Fim do bloqueio dos EUA contra Cuba exigido na ONU pela 33.ª vez

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou pelo 33.º ano consecutivo uma resolução exigindo o fim do bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos EUA contra Cuba. 165 países votaram a favor, 7 contra e 12 abstiveram-se.

As pressões dos EUA não impediram uma votação esmagadora contra o bloqueio


Apesar das fortes pressões exercidas pelos EUA sobre vários países para que alterassem posições anteriores contra o bloqueio, este foi uma vez mais repudiado de forma esmagadora, não tendo chegado a 20 o número dos países que se abstiveram ou votaram contra a resolução apresentada por Cuba.

A esmagadora maioria dos países do mundo reafirmou a sua condenação do bloqueio e instou a que ele seja levantado.

Com o voto contra dos Estados Unidos da América, estiveram Israel, Ucrânia, Hungria, Paraguai, Argentina e Macedónia do Norte. A campanha difamatória promovida pelos EUA que procurou associar Cuba ao conflito que se trava na Ucrânia, serviu de pretexto para a abstenção de países como: Polónia, República Checa, Estónia, Lituânia ou Letónia. Na América Latina, Costa Rica e Equador também se abstiveram.

Da tribuna das Nações Unidas, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, denunciou precisamente a «brutal e inédita» mobilização de meios – pressões, intimidação, coerção – para forçar Estados soberanos a mudar o seu voto. Contudo, confiava, «a verdade, o Direito, a razão e a justiça são sempre mais poderosos e contundentes». O resultado da votação deu-lhe razão.

Ilegal e imoral
O diplomata cubano denunciou a «política criminosa do governo dos EUA contra Cuba», que priva o país de recorrer aos sistemas bancários para realizar pagamentos e cobranças, em qualquer parte do mundo. Cuba fica assim condicionada no acesso a fontes de financiamento correntes e para investimentos, nomeadamente para tecnologias para a indústria, produção de alimentos, infra-estruturas, desenvolvimento científico e serviços, incluindo na área da saúde.

Bruno Rodriguez deu o exemplo de uma jovem de 29 anos com miocardiopatia hipertrófica que necessita que lhe seja implantado um desfibrilhador automático, a que Cuba não tem acesso. Como ela, há outros doentes com o mesmo diagnóstico sem solução para a sua patologia. Abdiel, de seis anos, precisa de um enxerto ósseo. O tecido é produzido em Cuba, mas o processo requer um sensor que o país não consegue adquirir devido ao bloqueio. Para o ministro, não se está perante «danos colaterais» ou «casos isolados». São experiências quotidianas, «são seres humanos que sofrem».

O objectivo do bloqueio, denunciou, é provocar descontentamento social que provoque o derrube da «ordem constitucional que os cubanos têm decidido livremente em vários referendos». Bruno Rodriguez acrescentou ainda que «ninguém no seu perfeito juízo e um mínimo de honestidade pode alegar que Cuba representa ou pode vir a representar uma ameaça à segurança nacional dos EUA, uma grande potência». Aliás, sublinhou, não é Cuba mas os EUA que ameaçam a paz, a segurança e a estabilidade da região ao enviarem forças militares para o Mar das Caraíbas, visando o «povo irmão venezuelano».

Repúdio generalizado
Foram vários os representantes dos Estados que, da tribuna da Assembleia Geral da ONU, demonstraram o seu repúdio pelo bloqueio imposto pelos EUA e o seu apoio à soberania de Cuba.

A China valorizou o contributo de Cuba para a salvaguarda da igualdade e da justiça internacionais e para a promoção da cooperação global. A Rússia realçou que a aplicação extraterritorial de regimes de sanções é ilegal, em causa está a ingerência nos assuntos internos de Estados soberanos e uma prática neocolonial.

Também o México denunciou o carácter supranacional do bloqueio, que «afecta não apenas a soberania do povo cubano, mas também os interesses de países terceiros». Qualquer medida unilateral concebida como pressão política para influir em decisões internas de outro Estado, lembrou, viola os princípios da Carta das Nações Unidas. A Nicarágua considerou o bloqueio um «castigo colectivo» sobre uma nação inteira, com «absoluto desprezo pela vida».

