Paulo Raimundo no Algarve exige mais meios para quem protege a floresta

No dia 15, feriado, o Secretário-Geral do PCP visitou a Feira Medieval de Silves e participou num jantar regional da CDU, em Albufeira. De todos os temas de actualidade política, abordados por Paulo Raimundo, destacou-se a devastação provocada pelos incêndios florestais deste Verão, que nessa sexta-feira fizeram a primeira vítima mortal. «Com outra política, com outro esforço, com outros meios, com mais força àqueles que protegem a nossa floresta, os fogos não acabarão, mas a dimensão da devastação não será a mesma», defendeu o dirigente comunista.

Há que mudar a opção política de desvalorização da floresta e do Interior

Tanto na intervenção, no final do jantar, como nas declarações prestadas antes aos jornalistas, após a visita ao emblemático evento de Silves, Paulo Raimundo começou precisamente por expressar solidariedade às populações e às vítimas e suas famílias, agradecendo aos bombeiros e a todos os agentes da Protecção Civil «o seu esforço e a sua entrega, pela defesa do património de todos».

Colocou particular ênfase no facto de este ser um problema que se repete, a cada ano. Questionado, admitiu que a ajuda internacional para o combate aos incêndios poderia ter sido accionada mais cedo, logo ressalvando que «a questão de fundo não é só essa». Também não é resposta, acrescentou, aumentar as penas para o crime de fogo posto.

Há que olhar «para o território nacional, para o ordenamento do território, para a ocupação dos territórios, em particular os territórios do Interior, dando-lhes vida, dando-lhes possibilidades, dando-lhes pessoas, para que elas protejam e estejam em condições de proteger». É preciso dar «as condições e os meios àqueles que têm de combater o fogo». «Enfrentamos uma situação destas ciclicamente, todos os anos, e não temos aviões de combate aos incêndios, não temos helicópteros, temos os bombeiros com as dificuldades de meios», comentou, concluindo que «isto não pode continuar assim».

Para o PCP, salientou o Secretário-Geral, há «uma opção política de desvalorização deste património nacional, que é a floresta, de desvalorização do território, em particular do Interior», pelo que «isto tem responsabilidades políticas».

Hoje, as propostas nesta matéria «estão todas feitas, toda a gente conhece o que é preciso fazer», logo, «faça-se». Ora, «isso implica opções políticas» diferentes, «e não vale a pena virmos chorar depois, ou empurrando com a barriga para a frente, como foi feito ontem [pelo primeiro-ministro na iniciativa do PSD no Pontal, Loulé) e tem sido feito nos últimos dias».

Paulo Raimundo realçou que «a questão de fundo é o desinvestimento brutal dos sucessivos governos, e este não está fora disso». Não sendo possível evitar de todo os fogos, «é possível investir mais na protecção, é possível investir mais no ordenamento do território, é possível investir mais no ordenamento da nossa floresta, é possível investir mais nos territórios do Interior, é possível investir mais nos bombeiros, nas forças da Protecção Civil e nos meios para antecipar e actuar perante os fogos».

«Se fizermos isto, de uma vez por todas, com a política ao serviço do território, então a devastação não terá esta dimensão», afirmou o Secretário-Geral, realçando que «a nossa palavra de solidariedade é também uma palavra de esperança no futuro».

 

Intervir na vida real

Ao saudar os participantes no jantar, Paulo Raimundo notou que muitos deles integram, para as eleições de 12 de Outubro, as listas da CDU, constituídas por militantes do PCP ou do PEV e por muitas pessoas sem filiação partidária. «Na CDU, os independentes são protagonistas, são construtores deste projecto, fazem falta, precisamos deles cada vez mais», «neste projecto de gente séria, ligada à vida, que sente as dificuldades e sabe aquilo que custa a vida», sublinhou o dirigente comunista.

Em contraponto, «sobre essa vida real, difícil, não ouvimos uma única palavra nos discursos do Pontal», pois Luís Montenegro apenas «falou de promessas, de ilusões, de propaganda», sem indicar as respostas necessárias para os problemas dos trabalhadores, da habitação, da Saúde, da Educação.

