O desporto pode dar muito mais ao País

Enquadrado numa iniciativa da Confederação do Desporto de Portugal, António Filipe participou numa parte da cimeira que junta todas as federações desportivas nacionais. No Hotel Melia, abordaram-se os desafios e potencialidades do desporto, assim como as grandes barreiras que estão colocadas.

«O que é preciso é dar tradução ao artigo 79»

«1.Todos têm direito à cultura física e ao desporto. 2.Incumbe ao Estado, em colaboração com as escolas e as associações e colectividades desportivas, promover, estimular, orientar e apoiar a prática e a difusão da cultura física e do desporto, bem como prevenir a violência no desporto.» O artigo 79.º da Constituição não deixa espaço para dúvidas, o problema surge na distância entre a lei e a realidade vivida nos bairros, associações e clubes pelo País fora.

Os representantes das federações desportivas descreveram a dimensão que o desporto assume no País, caracterizando-o enquanto «cultura, coesão territorial e desenvolvimento social», um sector que «cria um dinamismo extraordinário», movimentando «vilas e cidades assim como os seus locais de comércio, colectividades e transportes». Este movimento encontra a sua raiz na componente «associativa e adepta» que move milhões, assim como nos seus praticantes, entre eles, os milhares de crianças que vemos, todos os dias, a caminhar para os seus treinos.

O desporto é também saúde, assumindo um papel na prevenção de doenças. Hoje, num País cada vez mais «sedentário» e com «elevadas taxas de obesidade infantil», esta componente ganha particular importância. É ainda educação, constituindo um «espaço privilegiado de partilha e transmissão de valores e sentido colectivo». Os campos, pavilhões e arenas desportivas são os espaços onde muitos jovens sentem, pela primeira vez, a euforia da vitória e a desilusão da derrota. Assim crescem e desenvolvem novas qualidades, neste inevitável confronto com as suas emoções.

Como é possível, então, que esta «poderosa ferramenta para mudar a sociedade», continue a ser descurada? «O apoio tem sido parco», «ao longo das últimas duas décadas as federações perderam poder de compra». Uma política orientada pelo lucro e o mediatismo não serve o desporto, os seus praticantes, adeptos e estruturas. Importa combater este estado de coisas e pensar o desporto com a globalidade que ele merece.

No final da sua intervenção, o presidente da Confederação deixou ainda o desafio a António Filipe de, enquanto Presidente, presidir a uma destas reuniões anualmente, assim como o de adoptar uma postura relativamente às condecorações que as trate como espaços de igualdade e valorização das modalidades. 

«De dimensão enorme»
O desporto é um «fenómeno social de dimensão enorme», crê António Filipe que abordou o seu lado educativo, defendendo a «valorização da educação física e do desporto escolar».

Quanto ao financiamento, para além de insuficiente, o candidato afirma ainda que há uma «excessiva dependência dos jogos sociais».

O investimento e a valorização do desporto em todas as suas vertentes são essenciais, tanto para a generalização da prática desportiva, como para a melhoria dos resultados no alto rendimento, condições que se alimentam mutuamente. Relativamente a estes aspectos, António Filipe referiu a importância da criação de infra-estruturas como o velódromo de Sangalhos, para o ciclismo, e de várias piscinas olímpicas ao longo dos últimos anos.

«O que é preciso é dar tradução ao artigo 79.» A formação integral da pessoa prende-se também com uma relação positiva com a cultura física, numa elevação constante das diferentes dimensões do ser humano, onde a parte física não pode ser esquecida.

 

Projectar o futuro

As federações apresentaram ainda um documento em torno das prioridades políticas para o presente momento. O quadro é difícil, com a «percentagem de praticantes abaixo dos 10% da população» e a taxa de inactividade física nos 73%. «O Estado deixou o movimento associativo, praticamente, entregue à sua sorte, assumindo que com os recursos que lhe destinava o sector conseguia sobreviver.»

Face a esta realidade, a Confederação afirma cinco prioridades: «implementação do plano estratégico para o desporto», um «novo modelo de financiamento do desporto nacional», «mais educação física», «mais desporto no serviço público de rádio e televisão» e a «criação do Ministério do Desporto».

 



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