Para o representante do Vietname, o voto favorável não é apenas um gesto de solidariedade com Cuba, mas uma demonstração de apego pelo direito internacional e a soberania dos povos. Do Laos foi expressa a convicção de que, sob o ponto de vista político e moral, é injustificável manter as medidas coercivas que agravam a situação de Cuba e dos cubanos: «não há nenhum país que mereça ser privado de estabelecer sem intromissões a sua agenda de desenvolvimento.»

O Zimbabué (também ele sujeito a sanções unilaterais dos EUA) valorizou o facto de Cuba, apesar das dificuldades que atravessa, não deixar de cooperar com outros países através das brigadas médicas que, frisou, «salvam vidas em vários países». No mesmo sentido, Angola destacou os milhares de médicos cubanos que contribuem para salvar vidas e fortalecer os sistemas de saúde pública em África e nos países em desenvolvimento.

 

PCP solidário com Cuba

Numa nota emitida no dia 31, o PCP valorizou a votação favorável da «esmagadora dos países presentes na Assembleia Geral das Nações Unidas», apesar das «inaceitáveis falsidades e pressões exercidas pelos EUA», considerando que se trata de uma «expressiva condenação no quadro da ONU da actuação dos EUA em relação a Cuba».

Para o PCP, as «nefastas consequências do cruel, criminoso e ilegal bloqueio imposto pelos EUA – que foram mais uma vez denunciadas pela firme postura de verdade e iniciativa do Governo cubano –, procuram impedir o desenvolvimento económico e social de Cuba, implicando pesados prejuízos e sacrifícios para o povo cubano». O bloqueio, acrescentou, constitui uma «inaceitável medida coerciva adoptada de modo unilateral e com carácter extraterritorial, que atenta frontalmente contra a soberania e a independência de Cuba e os direitos do povo cubano».

A inclusão de Cuba na «ilegítima e arbitrária lista dos EUA de “Estados patrocinadores do terrorismo” é um instrumento utilizado pela administração norte-americana para agravar o bloqueio, visando impedir transacções financeiras e possibilidades de cooperação no plano internacional», salienta ainda o PCP.

Valorizando a determinação do Partido Comunista de Cuba e do povo cubano que, ao longo de décadas, fazem corajosamente frente à ingerência e à agressão do imperialismo, o PCP exige «o fim do bloqueio imposto pelos EUA, a retirada de Cuba da ilegítima e arbitrária lista dos EUA de “Estados patrocinadores do terrorismo” e de todas acções de ingerência e de desestabilização dos EUA contra Cuba».

O PCP apela à solidariedade com o povo cubano e a sua Revolução socialista, «exigindo o respeito da soberania e independência de Cuba e pelo direito do seu povo a decidir soberanamente o seu caminho, livre de ingerências externas».

 

Números de um crime

  • 10 minutos de bloqueio equivalem ao financiamento necessário para cobrir a procura de próteses auditivas para as crianças e adolescentes que frequentam a educação especial – 143 mil dólares

  • 17 minutos de bloqueio equivalem ao custo de aquisição do medicamento Nusinersen, para o tratamento anual da atrofia espinal infantil – 250 mil dólares

  • 19 minutos de bloqueio davam para adquirir as cadeiras de rodas eléctricas e convencionais para atender às necessidades do sistema de educação especial cubano – 280.500 dólares

  • 14 horas de bloqueio custam o mesmo que a aquisição de insulina para fazer face à procura interna – 12 milhões de dólares

  • dois dias de bloqueio equivalem ao custo anual do serviço de transporte público – 40 milhões de dólares

  • 12 dias de bloqueio equivalem ao financiamento anual requerido (sem contar o combustível e os investimentos) para manter o funcionamento do sistema eléctrico – 250 milhões de dólares

  • 16 dias de bloqueio equivalem ao necessário para cubrir as necessidades do Quadro Básico de Medicamentos do país – 339 milhões de dólares

  • dois meses de bloqueio equivalem ao que se gasta para garantir durante um ano o cabaz básico de produtos à população – 1600 milhões de dólares

  • quatro meses de bloqueio tem um custo que dava para adquirir os autocarros indispensáveis para o bom funcionamento da rede de transporte público – 2850 milhões de dólares.

(dados retirados da resolução proposta por Cuba à Assembleia Geral das Nações Unidas)

 



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