Greve poderosa na Península de Setúbal

À porta da Autoeuropa, nas primeiras horas da greve geral, os secretários-gerais da CGTP e do PCP destacaram a força da mobilização dos trabalhadores e a rejeição ao pacote laboral.

A luta continua até o pacote laboral cair

O local não podia ser mais simbólico: a filial da Volkswagen é hoje a “coqueluche” industrial do País, um dos maiores exportadores nacionais e, também, um importante centro da luta pelos direitos dos trabalhadores. No dia 11, na Autoeuropa e nas mais de 30 empresas do complexo, não se produziu um único automóvel.

Para Tiago Oliveira, a adesão verificada demonstrava «unidade, rejeição do pacote laboral e exigência da sua retirada». «São estes homens e mulheres que o Governo tem de ouvir», acrescentou, lembrando que «cada trabalhador tem nas mãos uma arma fundamental: o seu trabalho». Também Paulo Raimundo, em declarações aos jornalistas, afirmou que a greve geral, àquela hora, já era «um sucesso, não só pela adesão, mas pelo que representa na defesa dos direitos dos trabalhadores».

Com produção parada estiveram também, na Península de Setúbal, outras empresas industriais como a Visteon, a Viroc, a Sovena ou a Ascenza (ex-SAPEC). Na Lisnave a adesão foi de 60 por cento, assim como no Arsenal do Alfeite – por onde passou, ao início da manhã, o Secretário-Geral do PCP. Foi aqui que, saudando o piquete, exigiu a retirada do pacote laboral e o investimento necessário no estaleiro da Marinha.

Região parada

A manhã de dia 11 contrastava com as demais. Nos terminais de transporte da Margem Sul do Tejo, habitualmente sobrelotados, reinava a calma. Às sete da manhã, em Cacilhas, não havia quase ninguém e quase nada circulava: barcos apenas os referentes aos serviços mínimos; autocarros e composições do Metro quase nenhuns.

No terminal fluvial da Transtejo, os poucos passageiros presentes compreenderam o motivo da greve, testemunhou Elsa Dias, que integrava o piquete: «Não houve contestação.» João, mestre na empresa há 33 anos, fazia um «balanço muito positivo» da paralisação. «Houve uma adesão de 100 por cento, única e simplesmente estão a trabalhar os serviços mínimos», relatou, relacionando este êxito com a boa preparação da jornada naquela empresa.

Um pouco antes, na estação dos TST na Mutela, não muito longe dali, o Avante! testemunhou o papel determinante de um piquete de greve. Um trabalhador dirigiu-se à empresa para pegar ao serviço e foi abordado pelos membros do piquete, seus colegas de trabalho. Ao fim de meia hora de visível conflito interno, afastou-se para “tomar um café”, voltando mais tarde para se juntar ao piquete. Nas primeiras horas do dia, saíram dali apenas dois autocarros dos mais de 30 habituais: no total da empresa, a adesão rondou os 95 por cento.

No Barreiro, o panorama era semelhante: barcos só os que cumpriam serviços mínimos e autocarros dos TCB nem vê-los. Em Setúbal, a Alsa Todi registou uma elevada adesão e a Atlantic Ferries esteve completamente parada: nem um navio cruzou o Sado.

Continua até cair

Na Península de Setúbal, a generalidade das escolas esteve encerrada, assim como muitos serviços municipais. O lixo não foi recolhido graças à adesão total dos trabalhadores e nenhum dos aterros da Amarsul recebeu resíduos.

A paralisação também se fez sentir nos CTT: na Moita (com 90 por cento de adesão), no Laranjeiro (60 por cento) e em Almada (90 por cento). O balcão da Caixa Geral de Depósitos da Moita esteve encerrado.

Merecem destaque, ainda, as duas lojas My Auchan que encerraram, em Almada e no Vale da Amoreira, e os postos de combustível desta cadeia onde se verificaram sérias limitações. No entreposto do Lidl na Marateca a paralisação abrangeu 60 por cento dos trabalhadores.

As duas concentrações realizadas na região – em Setúbal, de manhã, e no Barreiro, ao início da tarde – foram das maiores de que há memória nos respectivos concelhos. Numa e noutra, o coordenador da União de Sindicatos de Setúbal, Luís Leitão, fez o balanço da jornada e garantiu que a luta continua até o pacote laboral cair.

 



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