Venezuela prepara-se para resistir a agressão

Enquanto os EUA avaliam possibilidades para atacar a Venezuela, derrubar o seu governo legítimo e apoderar-se dos seus imensos recursos naturais, as forças bolivarianas preparam-se para resistir a uma eventual invasão.

Na Venezuela a defesa nacional é assumida por todo o povo

Os EUA têm concentrados, desde há um mês, impressionantes meios militares no Mar das Caraíbas, visando a República Bolivariana da Venezuela – os maiores desde a agressão ao Iraque, em 2003. A generalidade das agências e órgãos de informação ocidentais assumem a narrativa do imperialismo e repetem a mentira do “combate ao narcotráfico”, como antes fizeram com as “armas de destruição massiva” no Iraque.

Organizações internacionais que monitorizam a produção e comércio internacionais de estupefacientes desmentem as afirmações da administração Trump quanto ao papel da Venezuela no tráfico de droga para os EUA (o maior consumidor de cocaína do mundo). O Relatório Mundial sobre Drogas de 2025, editado anualmente pela agência especializada das Nações Unidas, faz muito poucas referências à Venezuela – aliás, nos últimos 15 anos o país consolidou-se como livre do cultivo de coca e da produção de cocaína, reconhece-se. Ausente do relatório está também o “Cartel dos Sóis”, que os EUA referem como activo na Venezuela e ligado ao presidente Maduro.

A juntar a tudo isto, a entrega do Prémio Nobel da Paz a Maria Corina Machado “oferece” ao mundo uma alternativa de poder no país, disponível – como fez questão de salientar em inúmeras ocasiões – para entregar os recursos naturais venezuelanos às multinacionais norte-americanas.

Cenários e riscos
Diversos órgãos de informação e analistas garantem que a administração norte-americana está a analisar as opções ao seu dispor – e os riscos inerentes a cada uma delas – para concretizar os seus objectivos de derrubar o poder bolivariano. São várias as opções, todas já testadas em diversos contextos: na América Latina, no Médio Oriente, na Ásia, em África.

Um dos cenários levantados aponta para o aumento da pressão militar sobre o país procurando provocar brechas nas Forças Armadas venezuelanas visando um golpe militar. A captura ou assassinato do Presidente da República Nicolás Maduro também estarão a ser ponderados, assim como o bombardeamento de Caracas e de outras cidades, tendo como objectivo o derrube do governo.

Refere-se ainda como possibilidade a criação de um “incidente” fronteiriço que sirva de pretexto a um ataque norte-americano de “represália” (as autoridades venezuelanas garantem ter desmantelado uma rede que operava no interior do país precisamente com o propósito de provocar um ataque de “falsa bandeira” contra Trindade e Tobago ou até mesmo contra as forças norte-americanas aí estacionadas).

Todas estas hipóteses que estarão em cima da mesa representam riscos para o imperialismo, dado que – contrariamente ao que sucedeu no Iraque ou no Panamá, por exemplo – o processo bolivariano assenta na unidade cívico-militar, a defesa nacional é assumida por todo povo e as Forças Armadas estão bem equipadas. Além disso, a proximidade da Venezuela com a Rússia e a China (inclusivamente a nível militar) contribuirá para reduzir a margem de acção dos EUA.

Certo é – e é a própria administração Trump quem o confirma – que o objectivo de agredir a Venezuela existe e os meios estão a ser mobilizados nesse sentido.

Reforçar o movimento popular
Na Venezuela, sucedem-se as acções de mobilização e organização da defesa do país, assente nas organizações de base popular. O desenvolvimento das Comunas foi, aliás, tema em destaque nos recentes V Congresso do Partido Socialista Unido da Venezuela e IV Congresso da sua organização de juventude.

No momento em que se aprofunda a agressão imperialista contra o país, as forças bolivarianas apontam ao reforço do movimento popular, ao desenvolvimento de novos e mais profundos métodos de exercício do poder e à preparação da resistência não armada e armada face aos invasores (caso os EUA optem mesmo por atacar).

 



Mais artigos de: Internacional

Israel viola cessar-fogo na Faixa de Gaza e agrava ocupação da Palestina

No momento em que se cumpre um mês sobre a entrada em vigor do acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, Israel já matou – só neste período – mais de 240 palestinianos e feriu cerca de 620. O total de palestinianos mortos por Israel na Faixa de Gaza, desde Outubro de 2023, ultrapassou os 69 mil, entre os quais mais de 20 mil crianças.

Voz à solidariedade e aos povos da América Latina e das Caraíbas

Num dos momentos mais tensos das últimas décadas na América Latina e Caraíbas, a braços com a intensificação das ameaças do imperialismo norte-americano contra vários países, teve lugar no dia 5, em Lisboa, uma sessão de solidariedade com os povos do subcontinente e a sua luta pela soberania.

Mamdani e o termómetro de Engels

Engels uma vez escreveu que, no sistema capitalista, as eleições são, mais do que qualquer outra coisa, «um termómetro da maturidade da classe trabalhadora». A eleição de Zohran Mamdani para a presidência da cidade de Nova Iorque é extremamente interessante, não por aquilo que o novo autarca...