Eleições na Bolívia
As eleições gerais na Bolívia tiveram lugar no dia 17. Os bolivianos foram chamados a eleger o Presidente e o Vice-Presidente da Bolívia, 130 membros da Câmara dos Deputados e 36 membros da Câmara dos Senadores, para o período de 2025 a 2030. Estavam inscritos para estas eleições mais de 7,9 milhões de eleitores.
Relativamente às eleições presidenciais, e de acordo com os dados do Sistema de Transmissão de Resultados Preliminares (SIREPRE) do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão, de direita, e Jorge Tuto Quiroga, da Aliança Livre, também de direita, foram os dois candidatos mais votados, voltando a defrontar-se na segunda volta, a 19 de Outubro.
A Assembleia Legislativa Plurinacional ficou desde já formada e, pela primeira vez em 20 anos, as forças políticas de direita alcançaram a maioria dos lugares. É apontado que as quatro principais forças de direita bolivianas terão somado cerca de 85% dos lugares no parlamento, o que lhes poderá permitir, depois da tomada de posse, em Novembro, convocar eventualmente uma Assembleia Constituinte.
Resultados preliminares
Filho do ex-presidente Jaime Paz, Rodrigo Paz, que apresentou Edman Lara como candidato a vice-presidente, obteve, segundo os resultados oficiais, ainda preliminares, 32,16 por cento dos votos, correspondentes a um milhão e meio de votos.
O ex-presidente Jorge Tuto Quiroga, que escolheu o empresário Juan Pablo Velazco como candidato a vice-presidente, alcançou 26,88 por cento, cerca de um milhão e 300 mil votos.
A dupla Samuel Doria Medina e José Luis Lupo, a quem a maioria das sondagens, publicadas durante meses, apontavam como favorita, conquistou 20 por cento, cerca de 967 mil votos. Após este resultado, o ex-ministro da Planificação já anunciou que apoiará na segunda volta Rodrigo Paz.
Na quarta posição ficou o representante da Aliança Popular, Andrónico Rodríguez (8,1% e mais de 391 mil votos), resultado para o qual terá contribuído o apelo ao voto nulo e em branco por parte do ex-presidente Evo Morales, impedido pelos tribunais de concorrer. De salientar que se registaram cerca de 20 por cento de votos nulos e brancos.
O alcaide de Cochabamba, Mandred Reyes Villa, alcançou 6,6 por cento do total, cerca de 321 mil votos.
O Movimento ao Socialismo – Instrumento Político pela Soberania dos Povos (MAS-IPSP), até agora no poder, alcançou os 3% necessários para manter a personalidade jurídica. Eduardo del Castillo e Milán Berna, conseguiram um apoio de 152.218 votos, cerca de 3,1%.
Balanço e perspectivas
Entre os factores que estão na origem da inflexão na situação político-eleitoral no Estado Plurinacional da Bolívia encontram-se as significativas divisões verificadas no seio do MAS. É apontada a existência de um grande número de eleitores que não se reviu em nenhuma força política à esquerda, o que se expressou não só no elevado número de votos nulos e brancos, como na elevada abstenção (recorde-se que na Bolívia o voto é obrigatório).
A soma das diferentes componentes anteriormente reunidas no MAS ultrapassaria o número de votos alcançado pelo candidato de direita que ficou à frente na primeira volta das eleições presidenciais.
Sublinhe-se que tanto Rodrigo Paz como Jorge Tuto Quiroga afirmaram querer desmantelar 20 anos de políticas progressistas do MAS. Mas as forças de direita da Bolívia têm também contradições entre si. Por outro lado, as dinâmicas populares que outrora levaram à criação do MAS, embora divididas e enfraquecidas, não desapareceram da sociedade boliviana.




