgo, Japão, Reino Unido, Venezuela, Irlanda, Chéquia, Argentina, Colômbia e Líbano.
PCP saudou «grande e expressiva» jornada de luta
Numa declaração enviada à comunicação social e publicada no sítio do PCP na Internet, na tarde de dia 11, o Secretário-Geral do Partido, Paulo Raimundo, afirmou que «a grande e expressiva dimensão da greve geral de hoje constitui uma enorme afirmação da força e da unidade dos trabalhadores e uma poderosa expressão de rejeição de um pacote laboral ao serviço do capital, apresentado pelo Governo PSD/CDS e apoiado pelo Chega e pela IL».
Esta «histórica jornada de exigência de justiça, dignidade, respeito, melhores salários e direitos» «assume ainda mais significado, quando foi usado todo um arsenal de expedientes de pressão, chantagem, incluindo o abuso de serviços mínimos, para tentar pôr em causa o direito à greve e esconder os seus efeitos».
Paulo Raimundo salientou que a greve geral, «uma das maiores de sempre», colocou «o trabalho e a situação dos trabalhadores no centro da discussão» e foi «um forte aviso ao grande patronato e ao Governo, de que deve retirar, não apenas uma ou outra medida, mas sim todo o pacote laboral».
Como «viva afirmação dos direitos e liberdades democráticas», esta greve geral «demonstra que os trabalhadores e o povo, usando todos os direitos que a Constituição consagra, têm a força bastante não só para resistir e enfrentar a regressão social e o revanchismo antidemocrático, mas também para afirmar o caminho de progresso social de que Portugal precisa», destacou o dirigente comunista.
Em nome do PCP, saudou os trabalhadores, a CGTP-IN, as estruturas sindicais e outras organizações, bem como «os milhares de dirigentes, delegados sindicais e membros de comissões de trabalhadores, que participaram activamente no esclarecimento, na mobilização e na organização» desta grande jornada de luta, para cujo êxito foram determinantes.
O Secretário-Geral do PCP sublinhou que «o caminho para um Portugal justo, desenvolvido e soberano implica prosseguir a luta pela rejeição do pacote laboral, a valorização do trabalho e dos trabalhadores, o cumprimento da Constituição da República e a aplicação dos direitos que esta consagra.
Com outros dirigentes do PCP, Paulo Raimundo deslocou-se à Autoeuropa, ao Metropolitano de Lisboa, ao Arsenal do Alfeite, ao Hospital de Santa Maria e ao Aeroporto Humberto Delgado, para realçar os elevados níveis de adesão e reafirmar a solidariedade do Partido para com os trabalhadores em greve. Esteve também na manifestação em Lisboa.
O PCP assegurou, desde as 21h30 de dia 10, um total de 12 horas de transmissões em directo, nas redes sociais, com reportagens junto de piquetes de greve, informações sobre níveis de adesão, comentários de diversos convidados em estúdio.
A greve geral foi o tema da declaração política de Paula Santos, presidente do Grupo Parlamentar do PCP, no dia 11, na Assembleia da República, considerando o agendamento potestativo de matérias laborais, por parte da IL, como «provocação, que só revela aquilo que são, aquilo que defendem e os interesses que servem, os dos grupos económicos».
No Parlamento Europeu, o deputado do PCP, João Oliveira, fez à comunicação social uma declaração sobre a greve geral em Portugal, notando que ela «confronta também a União Europeia com a cobertura e o suporte que dá» à política que gerou o pacote laboral. Lembrou greves gerais recentes na Grécia, na Bélgica e noutros países da UE, contra políticas semelhantes.




