Grândola é um concelho com futuro e com uma gestão que dá provas
O Avante! esteve à conversa com António Figueira Mendes, presidente da Câmara Municipal de Grândola, que termina funções no final do mandato, e com Fátima Luzia, candidata da CDU à presidência nas próximas eleições. Numa entrevista conjunta, cruzam-se o balanço do trabalho realizado com os desafios que se colocam ao futuro do concelho.
«Os grandolenses sabem com quem podem contar»
António Figueira Mendes sublinha que os últimos quatro anos, marcados por grandes exigências, foram também dos mais relevantes para o desenvolvimento do concelho. «É um balanço positivo, apesar de todos os obstáculos. A evolução económica do concelho e o aumento das receitas permitiram-nos concretizar novos projectos», afirma.
Obras estruturantes
Entre os investimentos destacados, estão a nova biblioteca municipal, o Jardim 1.º de Maio – «completamente requalificado, com rega automática e novas soluções paisagísticas» – e a construção da estrada que liga o interior ao litoral, até ao Carvalhal, uma via moderna, com infra-estruturas e segurança, num investimento de cerca de cinco milhões de euros.
Também no mundo rural se fizeram sentir melhorias significativas, com a recuperação de caminhos, o reforço do abastecimento de água em Melides e a melhoria das condições de vida em localidades como o Valinho da Estrada.
Contas certas
Na área do desporto, está em curso a requalificação do complexo desportivo municipal, incluindo piscina e pavilhão. «Tudo isto foi possível graças a receitas municipais sólidas», salienta o autarca, lembrando que em 2013, quando a CDU assumiu a gestão camarária, a autarquia dispunha de 18 milhões de euros de receita e 14 milhões de dívida. «Hoje não temos dívidas e as receitas rondam os 100 milhões de euros», destaca.
Transparência no uso do território
Sobre o acesso às praias, Figueira Mendes é claro: «Grândola não tem praias privadas. Sempre o dissemos. Há 10 praias com Bandeira Azul e acessibilidade, e outras que estão previstas nos Programas da Orla Costeira». Sublinha ainda que foram deixados projectos aprovados que permitirão ao próximo executivo avançar sem entraves burocráticos, nomeadamente para as praias da Aberta Nova e da Galé, com centenas de lugares de estacionamento gratuito.
Habitação e emprego
No domínio da habitação, o município adquiriu terrenos para construção a custos controlados, com planos urbanísticos que permitirão edificar cerca de 300 casas a curto prazo. «Vamos lançar já mais 48. Com os novos empreendimentos, vão surgir três a quatro mil postos de trabalho, e é preciso garantir alojamento», sublinha, lembrando também que foi a CDU quem travou, em tempos, os projectos de massificação turística herdados de anteriores mandatos do PS.
Proximidade e compromisso
Já Fátima Luzia, presidente da Junta de Freguesia de Grândola e Santa Margarida da Serra há 16 anos e agora candidata à presidência da Câmara, destacou o trabalho com o movimento associativo e a importância da proximidade com as populações. «Conheço bem os problemas de Grândola. Sempre tratei os fregueses pelo nome. É essa proximidade que quero manter», afirma, apontando como prioridade o reforço da habitação e da limpeza urbana, com mais campanhas de sensibilização e formação cívica.
Limpeza urbana, valorização dos trabalhadores e serviços públicos
A candidata sublinha ainda a necessidade de valorizar os trabalhadores municipais, propondo-se combater o SIADAP, que considera ser «uma aberração legal que desmotiva, divide e cria injustiça». Sobre a equipa que a acompanha, refere tratar-se de «pessoas de qualidade, com ligação ao concelho e conhecimento dos seus problemas».
Problemas na saúde
Na área da saúde, Fátima Luzia reforça que a CDU lutou pela recuperação dos horários no centro de saúde de Grândola e pela reabertura do posto da Canal Caveira, mas defende que «é preciso ir mais longe». Exige o regresso do atendimento 24 horas por dia e critica o encerramento de serviços que forçam deslocações dispendiosas a concelhos vizinhos. «Uma deslocação de táxi pode custar 50 euros. Para muitas pessoas, isso é incomportável», alerta.
Riscos para o concelho
Outra grande preocupação prende-se com o projecto da mina da Lagoa Salgada. «Não queremos que seja reavaliado – queremos que seja chumbado. Se queremos um turismo sustentável e de excelência, não podemos ter uma mina à porta de Grândola», defende, alertando para os riscos para localidades como Água Derramada e Silha do Palcoal.
Entraves burocráticos
António Figueira Mendes reconhece que houve projectos que não avançaram tanto quanto desejava, nomeadamente devido à falta de empresas e projectistas. «Alguns foram aprovados há três anos e ainda não saíram do papel», lamenta, citando o Largo de São Sebastião, a Universidade Sénior, a ampliação do parque desportivo e investimentos na habitação. Também critica a nova lei dos solos e a redução dos perímetros urbanos, que dificultaram respostas urbanísticas necessárias.
Transferência de competências
Sobre a transferência de competências, o autarca considera que «na Educação, foi um erro do PS aceitar a transferência antes do tempo». Refere carências de pessoal e um modelo de gestão das praias «híbrido e confuso». Também a questão das coimas de trânsito é, segundo o presidente, «absurda»: «Temos dois juristas apenas a tratar disso. Só nos traz desgaste».
Candidatura com provas dadas
Na mensagem final aos grandolenses, António Figueira Mendes afirma com convicção: «A CDU tem obra feita e provas dadas. Criámos emprego, melhorámos a qualidade de vida, investimos na cultura, no desporto, na habitação. Os grandolenses sabem com quem podem contar.»
Fátima Luzia complementa: «Quero o melhor para Grândola. É com esse espírito que me apresento. Trabalho, dedicação, proximidade. Temos orgulho em Grândola Vila Morena e continuaremos a honrar os valores de Abril.»




