Israel viola cessar-fogo na Faixa de Gaza e agrava ocupação da Palestina
No momento em que se cumpre um mês sobre a entrada em vigor do acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, Israel já matou – só neste período – mais de 240 palestinianos e feriu cerca de 620. O total de palestinianos mortos por Israel na Faixa de Gaza, desde Outubro de 2023, ultrapassou os 69 mil, entre os quais mais de 20 mil crianças.
Israel desrespeita quotidianamente os termos dos cessar-fogo acordados na Faixa de Gaza e no Líbano
Na Faixa de Gaza, as autoridades de Saúde aproveitam a diminuição da frequência dos ataques israelitas para recuperar cadáveres que ainda se encontravam sob os escombros: até ao início da semana, tinham sido recuperados 528 corpos, mas muitos mais – milhares – continuam soterrados.
Os trabalhos de escavação são particularmente exigentes, quer devido ao impressionante nível de destruição verificado em grande parte do território, quer às severas limitações impostas por Israel à entrada de maquinaria pesada. Muitas vezes as escavações são feitas à mão, com pá e picareta. As dificuldades de acesso das equipas de saneamento às principais localidades da Faixa de Gaza está a provocar também um crescente problema sanitário, com a grande acumulação de lixo junto a zonas habitacionais.
A identificação de mais cadáveres permitiu às autoridades do território actualizarem os números do genocídio: desde Outubro de 2023, Israel matou na Faixa de Gaza mais de 69 mil palestinianos, mais 20 mil dos quais crianças. Só desde que o acordo de cessar-fogo entrou em vigor, fez na segunda-feira um mês, foram já mais de 240 os palestinianos assassinados. Entre os corpos devolvidos por Israel às forças palestinianas, muitos apresentam sinais de tortura, mutilação e humilhação. O bloqueio israelita à entrada de recursos adequados para realizar autópsias leva a que a identificação dos corpos seja feita, quando possível, pelas próprias famílias.
Israel viola também o cessar-fogo no Líbano, tendo intensificado os ataques contra esse país. Órgãos de informação libaneses relatam ataques aéreos contra bairros residenciais em Toura, no distrito de Tiro, provocando mortos e feridos. Caças israelitas sobrevoaram os subúrbios sul de Beirute, numa clara acção provocatória.
Crimes contra os presos
A antiga provedora das Forças Armadas de Israel, Yifat Tomer-Yerushalm, foi detida na semana passada por ter divulgado um vídeo de soldados israelitas a torturarem um prisioneiro palestiniano. O vídeo, de Julho de 2024, mostra 11 soldados a torturarem um preso palestiniano, incluindo por violação, na prisão de Sbe Teiman, junto à fronteira com a Faixa de Gaza. O preso deu depois entrada no hospital com danos renais, costelas fracturadas e um pulmão perfurado.
Na sua carta de demissão, a jurista reconheceu que autorizara a divulgação do vídeo, acabando por ser detida e permanecido várias horas em local desconhecido, tendo mesmo sido dada como desaparecida. Tomer-Yerushalm ficou em prisão preventiva durante vários dias.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu referiu-se cinicamente ao caso, apontando-o como «o ataque de relações públicas mais grave que o Estado de Israel sofreu desde a sua fundação». Sobre os crimes de tortura que o vídeo comprova, que vão ao encontro de muitas denúncias semelhantes, nem uma palavra. Os soldados envolvidos na tortura, aliás, chegaram a ser considerados “heróis”, inclusivamente por alguns daqueles que integram o governo israelita.
Segundo dados das Nações Unidas, pelo menos 75 presos políticos palestinianos morreram nas prisões de Israel desde Outubro de 2023, a somar aos milhares de outros que faleceram ao longo das décadas. Mais de 10 mil palestinianos estão detidos em prisões israelitas.
O parlamento de Israel aprovou há dias a primeira de três votações necessárias para reintroduzir a pena de morte no país, a ser aplicada unicamente a palestinianos condenados por atentar contra israelitas por “motivações nacionalistas”. A medida, proposta pelo partido de extrema-direita sionista do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, exclui israelitas que assassinem palestinianos.
A proposta, defendida pela extrema-direita desde há anos, foi agora reapresentada, após a libertação de todos os prisioneiros israelitas que se encontravam em poder da resistência palestiniana. Tem o apoio do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e a rejeição dos deputados da lista conjunta em que se integra o Partido Comunista de Israel.
Ocupação e segregação
Entretanto, Israel agrava também a violência contra as populações palestinianas na Cisjordânia. A ONU registou, só durante o mês de Outubro, 264 ataques contra palestinianos naquele território, o número mais alto desde que esta contabilização é feita. Os 1500 ataques deste ano mataram dezenas de pessoas, entre as quais 42 crianças.
No início da semana, o governo de Israel actualizou as áreas de ocupação de 13 colonatos na Cisjordânia, com vista ao seu crescimento. A definição dos “limites” dos colonatos constitui o seu reconhecimento por parte das autoridades israelitas, apesar dos colonatos israelitas serem ilegais à luz do direito internacional.
Alguns dos colonatos israelitas abrangidos pela medida ainda estão a ser construídos ou eram, até agora, estruturas destinadas à construção de futuros colonatos. Só este ano, Israel abriu concurso para construção de 5500 casas em colonatos, um aumento de 48% em relação ao anterior máximo, registado em 2018. Face a esta realidade, as declarações do presidente norte-americano de que Israel «perderá a confiança dos EUA se anexar a Cisjordânia» revelam toda a sua hipocrisia, uma vez que aquele território palestiniano é cada vez mais controlado por colonos e militares israelitas.
Solidariedade prossegue em Portugal
Loulé acolheu, no dia 7, uma iniciativa pública de solidariedade com a Palestina, inserida na campanha lançada pelo CPPC, CGTP-IN, MPPM e Projecto Ruído e que já conta com o apoio de mais de 140 organizações. Com início junto ao Coreto, seguiu-se um desfile até ao Centro Cultural de Loulé, onde intervieram Catarina Marques (CGTP-IN), José Oliveira (MPPM), e Isabel Camarinha (CPPC). A apresentação ficou a cargo de Catarina Teixeira. Luís Galrito e António Hilário juntaram-se com a sua música à solidariedade com a luta do povo palestiniano.
Para ontem, 12 (já após o fecho da nossa edição) estava marcada uma tribuna pública na Senhora da Hora, em Matosinhos. No sábado, 15, e na sexta-feira, 21, realizam-se duas tribunas públicas: na Covilhã e em Vila Nova de Gaia, respectivamente.
A campanha de solidariedade “Todos pela Palestina! Não ao genocídio! Não à ocupação!” culmina a 29 de Novembro, com uma manifestação nacional em Lisboa e no Porto.




