Paulo Raimundo denuncia a política de direita.

Privatizar, concessionar e liberalizar

Na apresentação do recente dossier sobre as privatizações editado pelas Edições Avante!, o Secretário-Geral do PCP falou sobre os ataques perpetrados pela política de direita contra a capacidade do Estado de intervir, produzir e ajudar a definir o futuro do País.

Mais forte e comprometida resistência aos «crimes económicos em curso»

A política hoje em curso «está muito para lá dos partidos que compõem o Governo», uma política apostada na «degradação e privatização de áreas como a saúde, a educação ou a segurança social» e na «abertura de novas parcerias público-privadas». Assim descreveu Paulo Raimundo as opções que têm, sucessivamente, relegado os interesses de quem vive no nosso País para o banco de trás, deixando o lugar de condutor para os interesses monopolistas que, associados e apoiados pelo imperialismo, têm trilhado o seu caminho para voltar a pousar as garras sobre a totalidade dos recursos nacionais.

Se a Revolução de Abril e as nacionalizações, enquanto processos profundamente democráticos e participados, «permitiram que a electricidade e as telecomunicações chegassem a todo o País», que se «consolidasse uma resposta rodoviária a todo o território nacional» ou que, entre muitos outros exemplos, «se desenvolvessem iniciativas, ainda hoje pioneiras no plano mundial, como a rede multibanco ou a Via Verde», o caminho das privatizações, concessões e liberalizações apenas serviu para encher algumas dúzias de bolsos bem fundos.

Exige-se uma cada vez mais forte e comprometida resistência aos «crimes económicos em curso». Todo o povo e os trabalhadores estão convocados para esta exigente batalha de romper com o caminho da política de direita, abrindo novos horizontes de possibilidade para o País que queremos soberano, democrático e capacitado para dar resposta aos problemas de todos nós.

Proteger a floresta

Com a Revolução de Abril, deu-se um muito significativo impulso ao desenvolvimento de todo o território, com mudanças estruturais que permitiram «grandes avanços nas condições de vida» e «fixação das populações», condição indispensável para o sucesso do Poder Local Democrático.

A política de direita «afastou o investimento do Interior e concentrou-o no Litoral». Foram-se encerrando caixas multibanco, escolas, postos de saúde, deixou de passar o autocarro e desapareceu o café e o táxi. «O país fica inclinado, mais frágil e desprotegido» para se defender de tragédias, como a dos incêndios que, ano após ano, afectam com particular incidência as zonas mais despovoadas.

No que toca à indústria da celulose, que enquanto esteve nacionalizada sempre se destacou pelos excelentes resultados, com a sua privatização ofereceu-se mais um sector aos grandes grupos, numa acção integrada na prática mais geral de sucessivos governos de «corte nas estruturas do Estado» e «boicote à acção de empresas públicas».

São as grandes empresas que ditam o preço da madeira, impõem a monocultura, se apropriam dos recursos florestais e expulsam os pequenos produtores dos seus terrenos, tornando-se impossível de desligar os incêndios de opções políticas de fundo ao serviço dos interesses de quem tudo possuiu e contra aqueles que tudo produzem.

Papel transformador do Estado

Despido de cada vez mais instrumentos e ferramentas para intervir nos desígnios de futuro do País, o Estado fica cada vez mais sujeito à vontade dos grandes interesses económicos, subvertendo assim a orientação constitucional que aponta à submissão do poder económico ao poder político.

Neste longo caminho, composto por sucessivos crimes económicos, que é a venda ao desbarato dos sectores estratégicos da economia nacional, Paulo Raimundo deu alguns apontamentos sobre um conjunto destes processos, começando pela TAP.

«Há 30 anos que ouvimos dizer que a TAP acaba se não for privatizada», assim afirmou o Secretário-Geral. E assim se vão sedimentando falsas verdades, completamente desligadas da realidade que os factos impõem, que servem para continuar a fazer a razia dos serviços públicos e da indústria portuguesa.

Na sua intervenção, abordou ainda as privatizações nos transportes e na banca, os perigos que o «negócio da doença» representa, assim como o assalto aos recursos da Segurança Social, lembrando que «o dinheiro da Segurança Social é dinheiro do trabalho, é dinheiro dos trabalhadores, não é do capital nem é do governo».

 



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