Manuel Pedro é «exemplo de coragem, frontalidade e firmeza»
O Secretariado do Comité Central do PCP informou, no dia 1, o falecimento, aos 94 anos, de Manuel Pedro, resistente antifascista e militante comunista. «Com profunda mágoa e tristeza», às filhas, netas e bisnetos, a direcção do Partido endereçou as suas «sentidas condolências».
Manuel Pedro dedicou a sua vida aos interesses dos trabalhadores e do povo
Nasceu em Lisboa, a 19 de Agosto de 1931. Desde criança, com 11 anos, conviveu com a exploração. Primeiro num restaurante e, depois, numa fábrica de curtumes e num armazém. Era empregado de seguros quando foi preso pela primeira vez, em 1958.
Foi um dos fundadores e dirigente do Cineclube Imagem e fez parte da delegação de jovens portugueses ao VI Festival Internacional da Juventude e dos Estudantes, em Moscovo, no ano de 1957.
Membro do Partido desde 1956, entrou para os quadros de funcionários do PCP em Maio de 1959, sendo preso de novo ainda nesse mesmo ano. Ao todo esteve preso por três vezes, totalizando 11 anos de prisão. «Em todas elas enfrentou com grande coragem o embate com os esbirros da PIDE», lê-se na nota emitida pelo Partido.
Enquanto funcionário clandestino foi responsável pelo Sector do Baixo-Ribatejo, membro da Direcção Regional de Lisboa e do Comité Local de Lisboa até à sua última prisão, em Maio de 1969.
Ao longo da sua vida de revolucionário teve sempre a seu lado a sua companheira Maria Júlia. Com ela compartilhou a vida clandestina, as agruras da repressão fascista, da prisão e a separação das filhas.
Libertado do Forte de Peniche em 27 de Abril de 1974 (no seguimento da Revolução), imediatamente assume tarefas na Organização Regional de Lisboa, tendo sido membro do Secretariado e do Executivo da Direcção da Organização Regional de Lisboa.
Foi membro do Comité Central do PCP de 1974 até 1988. Enquanto lhe foi fisicamente possível, desempenhou tarefas junto dos organismos executivos do Comité Central.
Tem dois livros editados sobre a sua experiência de vida e militância: “Sonhos de Poeta, Vida de Revolucionário” e “Resistentes”.
«Com uma vida entregue ao Partido, ao seu ideal e projecto, Manuel Pedro é um exemplo de coragem, frontalidade e firmeza, exemplo de militante inteiramente dedicado aos interesses dos trabalhadores e do povo, na luta diária por um Portugal democrático, tendo sempre presente a construção do socialismo e do comunismo», lê-se ainda na nota.
Paulo Raimundo, no funeral, que se realizou anteontem, dia 2, salientou que o percurso de Manuel Pedro é «sinónimo de uma vida dedicada ao Partido e ao seu reforço». «O seu Partido», continuou, «com a sua natureza de classe, princípios, objectivos e identidade» aí está e é o que é pelo «trabalho, empenho e dedicação de militantes como o Manuel Pedro».
«Um organizador da luta dos trabalhadores e do povo, assumiu diversas tarefas sempre com a mesma alegria, disponibilidade, empenho, rigor, disciplina e, não menos importante, sempre com aquele bom humor marcante», afirmou ainda. Antes de terminar, o Secretário-Geral, teceu o compromisso, às filhas, netas e outros familiares do camarada falecido, de respeitar e levar por diante o seu exemplo.




