Cuba em mudança com a marca da CDU
O mandato da CDU em Cuba, que agora se aproxima do fim, deixou uma marca profunda no concelho. Em entrevista ao Avante!, João Português, presidente da Câmara Municipal, explica que este período foi marcado por desafios globais e locais. «O projecto da CDU, que já leva mais de doze anos no concelho, teve um papel fundamental nesta fase de transição e transformação», afirma. Para ele, «a transparência e a equidade foram pilares essenciais, reflectidos na forma como tratámos as pessoas e as associações, compromisso esse que é reconhecido pela população».
«Cuba pode continuar a crescer e afirmar-se como um concelho dinâmico e sustentável»
Entre as principais conquistas deste mandato, destaca a criação do Ecoparque Alentejo Central. «Foi um projecto que demorou uma década a concretizar, enfrentando inúmeras vicissitudes. Fomos os primeiros a avançar com a candidatura e só após três anos de espera obtivemos a aprovação. A inauguração da praia, em Agosto de 2023, foi um momento simbólico, especialmente para a freguesia de Vila Ruiva, que sofreu bastante com a perda de população», recorda. Esta infra-estrutura valoriza o património natural e contribui para a dinamização económica e turística do concelho.
A requalificação urbana da vila foi outra prioridade. João Português salienta as intervenções na Rua 1 de Maio, no Largo da Estação e no Jardim dos Combatentes, «sendo que metade dos investimentos foram aplicados na renovação do subsolo, com melhorias nas redes de saneamento, abastecimento de água e eletricidade». Foram investidos mais de dois milhões de euros, um valor que «demonstra a ambição e dimensão do projecto, que trouxe nova vida à vila».
Cultura, desporto e infraestrutura social
No âmbito da cultura e do desporto, o presidente afirma que foram requalificados os Centros Culturais de Cuba e Vila Alva, «garantindo melhores condições para eventos culturais que são uma marca do concelho». Destaca ainda a construção de polidesportivos em Vila Ruiva e Vila Alva, «melhorando as condições para a prática desportiva e o lazer», bem como a requalificação das praças de Faro e Vila Ruiva, que ainda estão em curso.
Gestão dos desafios económicos
Quanto às dificuldades económicas, admite que «o aumento abrupto dos preços das obras foi um dos maiores desafios. Tivemos que reajustar orçamentos e recorrer a empréstimos para não comprometer os projectos». Foram realizadas 16 empreitadas, «com custos que por vezes quadruplicaram os valores iniciais». Mesmo assim, «não abdicámos dos investimentos essenciais, como a requalificação das ruas da vila [e um pouco por todo o concelho] com betão novo», para o que foi contraído um empréstimo de dois milhões de euros, «sempre com o objectivo claro de melhorar a qualidade de vida da população».
Fixação dos jovens e dinamização económica
Relativamente à fixação dos jovens e à actividade económica, o presidente realça que «conseguimos atrair jovens para o concelho, ao contrário de muitos outros municípios que estão a perder população». Cuba «não só manteve a população escolar como aumentou o número de empresas de 400 para mais de 600». Criaram-se novos lotes e condições favoráveis para o crescimento económico, mas «é imprescindível apostar mais em emprego qualificado para fixar os jovens». O município dispõe de «56 fogos de habitação social, dos quais 25% são destinados a jovens, complementados por um programa de apoio ao arrendamento jovem».
Turismo e identidade local
No turismo, o presidente destaca a identidade forte do concelho, assente em «elementos culturais e gastronómicos como o cante alentejano, o vinho de talha e a gastronomia local». Para promover estes activos, foram criados eventos de grande dimensão, como o «Provando o Tareco» e a Feira do Vinho de Talha, que «atraem milhares de visitantes e dinamizam a economia local».
O desafio da ferrovia
Entretanto, persistem desafios importantes, nomeadamente na ferrovia. «A Linha do Alentejo tem sofrido redução de serviços e falta de investimento», lamenta. Embora a modernização tenha sido aprovada, «o projecto não contempla uma ligação directa de Cuba ao Aeroporto de Beja, algo que defendemos insistentemente». «Cuba deveria ser a estação principal antes do aeroporto, assegurando uma ligação eficaz para população e visitantes». Actualmente, a linha «está fechada e sujeita a transbordos por dois anos, o que é inaceitável e prejudicial para o concelho».
Prioridades para o futuro
Para o futuro, João Português aponta que «a prioridade será a requalificação da zona central da vila, nomeadamente o mercado municipal e a Praça da República, intervenções essenciais para modernizar o coração da vila». Salienta que «o sucesso do nosso trabalho resulta do envolvimento activo da população, da transparência e do compromisso colectivo».
