Estados do Sahel reforçam aliança
As autoridades do Burkina Faso, Mali e Níger continuam a trabalhar no fortalecimento da Aliança dos Estados do Sahel (AES), formada há pouco mais de dois anos para salvaguardar a sua soberania nacional e o direito desses povos de decidir o seu futuro.
Foi noticiada recentemente a chegada a Bamako de um comboio composto por 82 camiões-cisterna, que percorreram o corredor entre Niamey, no Níger, e a capital maliana, uma via considerada de alta perigosidade devido à insegurança em troços fronteiriços.
O carregamento de combustível foi acolhido numa cerimónia protocolar encabeçada por governantes do Mali.
A iniciativa pertenceu ao presidente nigerino, Abdourahamane Tiani, que disponibilizou a doação como parte do esforço para apoiar o Mali, que enfrenta crescentes necessidades energéticas. O gesto solidário inscreve-se na dinâmica de cooperação entre países africanos que procuram fortalecer a sua soberania face às ingerências externas.
De acordo com dados de organismos internacionais, o Mali consome diariamente cerca de 40 mil barris de hidrocarbonetos, equivalentes a mais de seis milhões de litros. Este elevado consumo deve-se ao predomínio do transporte rodoviário, à crescente procura de electricidade e à ausência de uma infraestrutura nacional de refinação de petróleo, o que obriga o país a depender quase totalmente das importações.
Informa a plataforma informativa TeleSur que a entrega de combustível pelo Níger representa um alívio temporário para os malianos e reforça os vínculos de solidariedade entre os dois povos, num contexto marcado por desafios de segurança e pela necessidade de avançar para uma maior integração energética regional. Mais: o êxito do comboio nigerino realça a importância estratégica dos corredores logísticos regionais, particularmente num contexto caracterizado por interrupções de fornecimento de energia causadas pela insegurança ou limitações económicas.
O Níger, convertido em exportador de petróleo depois do arranque do oleoduto Níger-Benin, está a consolidar o seu papel como provedor energético para os seus vizinhos, numa altura em que o Mali procura diversificar e assegurar os seus fluxos energéticos.
As autoridades malianas destacaram que este fornecimento de petróleo pelo Níger contribuirá para estabilizar temporariamente o mercado interno, afectado por tensões no processo de abastecimento. A operação também se traduz no fortalecimento das relações entre Níger, Mali e Burkina Faso, membros da AES, criada em Setembro de 2023 com o objectivo de defender a soberania dos três Estados perante ameaças de agressão externa.
Actualmente, os três países estão a intensificar iniciativas conjuntas nas áreas de segurança, energia e economia, com o propósito de construir cadeias de abastecimento menos vulneráveis a pressões externas. Conversações entre os Estados membros avançam para assegurar corredores comerciais e desenvolver alianças estratégicas, com especial ênfase no sector do gás natural. Organizações na África Ocidental destacam o facto de os povos burquinês, maliano e nigerino continuarem a lutar para libertar-se do controlo neocolonial e criar um caminho próprio rumo à unidade e à soberania regional, apesar do imperialismo tentar travar este processo apoiando acções que visam debilitar os governos populares da região.




