Israel quer expulsar de Gaza a população palestiniana
Após dias de bombardeamentos contra a população palestiniana na cidade de Gaza, Israel quer impor a sua total expulsão, procurando deslocar à força cerca de um milhão de palestinianos para o sul da Faixa de Gaza. Ao mesmo tempo, agrava-se a situação humanitária em toda o território e anunciam-se novas mortes provocadas pela fome, em virtude do bloqueio imposto por Israel.
Exército ocupante tenta deslocar à força para o sul da Faixa de Gaza cerca de um milhão de pessoas
Depois de várias semanas de intensos bombardeamentos, Israel ordenou a expulsão da população palestiniana da cidade de Gaza, onde vive cerca de um milhão de pessoas. As forças ocupantes pretendem forçar a transferência da população palestiniana para o sul, passo do seu plano de colonização de Gaza, cidade situada no norte do território.
Entretanto, foram divulgadas imagens de longas colunas de palestinianos que procuram refugio perante os ataques israelitas.
Neste contexto, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, gabou-se da demolição de meia centena de torres residenciais em Gaza, realizada nos últimos dias pelo exército israelita, anunciando de que se trata apenas do começo do ataque a Gaza.
Os intensos bombardeamentos das forças sionistas contra a cidade de Gaza, causaram numerosos mortos e desaparecidos.
Tropas israelitas acusadas de mais crimes de guerra
Autoridades palestinianas condenaram a destruição das torres residenciais na cidade de Gaza como parte da estratégia do exército ocupante para obrigar os seus habitantes a deslocar-se para o sul do território.
Só no domingo, 7, foram destruídos 50 edifícios e outros 100 sofreram grandes danos, pela acção do exército israelita. Esta destruição é apontada como um dos maiores ataques desde o reinício da agressão israelita, a 18 de Março passado, quando Israel pôs fim ao cessar-fogo acordado com a resistência palestiniana. Israel usa deliberadamente a destruição sistemática de edifícios como parte da política de expulsão forçada da população.
Autoridades palestinianas acusam Israel de cometer crimes de guerra, afirmando que nestes edifícios residenciais não havia nenhum objectivo militar, desmentindo os pretextos alegados pelo exército ocupante.
OMS exige acesso a feridos
A Organização Mundial de Saúde (OMS) exigiu o fim dos ataques na Faixa de Gaza e o acesso do pessoal médico aos doentes e feridos no território, destacando que o número de vítimas continua a aumentar em resultado da agressão militar israelita.
A OMS, através do seu director-geral, tem condenado a agressão de Israel contra os palestinianos e exigido o seu fim. Há poucas semanas, criticou o plano para reocupar a Faixa de Gaza, que considerou «profundamente preocupante dada a crise humanitária que atinge os seus habitantes». Uma escalada bélica adicional poderia pôr em risco mais crianças devido à subnutrição e à falta de acesso a cuidados médicos, afirmou.
Em meados de Agosto, o responsável da Rede de ONG palestinianas em Gaza alertou que cerca de 15 mil doentes e feridos, incluindo crianças, necessitam de ser evacuados de imediato para receber cuidados médicos fora do território. Advertiu que a situação é «extremamente perigosa» e exigiu que Israel reabra com urgência as passagens fronteiriças e permita a entrada de ajuda humanitária.
Há registo, até agora, de quase 65 mil mortos, de cerca de 170 mil feridos e de 11 mil desaparecidos – quase um quarto de milhão de vítimas da guerra genocida levada a cabo por Israel contra os palestinianos na Faixa de Gaza.
Israel bombardeia Catar
Israel bombardeou o Catar na terça-feira, 9, ao que tudo indica visando a delegação do Hamas responsável pelas negociações de paz. À hora do fecho desta edição, não era ainda certo se havia vítimas e quem eram: Israel garante ter assassinado o principal negociador do Hamas, e o grupo palestiniano reconhece que a delegação estava em Doha, mas que não foi atingida.
As autoridades cataris consideram os ataques israelitas uma «violação flagrante das leis internacionais» e um «acto cobarte». E anunciaram a suspensão temporária do Catar do papel que tem desempenhado, de mediador das negociações de paz entre o Hamas e Israel. Tenha ou não sido bem sucedido naquele que seria o seu objectivo, a eliminação do negociador palestiniano, Israel alcançou outro, porventura ainda mais importante: travar qualquer perspectiva de negociação e, assim, prosseguir com o genocídio e a ocupação.
As autoridades israelitas garantem que os EUA foram avisados previamente do ataque.
Ninguém está a salvo, diz a ONU
Sobreviver na Faixa de Gaza é uma luta diária em resultado dos ataques e do bloqueio da ajuda humanitária imposto por Israel, denunciou o Organismo de Obras Públicas e Socorro das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Médio Oriente (UNRWA).
«Nenhum lugar é seguro, ninguém está a salvo. O custo humano desta violência e desta deslocação forçada e incessante é imenso», afirmou aUNRWA.
A agência da ONU criticou Israel pela expulsão de centenas de milhares de palestinianos que vivem na Faixa de Gaza. «São arrancados das suas casas pelos ataques constantes e confinados em áreas pequenas e inseguras», precisou.
A UNRWA alertou para a sistemática destruição de «edifícios, escolas, refúgios e hospitais» e expressou a sua preocupação pela falta de «acesso a alimentos, água potável e outros produtos essenciais». Aumentam os casos de pessoas, incluindo crianças, que estão a morrer à fome em todo o território, que se encontra cercado e bloqueado.
Uma porta-voz do organismo da ONU condenou também as ordens de deslocação forçada emitidas pelo exército israelita na Faixa de Gaza. «Para os mais de dois milhões de habitantes do território, hoje, a vida limita-se a tentar manter-se com vida», afirmou.
Médicos e enfermeiros recusam-se a sair
Apesar das ameaças israelitas, os médicos e outro pessoal da saúde decidiram permanecer nos hospitais da cidade de Gaza no cumprimento do seu dever com os feridos e doentes.
O director-geral do Ministério da Saúde da Faixa de Gaza alertou para os perigos da deslocação forçada imposta pelo exército ocupante aos habitantes da cidade, explicando que mais de 200 pacientes dependem de respiradores em cuidados intensivos, pelo que não podem ser transferidos em nenhuma circunstância. «Se a ocupação quer matar-nos a nós e aos nossos doentes, que o faça, mas não abandonaremos os nossos hospitais nem abandonaremos os nossos pacientes à sua sorte», vincou.
O responsável palestiniano enfatizou que, nas actuais condições, os centros de saúde não são lugares seguros devido aos ataques das forças israelitas. Condenou a expulsão dos habitantes, considerando que isso constitui um crime de guerra. Perante a situação, pediu a protecção internacional dos hospitais e do pessoal médico, em conformidade com as Convenções de Genebra sobre a matéria.




