Cruzada dos EUA ameaça Nigéria

Carlos Lopes Pereira

O presidente dos Estados Unidos da América ordenou ao Pentágono que prepare uma possível acção militar contra a Nigéria, acusando as autoridades de Abuja de não impedir o «assassinato» em massa de cristãos. «Se o governo nigeriano continuar a permitir o assassinato de cristãos, os EUA suspenderão de imediato toda a ajuda à Nigéria e poderiam entrar nesse país (…) com todas as armas nas mãos para aniquilar por completo os terroristas islâmicos que cometem estas terríveis atrocidades», escreveu Donald Trump nas redes sociais. Acrescentou que, se houver um ataque, «será rápido, brutal e contundente, tal como os terroristas atacam os nossos amados cristãos». E disse ainda que voltou a incluir a Nigéria na lista de “Países de Especial Preocupação”, designação unilateral que poderia facilitar sanções por alegadas violações da liberdade religiosa.

O presidente nigeriano, Bola Ahmed Tinubu, respondeu que as afirmações de Trump não coincidem com a realidade do país: «A liberdade e a tolerância religiosa têm sido e serão sempre um pilar fundamental da nossa identidade colectiva. A Nigéria opõe-se à perseguição religiosa e não a fomenta.».

País produtor e exportador de petróleo e gás (tal como o Irão ou a Venezuela…), a Nigéria é uma das maiores economias africanas, com uma população de mais de 230 milhões de habitantes, metade dos quais muçulmanos e metade cristãos. Embora os fundamentalistas islamitas do Boko Haram tenham levado a cabo ataques contra comunidades cristãs, grande parte das vítimas dos grupos armados são muçulmanos do norte da Nigéria, região de maioria islâmica. O governo nigeriano tem encarado a actividade terrorista como um desafio de segurança nacional e não como um conflito religioso.

Segundo a plataforma de informação latino-americana TeleSur, um congressista republicano, Scott Perry, acusou há alguns meses a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID) de financiar organizações terroristas como o Boko Haram, o Daesh e a Al-Qaeda. O referido representante pormenorizou que a agência (que está agora a ser desmantelada pela administração norte-americana) «destinou 697 milhões de dólares anuais, além de envios directos de dinheiro, para financiar campos de treino terroristas e grupos extremistas».

Com esta cruzada alegadamente em defesa dos cristãos da Nigéria, os EUA criam, no âmbito da escalada de confrontação promovida pelo imperialismo, mais um foco de tensões e chantagens procurando impor o seu domínio à escala global.

Tensões e chantagens em África que se somam, entre outras, às manobras da NATO e cúmplices para prolongar a guerra na Ucrânia; à agressão genocida de Israel, que não cessou, contra o povo palestiniano; às agressões de Telavive à Síria, ao Líbano e ao Iémen, e às ameaças ao Irão; à continuação do bloqueio a Cuba, condenado pela esmagadora maioria dos países das Nações Unidas; às provocações e ameaças dos EUA no Mar das Caraíbas, contra a Venezuela e outros países latino-americanos.

Neste cenário, os povos de todo o mundo resistem, lutam contra a dominação estrangeira e pela sua soberania, e, forjando uma ampla frente anti-imperialista, vencerão, abrindo um tempo novo de paz e progresso social.

 



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