Enfermeiros recusam o pacote laboral

António Filipe participou numa reunião com a direcção do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, onde os dirigentes da estrutura sindical apontaram os motivos que os fazem avançar para a greve geral e discutiram o actual estado do SNS.

Quanto ao pacote laboral, os enfermeiros dizem que o novo ACT, apresentado pela ministra, é uma prova clara do caminho escolhido, referindo que este acordo afastará ainda mais profissionais do público.

Os sindicalistas sabem que o quadro está claro e aquilo que se procura, com a política seguida há décadas, é o emagrecimento do SNS e a rentabilização do sector privado. Apontam ainda que o actual Governo percebeu ter condições para dar um passo ainda mais acelerado neste domínio, enfraquecendo cada vez mais a capacidade de resposta do serviço público.

Os casos recentemente noticiados de encerramento de serviços em ULS por todo o País preocupam bastante mas não surpreendem, tendo em conta estas opções. Desde a Estefânia aos Covões, os sindicalistas abordaram estes casos, referindo ainda que o Interior está cada vez mais isolado, dando o exemplo da região de Trás-os-Montes. Aí, o desinvestimento público leva à abertura de espaço para o negócio da doença e para os privados, comprovada pela abertura de hospitais privados em Viseu, Bragança e Mirandela.

António Filipe afirmou a importância de «dar centralidade a quem trabalha», descrevendo esta reunião como mais uma iniciativa que «incentiva a manter na linha da frente a defesa dos trabalhadores e do SNS».

«Há uma redução de capacidades que se tem verificado» e isso não se pode desligar de um plano mais geral traçado pelos representantes dos interesses privados. Quando se fala em “reorganização” e outros termos similares, aquilo que o Governo procura normalizar é o «encerrar de serviços», a «diminuição da capacidade de resposta» e o empobrecimento geral dos cuidados de saúde.

 



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