O Governo, acusou Paulo Raimundo, «é executante de uma política desastrosa», que «não só tem saudades dos tempos da troika, como está com pressa para retomar esse projecto desastroso», de «injustiças, desigualdades, exploração e negociatas». Com tal política, «o PSD e o CDS, naturalmente, estão de acordo, apoiam e contribuem», a IL «assume o papel de lebre ideológica» e «o Chega é cada vez mais um concretizante dessa política», enquanto o PS fica «amarrado a tudo o que é central e decisivo».

«Podem fazer o barulho que quiserem, podem insinuar todas as discordâncias, podem até criar inúmeros factos políticos, mas, no fim, lá estão todos de acordo naquilo que é essencial», observou Paulo Raimundo, dando um exemplo: «Não há nenhum que não esteja de acordo com o crime económico que é a privatização da TAP.»

O dirigente comunista reconheceu que «os problemas centrais do País não se resolverão, certamente, com as eleições autárquicas». Mas garantiu que «tudo aquilo que for possível avançar, para melhorar a vida das populações, é um caminho aberto que nós não vamos desperdiçar», lembrando que «é assim no combate de todos os dias, como as pessoas sabem, também no Algarve».

Apelou «aos que aqui vivem e trabalham, à juventude, ao povo, aos trabalhadores, aos independentes, a todos, mesmo com outras opções de voto em eleições anteriores», para que «dêem força à vossa força, à vossa vida, dêem força à vossa terra, dêem força à força que valoriza os trabalhadores e os seus direitos, à força da cultura e do desporto, do associativismo, do ambiente», «à força que coloca as crianças e os idosos no centro das opções políticas em cada uma das autarquias».

Paulo Raimundo lembrou «o nosso trabalho exemplar» e desafiou: «Façam comparações, comparem o trabalho em Silves com todas as autarquias do distrito!»

«Para estarem nesta força unitária e popular, que é a CDU, são só precisos dois requisitos», resumiu: «ter vontade de intervir, agir para que a vossa terra seja melhor», e «que sejam gente de trabalho, honesta, capaz de pôr cada terra, o Algarve e Portugal a andar para a frente».

 

O exemplo notável de Silves

No Algarve, «o município de Silves é destacado em variadíssimos aspectos», como «realização de obras, direitos dos trabalhadores, ambiente, água, cultura, desporto, património, defesa dos serviços públicos», sublinhou Celso Costa, membro do Comité Central do PCP e responsável pela Organização Regional do Partido.

Antecedendo a intervenção do Secretário-Geral, frisou que «as nossas freguesias e os nossos eleitos são referência na região, pela experiência, pelo trabalho, pela coerência, pela firmeza, pela ligação às nossas gentes e às nossas terras» e que «a região, os concelhos, as freguesias e, sobretudo, as populações precisam de uma CDU presente e reforçada nos órgãos autárquicos».

Ao final da tarde, Paulo Raimundo, Celso Costa, Jorge Pires (da Comissão Política do Comité Central do PCP), outros dirigentes, eleitos da CDU e candidatos visitaram a Feira Medieval de Silves. Luísa Conduto, vice-presidente da Câmara e candidata da CDU a presidente, guiou a comitiva, num percurso que deixou vontade de voltar com mais tempo. Em cada paragem, foi mostrando como a própria realização deste evento tem a marca da maioria CDU, procurando e conseguindo cada vez mais o envolvimento e a participação activa das colectividades e de artesãos e empresas do concelho.

 

Hospital atrasado para o negócio

«Obrigadinho, Montenegro!» — ironizou Paulo Raimundo, ao comentar o anúncio da construção do Hospital Central do Algarve, feito na véspera pelo primeiro-ministro, «pela vigésima segunda, ou terceira, ou quarta vez». Os governos do PSD e do PS «já o deviam ter feito há 20 anos», mas «não o fizeram, da mesma forma que não vão fazer agora» e «esta é que é a questão: atrasar, desmantelar o serviço público de Saúde, para que nasça o negócio privado da doença!»



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