Casa cheia de reflexões na Festa do Livro

Na passada semana trouxemos nas páginas do Avante! algumas das sessões que decorreram no Auditório da Festa do Livro. Regressamos para dar conta das restantes, que reflectem a riqueza e a diversidade de uma programação que é sempre garantia de casa cheia de reflexões.

As apresentações e debates em torno de livros suscitam interessantes conversas

Logo na sexta-feira, decorreu o lançamento de Somos o Tempo em Marcha, uma antologia de poemas de Daniel Filipe publicada pelas Edições Avante! que conta com ilustrações originais de Manuel San Payo. As palavras ganharam corpo nas leituras intensas de Ana Sofia Paiva, que devolveram ao público a força e a actualidade de um autor que merece ser revisitado.

Seguiu-se Três Frentes na Curva do Tempo, de Nuno Gomes dos Santos. A conversa, que contou com a participação de António Matos, Carlos Carvalhas e o próprio autor, abordou os dias luminosos de Abril e os caminhos trilhados para lá chegar, por muitas gerações de combatentes.

Já no sábado, a obra e o pensamento revolucionário de Lénine estiveram em foco, com Albano Nunes a revisitar alguns dos principais ensinamentos do grande dirigente bolchevique e a sua relevância para as lutas contemporâneas.

Em Pensar É Manter-se em Relação – Exercícios de Leitura sobre Autores Marxistas Portugueses, o autor Pedro Santos Maia e Carina Infante do Carmo destacaram a riqueza de um património de pensamento de muitos autores que continuam hoje a abrir horizontes.

A manhã de domingo abriu com Agostinho Lopes e Paulo Lima a apresentarem o livro de José Soeiro Terror, Destruição e Morte no Alentejo – A Contra-Reforma Agrária, um livro que, sendo sobre a destruição da Reforma Agrária, é também uma denúncia dos processos de revisionismo histórico relativos a Abril e às sua conquistas. Combater o revisionismo histórico é, aliás, um dos principais objectivos da URAP, que, numa sessão com Eduardo Brissos, Eulália Miranda e José Pedro Soares, deram notas das muitas edições que vêm publicando denunciando os crimes do fascismo.

Patrícia Portela, João Luís Silva e Zeferino Coelho falaram sobre o mais recente livro da autora, Manual para Andar Espantada por Existir, uma obra que, partindo das Aventuras de João Sem Medo, de José Gomes Ferreira, nos fala sobre a coragem e o medo.

No fundo, do que também nos fala António Avelãs Nunes em O Capitalismo do Crime Sistémico. Como lembrou Filipe Guerra ao citar o autor, «Apetece fugir mas não é tolerável que o façamos».

 



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