Resistência e solidariedade contra as bombas e a fome
As forças israelitas intensificaram os ataques na Faixa de Gaza, em especial contra a cidade de Gaza. Entretanto, foi divulgada uma proposta de cessar-fogo – baseada no anteriormente acordado e desrespeitado por Israel – apresentada pelo Egipto e o Catar, e que foi aceite nos seus princípios gerais pela resistência palestiniana, embora subsistam reservas sobre alguns dos seus aspectos.
A desnutrição aguda afecta mais de 10% da população palestiniana na Faixa de Gaza
A proposta de cessar-fogo foi apresentada enquanto prosseguem e se intensificam os ataques israelitas na Faixa de Gaza, com a deslocação forçado da população palestiniana, e se agrava a crise humanitária. De acordo com informações vindas a público, as organizações de resistência palestinianas deram o acordo geral, mantendo porém reservas relativamente a alguns dos seus aspectos. Aguarda-se a resposta de Israel, que noutras ocasiões sabotou propostas semelhantes.
Segundo fontes palestinianas e alguma imprensa israelita, esta proposta de acordo contemplaria a retirada das forças ocupantes israelitas para uma linha a mil metros no norte e no leste da Faixa de Gaza, com algumas excepções em Shujaiya e Beit Lahia. Em matéria de presos, seria prevista uma troca de 10 israelitas detidos por 140 presos palestinianos condenados a prisão perpétua e 60 com penas superiores a 15 anos; contemplar-se-ia a libertação de todos os menores e mulheres palestinianos detidos e um intercâmbio de falecidos – por cada israelita falecido seriam entregues 10 palestinianos.
A resistência palestiniana exige que, no cumprimento do direito internacional, a ajuda humanitária entre na Faixa de Gaza imediatamente após a entrada em vigor do acordo e que inclua combustível, água, electricidade, materiais e equipamentos para a reabilitação de hospitais e padarias, além de máquinas para remover os escombros. As Nações Unidas, o Crescente Vermelho e outras organizações internacionais teriam a seu cargo receber e distribuir a ajuda. Além disso, a passagem fronteiriça de Rafah seria aberta em ambos os sentidos, conforme previsto em acordos anteriores.
A proposta de acordo incluiria o fim de operações militares durante 60 dias, como primeiro passo para a procura de um acordo integral que ponha fim à guerra genocida de Israel contra o povo palestiniano.
Centenas de milhares
de israelitas contra a guerra
Centenas de milhares de israelitas levaram a cabo, no domingo, 17, acções de protesto contra a decisão do governo israelita de extrema-direita de continuar a guerra genocida na Faixa de Gaza com uma campanha militar para ocupar a cidade de Gaza, em vez de alcançar um acordo para o retorno dos israelitas detidos e o fim do conflito.
Foi convocada uma greve geral nacional, realizaram-se marchas de trabalhadores de diversos sectores e cortes de importantes rodovias por todo o país, a exigir medidas para pôr fim à guerra contra os palestinianos e alcançar a libertação dos detidos israelitas.
O Partido Comunista de Israel denunciou a repressão por parte da polícia contra os manifestantes, que efectuou múltiplas detenções.
Muitos activistas manifestaram-se defronte das residências de deputados e membros do governo israelita de extrema-direita exigindo o fim da guerra.
O fórum dos familiares dos prisioneiros israelitas, que convocou a manifestação nacional, estimou que quase um milhão de pessoas desfilaram ao longo do dia em Telavive, e que outras centenas de milhares participaram em cerca de 300 iniciativas pelo país.
Em diversas cidades, realizaram-se marchas de solidariedade com os palestinianos na Faixa de Gaza.
Faixa de Gaza conta mais de 217 mil vítimas
A Faixa de Gaza enfrenta uma catastrófica realidade, face à aliança genocida entre Israel e os EUA. Enquanto avança a aprovação de um plano do governo israelita visando a ocupação total da Faixa de Gaza, os ataques indiscriminados e os bombardeamentos pelas forças israelitas prosseguem e intensificam-se, aumentando o número de vítimas palestinianas – desde Outubro de 2023 e até ao dia 16 deste mês, há registo de 61.827 palestinianos assassinados e de pelo menos 155.275 feridos, mais de 217 mil vítimas, das quais muitas dezenas de milhares são crianças.
Entretanto, segundo responsáveis pelo sector da saúde na Faixa de Gaza, a fome provocada por mais de cinco meses de bloqueio criminoso e controlo da distribuição da ajuda humanitária já causou pelo menos 251 mortes por inanição e desnutrição, entre os quais 118 menores de idade.
Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para a grave crise alimentar, indicando que a desnutrição aguda afecta mais de 10% da população da Faixa de Gaza e mais de 20% das mulheres grávidas e lactantes.
Desarmamento da resistência libanesa é cedência a Israel e aos EUA
Forças patrióticas e progressistas do Líbano rejeitam a intenção do governo libanês de proceder ao desarmamento da resistência, anunciada pelo primeiro-ministro Nawaf Salam, que encarregou o exército de elaborar antes do final do ano um plano que concretize este objectivo. O Partido Comunista Libanês (PCL), à semelhança de outras forças, denuncia a existência de pressões norte-americanas por detrás desta decisão, que revela uma submissão aos planos de Israel.
Em comunicado, o PCL lembra que o direito internacional consagra o direito à resistência sob ocupação e considera que o plano do governo libanês surge à margem de um projecto nacional visando o combate à agressão israelita, a retirada das forças ocupantes, a libertação dos prisioneiros libaneses e a reconstrução das áreas afectadas pelos recentes bombardeamentos israelitas.
Para os comunistas libaneses, qualquer intenção de concentrar no exército a posse de armas deveria ser acompanhada pela assunção por parte do Estado libanês de uma efectiva resistência «por todos os meios políticos, económicos, sociais e militares», contra a agressão e ocupação israelitas – o que não pode suceder, considera o PCL, devido à estrutura sectária do Estado e à sua dependência do imperialismo.
Reafirmando a sua defesa de construção de um Estado laico e democrático, o PCL salienta que o povo libanês não tem outra escolha senão a da resistência nacional e popular «por todos os meios apropriados». Esta resistência, acrescenta, deverá «unir a esmagadora maioria do povo libanês», transcendendo regiões ou confissões religiosas.
O Hezbolá acusa o governo libanês de, com esta medida, debilitar a posição do Líbano perante a agressão concertada de Israel e dos EUA. E defende que a resistência libanesa é «parte da força do país».
A retirada do governo libanês, no início do mês, dos ministros do Hezbolá e do movimento Amal é interpretada como uma mostra da rejeição por importantes sectores sociais e políticos libaneses do que consideram ser uma imposição dos EUA e de Israel.




