BRICS enfrentam chantagem dos EUA
A cooperação entre os países que integram o BRICS representa uma alternativa para fazer face aos efeitos das políticas comerciais e monetárias impostas pelo imperialismo, afirmou-se na cimeira virtual que os países integrantes deste processo realizaram no dia 8, por iniciativa do Brasil, que exerce a sua presidência rotativa.
Países BRICS representam hoje cerca de metade da população mundial
O presidente Lula da Silva advertiu, durante a cimeira, que as medidas unilaterais debilitaram os pilares do sistema multilateral criado em 1945. Sem mencionar directamente os EUA, denunciou que os países que integram o BRICS são vítimas de práticas comerciais injustificadas e ilegais.
A estratégia de dividir para conquistar, disse, está a marcar a agenda internacional em detrimento da cooperação global. Considerou que o comércio e a integração financeira do grupo oferecem uma opção segura perante o auge das guerras comerciais. «Temos legitimidade para refundar o sistema multilateral sobre bases modernas e flexíveis», avaliou.
Lula afiançou que a 14.ª Conferência Ministerial da OMC, nos Camarões, será crucial para reposicionar o BRICS e propôs que os países membros deste processo de cooperação participem unidos nessa reunião e com propostas de desenvolvimento inclusivo.
Recorde-se que o BRIC foi criado em 2006, pelo Brasil, a Rússia, a Índia e a China. A África do Sul juntou-se aos fundadores, em 2011, passando este processo a designar-se por BRICS. O Egipto, o Irão, os Emiratos Árabes Unidos e a Etiópia constituiram-se em membros de pleno direito em 2024. Um ano depois, em Janeiro deste ano, a Indonésia juntou-se ao BRICS. Onze países participam com estatuto de “parceiro”:Bielorrússia, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietname.
China quer fortalecer multilateralismo
O presidente chinês, Xi Jinping, participou também na cimeira virtual dos líderes do BRICS e instou a fortalecer o multilateralismo e a promover uma cooperação mais estreita entre os países do «Sul Global».
Na sua intervenção, assinalou que o mundo atravessa uma transformação sem precedentes desde há um século, marcada pelo auge do hegemonismo, do unilateralismo e do proteccionismo. «Alguns países iniciaram guerras comerciais e tarifárias, o que afecta a economia global e prejudica as regras do comércio internacional», afirmou.
O presidente chinês propôs três linhas de acção para aprofundar a cooperação no quadro do mecanismo BRICS. Designadamente, a defesa do multilateralismo e de uma governação global mais justa, mediante o fortalecimento do papel das Nações Unidas e o respeito pelo direito internacional; a necessidade de impulsionar uma globalização económica mais inclusiva e equitativa, centrada no desenvolvimento e na participação justa dos países do Sul; e a consolidação da unidade e da cooperação prática entre os países BRICS. Destacou que, no seu conjunto, estes países representam cerca de 50% da população mundial, 30% do PIB global e 20% do comércio internacional. «Quanto mais estreita for a nossa cooperação, mais capacidade teremos para enfrentar os desafios externos», assegurou.
Xi Jinping reiterou o compromisso da China com a implementação da Iniciativa para o Desenvolvimento Global e a promoção de uma cooperação de alta qualidade no quadro do empreendimento Uma Faixa e uma Rota.
Para lá da exportação de matérias-primas
O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, instou os países BRICS a fortalecer o multilateralismo e a reconfigurar o comércio global para favorecer as economias em desenvolvimento.
Na sua intervenção, destacou que o mundo atravessa mudanças geopolíticas e comerciais profundas, que apresentam tanto desafios como oportunidades para a economia mundial. Assinalou que as medidas comerciais unilaterais geram um ambiente que afecta especialmente os países do «Sul Global», prejudicando o emprego e obstaculizando o crescimento económico, por exemplo na África do Sul.
No actual contexto global, que exige uma transição para o multilateralismo, o presidente sul-africano apoiou iniciativas significativas do BRICS para fortalecer as economias dos seus países membros e do Sul Global, que robustecem os sistemas multilaterais.
Enfatizou, além disso, o potencial estratégico de África na economia global, descrevendo-a como um motor importante capaz de agregar valor, conectar regiões e fomentar prosperidade compartilhada para lá da mera exportação de matérias-primas.




