Orçamento da UE dá prioridade a interesses económicos e à guerra

O Gabinete do Deputado do PCP no Parlamento Europeu (PE) divulgou em Bruxelas, no dia 1, o comunicado «Orçamento da União Europeia para 2026 não dá resposta às necessidades dos povos, tem como prioridade os interesses económicos e a guerra».

PCP continuará a intervir no PE com propostas que dêem resposta aos problemas que os povos e países como Portugal enfrentam

O Parlamento Europeu votou o acordo inter-institucional relativo ao Orçamento da União Europeia para 2026, em consonância com o Conselho da UE e a Comissão Europeia, que representa uma redução de cerca de 11 mil milhões de euros, ao nível dos pagamentos, face ao que estava previsto no actual Quadro Financeiro Plurianual para 2026, lê-se no comunicado. Para o PCP, trata-se de um Orçamento «de retrocesso, que tem como prioridade os interesses económicos e a guerra, que não dá resposta às necessidades dos povos, agravando injustiças e desigualdades», pelo que contou com a rejeição de João Oliveira.

O PCP critica a diminuição em cerca de sete mil milhões de euros das rubricas da coesão, ao mesmo tempo que se «aumenta em cerca de mil milhões de euros os montantes destinados ao pagamento do serviço da dívida contraída no âmbito do programa “NextGenerationEU” (para financiar os PRR), e cerca de 600 milhões de euros nas rubricas associadas ao militarismo, aos armamentos, à guerra e à “securitização” da UE». Mesmo reduzidas, acrescenta, «as verbas para a coesão passam ainda a poder ser usadas para financiar o militarismo, nomeadamente a dita mobilidade militar».

Fora das prioridades do Orçamento da UE, denuncia o Partido, ficam «importantes questões como o acesso à habitação, o investimento nos serviços públicos, para garantir o acesso à saúde, à educação, à protecção social, aos transportes ou à cultura, a melhoria das condições de vida, o combate à pobreza, a coesão económica e social, o apoio a políticas nacionais de aproveitamento das capacidades e recursos produtivos ou o equilíbrio ambiental e ecológico».

As propostas do PCP

Durante a discussão, o deputado do PCP no PE apresentou diversas propostas com vista a contrariar as opções da UE, colocando como prioridade a resposta aos problemas dos trabalhadores e dos povos, entre as quais:

– o aumento significativo do Orçamento, revertendo os cortes das rubricas associadas à coesão, para o que contribuiria a eliminação, também proposta, das rubricas associadas ao militarismo e às políticas “securitárias”;

– a criação de financiamento adicional e específico para apoiar os Estados-membros na expansão e requalificação dos parques habitacionais públicos;

– a criação de um programa específico de apoio aos Estados-membros no reforço ou criação de redes públicas de estabelecimentos de cuidados ao longo da vida, nomeadamente de creches e lares;

– a criação de um orçamento específico e significativo, para o reforço do combate à pobreza e exclusão social das crianças, através da Garantia para a Infância;

– a criação de um programa de defesa dos sectores produtivos e do emprego, dirigido aos países que ao longo do processo de integração foram mais prejudicados pelas Políticas Comuns, a União Económica e Monetária e pela Moeda Única;

– o aumento significativo dos fundos relativos à Política Agrícola Comum, bem como a reversão e compensação dos cortes efectuados em orçamentos anteriores no Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da Aquicultura (FEAMPA);

– o reforço das dotações dos programas para fazer face à insularidade (POSEI), incluindo a reinstituição de um programa POSEI-Pescas e a criação de um novo programa POSEI-Transportes, por forma a defender e valorizar o estatuto das regiões ultra-periféricas, como os Açores e a Madeira, com meios financeiros, programas e medidas, permanentes e excepcionais, de apoio às economias regionais insulares;

– a eliminação das dotações alocadas ao militarismo, à guerra, aos armamentos e às políticas securitárias, devendo o Orçamento da UE, ao invés, apoiar a defesa da paz, da cooperação e do desarmamento, dos princípios da Carta das Nações Unidas e do direito internacional;

Para além destas propostas, João Oliveira, Deputado do PCP no PE, defendeu ainda o reforço e aprofundamento da função redistributiva do orçamento comunitário, garantindo que os Estados que ao longo do processo de integração mais têm beneficiado com o Mercado Único, a Moeda Única e as Políticas Comuns contribuam mais para o orçamento, nomeadamente através do fim dos abatimentos de que alguns destes Estados-membros beneficiam.

Salienta-se que para a rejeição destas propostas contribuíram os votos dos deputados do PS, PSD, CDS, IL e CH.

 



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