Aprovadas medidas do PCP para a Carris após acidente trágico no Elevador da Glória

A Câmara Municipal de Lisboa (CML) aprovou, segunda-feira, por unanimidade, a proposta integral do PCP que defende a avaliação das«condições necessárias à recuperação e internalização» dos serviços de manutenção da Carris, após o trágico acidente no Elevador da Glória.

Um dos mais trágicos acidentes na cidade de Lisboa

LUSA

À saída da reunião, em declarações à imprensa, o vereador comunista João Ferreira, que a CDU candidata a presidente da CML, destacou a aprovação unânime da proposta «Acidente no Elevador da Glória: o que fazer no tempo presente?», advertindo que «as coisas não podem ficar no papel como tantas vezes acontece». Defendeu ainda medidas rápidas para «devolver à cidade a segurança e a tranquilidade na utilização destes equipamentos».

Para além da necessidade de elaborar um diagnóstico sobre os recursos e competências internas da Carris, avaliar os efeitos da externalização da manutenção e estudar a recuperação e internalização dos serviços, na proposta do PCP avança-se com a necessidade de reforçar as condições e exequibilidade de realização das operações de inspecção e manutenção; avaliar quais os componentes críticos para a segurança de operação; proceder a uma definição precisa das redundâncias de segurança realmente existentes; constituir uma Comissão de Avaliação.

Entre outras medidas, pretende-se garantir as condições de reactivação, tão breve quanto possível, dos serviços de transporte de toda a rede de ascensores e elevadores de Lisboa na gestão da Carris, estabelecendo, entretanto, alternativas de transporte durante o período de encerramento dos serviços, assim como desencadear os procedimentos com vista ao lançamento do Concurso para a elaboração do Estudo de Capacidade de Carga Turística (aprovado pela CML em 2019 e novamente em 2023, por proposta do PCP e inserido no plano de acção da Carta Municipal da Habitação).

No dia do «trágico acidente» ocorrido a 3 de Setembro, os comunistas solicitaram ao presidente do município, Carlos Moedas, a realização da reunião extraordinária, que aconteceu no início desta semana, e manifestaram a sua solidariedade e condolências às vítimas e famílias, saudando ainda o empenho de todos os trabalhadores dos vários serviços da CML e de todas as entidades envolvidas nos trabalhos de salvamento, resgate e segurança «que um acidente desta dimensão e gravidade exige».

Alerta
A Coordenadora das Comissões de Trabalhadores da Região de Lisboa (CIL) manifestou igualmente solidariedade às famílias das vítimas e dirigiu uma nota de pesar à Comissão de Trabalhadores da Carris. Sublinhando que «neste momento de dor colectiva se impõe uma reflexão exigente sobre as causas e circunstâncias» do acidente, a CIL considera «imprescindível um apuramento rigoroso e transparente de todas as responsabilidades», abrangendo os aspectos técnicos da manutenção, inspecção e operação do equipamento, mas também as decisões políticas e de gestão da Carris e da CML.

A estrutura lembra, a este respeito, a desafectação de quatro milhões de euros da rubrica da mobilidade na 24.ª alteração ao Orçamento de 2024, verba retirada à Carris e atribuída à Web Summit, sublinhando que «as responsabilidades políticas devem igualmente ser consideradas».

A CIL apela a que sejam escrutinadas as condições de segurança implementadas, a fiscalização realizada e a transparência da comunicação pública após o acidente, exigindo que «esta tragédia sirva de alerta para a correcção urgente das falhas identificadas». Defende ainda que os serviços de manutenção da Carris sejam assegurados pelos seus trabalhadores e não através de outsourcing, «que apenas visa o lucro», lembrando a situação no Metro de Lisboa, onde «há escadas rolantes inoperacionais há anos».

 



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