Angola homenageia combatente cubano

Carlos Lopes Pereira

Angola continua a homenagear, no quadro dos 50 anos da sua independência, proclamada a 11 de Novembro de 1975, em Luanda, personalidades nacionais e estrangeiras que se distinguiram nessa luta emancipadora.

Está marcada para os próximos dias 29 e 30 nova entrega de medalhas comemorativas. Será a sexta cerimónia deste tipo e, segundo a presidência da República angolana, serão outorgadas medalhas a 759 pessoas ou seus familiares. Até hoje, foram homenageadas quase 1600 figuras, entre as quais lutadores pela liberdade, líderes políticos, músicos, escritores, artistas, desportistas, dirigentes religiosos e membros da sociedade civil.

Entre os homenageados, neste caso a título póstumo, conta-se o primeiro chefe da missão militar de Cuba em Angola, comandante Raúl Díaz-Arguelles (1937-75). Será o terceiro internacionalista cubano a receber a condecoração, antes já outorgada aos generais Leopoldo Cintra Frías e Rafael Moracén Limonta.

Díaz-Arguelles esteve ligado aos momentos iniciais da cooperação militar cubana em Angola, iniciada a pedido do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e do governo presididos por Agostinho Neto, e participou em algumas das principais batalhas que contribuíram para assegurar a independência nacional.

Há cerca de um ano, ao inaugurar o hospital de Cuanza Sul baptizado com o nome do comandante cubano morto em terras angolanas, o presidente João Lourenço destacou que essa unidade de saúde leva o nome de um grande combatente pela liberdade, cujo contributo foi muito relevante. Referiu-se ao papel de Díaz-Arguelles na Batalha de Kifangondo, cuja vitória permitiu proclamar a independência, e na Batalha de Ebo, apenas um mês depois do nascimento da República Popular de Angola e que impediu as tropas da África do Sul racista de avançar até Luanda e reverter a conquista da liberdade. Explicou que depois houve outras batalhas (como a de Cuito Cuanavale, em 1987/88, que marcou a derrota militar das tropas do apartheid), mas que essas duas, as de Kifangondo e Ebo, foram fundamentais pelo momento em que ocorreram e por terem garantido a continuação da luta vitoriosa do povo angolano pela independência.

Mais recentemente, numa conferência internacional realizada em Luanda, diversos participantes destacaram o papel de Cuba na libertação da África Austral e na queda e desmantelamento do apartheid. Mário Oliveira, ministro da Comunicação Social, referiu que a vitória angolana-cubana em Cuito Cuanavale marcou o ponto de viragem definitivo para o estabelecimento dos acordos que propiciaram a libertação da Namíbia e a aceleração do fim do apartheid. O general França «Ndalu» enalteceu o protagonismo das forças armadas de Angola em acções combativas, com o apoio de Cuba e da então União Soviética. O ex-presidente moçambicano Joaquim Chissano sublinhou o papel dos países da Linha da Frente, com a ajuda de países como Cuba e Argélia, no derrubamento do regime colonial e racista que prevalecia na África do Sul.

Num momento em que o povo cubano continua a enfrentar o feroz bloqueio imposto pelos EUA, é crucial o reforço da solidariedade internacionalista para com a ilha e o reconhecimento do inestimável contributo de Cuba para a libertação da África Austral e para outras lutas contra o imperialismo.

 



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