Álvaro Cunhal deu contributo fundamental à Revolução de Abril

No dia em que se assinalou o 112.º aniversário do nascimento de Álvaro Cunhal (segunda-feira, 10), realizou-se, em Braga, no Museu dos Biscainhos, a sessão evocativa “Revolução de Abril – Transformações profundas e resistência ao processo contra-revolucionário”, que contou com a participação de Paulo Raimundo.

Álvaro Cunhal é uma figura incontornável na história nacional

Na sessão, que foi bastante participada, o Secretário-Geral começou por qualificar Álvaro Cunhal como personalidade ímpar de Portugal contemporâneo, um combatente pela liberdade, democracia e uma referência absoluta na luta pelos valores da emancipação social e humana no País e no mundo. Álvaro Cunhal, recordou, dedicou toda a sua vida, como dirigente do PCP e lutador antifascista, à causa dos trabalhadores, do seu povo e do seu país. Ofereceu, acrescentou ainda, um contributo inestimável ao Partido, desde logo, em 1965, na definição do programa, da estratégia e da táctica do PCP e da luta dos trabalhadores e do povo pela sua libertação.

As linhas e objectivos que ajudou a traçar para a Revolução Democrática e Nacional, que vieram a revelar-se certeiras em Abril de 1974. A revolução dos cravos que, nas palavras do próprio, constitui-se como «um dos momentos mais altos da vida e da história do povo português e de Portugal», como acto e processo que foi de libertação e democratização da sociedade portuguesa e de profundas transformações políticas, económicas, sociais e culturais.

Abril, momento maior do povo português

Foram muitas e muito profundas as transformações movidas pela Revolução: «num País onde grassava a miséria e a desigualdade, Abril consagrou o salário mínimo nacional, ligado às necessidades dos trabalhadores e do aumento do custo de vida», começou por enunciar Paulo Raimundo.

O mesmo grau de transformação verificou-se nos direitos laborais, concretizando-se o direito ao trabalho, ao repouso e lazer, ao limite máximo da jornada de trabalho, ao descanso semanal, férias periódicas e pagas, segurança no emprego, proibição dos despedimentos sem justa causa, liberdade sindical e o direito à greve. Abriu caminhos nos direitos de maternidade e paternidade, aos direitos das crianças, jovens, das pessoas com deficiência, idosos e emigrantes e imigrantes.

«Abril», enumerou ainda, «foi a construção da Segurança Social e da protecção dos cidadãos na doença, velhice, invalidez, viuvez e orfandade, bem como no desemprego e em todas as outras situações de falta ou diminuição de meios de subsistência ou de capacidade de trabalho».

Abril, em suma, abriu as portas à saúde, habitação, à educação e cultura. Foi a descolonização, a paz e a nacionalização de sectores fundamentais da economia nacional.

Contra-revoluçãotem má memória em Braga

Antes do Secretário-Geral, já Belmiro Magalhães (membro da Comissão Política) tinha dirigido algumas palavras aos muitos participantes. Na sua intervenção explicou que a opção da realização da iniciativa na região de Braga não foi um acaso. Lembrou que o concelho foi terra de profunda resistência à ditadura, com inúmeras lutas populares travadas, como a greve na então Grundig, em Fevereiro de 1972, durante a qual os 1800 operários paralisaram a fábrica e, após três dias, conseguiram um aumento salarial de 75 por cento, e a actividade do grupo dos Democratas de Braga, que juntou destacados intelectuais antifascistas como Victor de Sá, Humberto Soeira ou Lino Lima.

Referiu que no norte do País, as forças contra-revolucionárias mobilizaram esforços com particular força, criaram organizações terroristas, espalharam mentiras, sabotaram a economia e o funcionamento do Estado, tentaram criar o caos. Atacaram sedes das organizações democráticas e revolucionárias, como aconteceu com os centros de trabalho do PCP em Braga.

Exposição e poesia

À entrada do Museu foram expostos cartazes, fotos e notícias de vindas de Álvaro Cunhal ao distrito de Braga, incluindo as primeiras edições da Festa da Alegria.

António Durães, homem da Cultura, leu vários poemas sobre a luta dos comunistas e intervenções de Álvaro Cunhal, entre os quais a A bandeira, de Ary dos Santos, escrito na sequência do ataque ao Centro de Trabalho do PCP em Braga em 1975, e A Lâmpada Marinha, que Pablo Neruda escreveu em 1954 inserido na campanha internacional para a libertação de Álvaro Cunhal.

 



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