Mensagem à população
Por fim, deixa uma mensagem de apelo à participação e responsabilidade cidadã: «A política não é um bicho-papão, mas uma ferramenta de transformação que precisa do contributo de todos. O que fizemos em Cuba foi possível graças à colaboração e transparência. Com a participação de todos, Cuba pode continuar a crescer e afirmar-se como um concelho dinâmico e sustentável.»
Entrevista a João Duarte Palma, candidato da CDU a presidente da Câmara Municipal
Prosseguir o desenvolvimento do concelho
Lideras a candidatura da CDU à presidência da Câmara de Cuba como independente. O que representa para ti integrar este projecto político?
O facto de ser independente é apenas uma condição que em nada altera a minha visão da sociedade e da política. É do conhecimento público que provenho de uma família onde a política sempre esteve presente e que me transmitiu sólidos valores de trabalho, de solidariedade, de democracia e a noção do dever da disponibilidade para o exercício político, com o objectivo de melhorar as condições de vida do povo. Também tive uma passagem pela JCP, que ajudou a forjar o político que sou hoje.
Sendo eu ideologicamente de esquerda, e a CDU o grande espaço político de trabalho unitário entre comunistas, ecologistas e homens e mulheres sem filiação partidária, mas com elevado sentido democrático e de apego aos valores de Abril, este é o espaço e o projecto onde me sinto bem e com o qual me identifico. É através dele que pretendo contribuir para melhorar a vida das populações do concelho de Cuba e para respeitar e fortalecer o Poder Local Democrático.
Quais são os principais eixos programáticos da candidatura que encabeças e que prioridades estão definidas para o próximo mandato?
Estamos em fase de elaboração do nosso programa eleitoral e o projecto político da CDU é conhecido por dar atenção a todas as áreas de intervenção das autarquias. No entanto, sabemos que há eixos que serão mais desafiantes e exigentes, dada a urgência de implementar estratégias para atenuar problemas estruturais – como a habitação e o desenvolvimento económico. Ambos estão interligados e, no caso do desenvolvimento económico, não dependem apenas da actuação da autarquia, mas também de políticas do Governo, seja na criação das infra-estruturas necessárias, seja na implementação de medidas fiscais de discriminação positiva para o Interior.
Que propostas apresenta a CDU para defender o acesso à saúde, à educação e ao apoio social?
O acesso a direitos deve respeitar o princípio da universalidade e, por isso, ser garantido a todos os cidadãos. É isso que está consagrado na Constituição da República Portuguesa e que o nosso projecto tem obrigação de defender. Apesar da transferência de competências para o município nas áreas da educação e da acção social – já que, no caso da saúde, não recebemos quaisquer competências –, não abdicaremos de lutar para que essas funções regressem à Administração Central, como forma de garantir o acesso universal e igualitário.
Em termos de desenvolvimento económico, que ideias propõe a CDU para apoiar o comércio local, promover o emprego e atrair investimento para o concelho?
Todos os sectores em que o município tem atribuições podem contribuir para o desenvolvimento económico do concelho. É fundamental fixar e atrair população para dinamizar a economia e criar condições para a instalação de empresas. Seja no desporto, na cultura ou no turismo, todos os sectores têm potencial para promover o território e atrair investimento.
Queremos aproveitar o potencial de localização do concelho de Cuba, no centro do Alentejo, bem como a proximidade ao aeroporto de Beja, ao porto de Sines e a ligação ferroviária – cuja manutenção foi uma das nossas lutas nos últimos anos –, para captar empresas.
Há investimentos estruturantes que dependem do Governo e que continuaremos a reivindicar: a ligação ferroviária ao aeroporto, a modernização da linha entre Casa Branca e a Funcheira, transformando a Linha do Alentejo numa alternativa à do Sado, e a construção da estrada com perfil de auto-estrada no IP8 até Vila Verde de Ficalho. Os vectores decisivos para atrair empresas são a qualificação e capacidade dos nossos trabalhadores e as acessibilidades aéreas, rodoviárias e ferroviárias.
Que visão tens para o sector do turismo e que projectos gostarias de ver concretizados?
É inegável o impacto positivo que o turismo tem tido, nos últimos 12 anos, no concelho de Cuba. A CDU soube valorizar as tradições locais, preservando-as e transformando-as também em produtos turísticos. Foi feito um importante trabalho de promoção do vinho de talha e das vinhas centenárias, do Cante Alentejano e das tabernas de Cuba. Estes elementos culturais, aliados ao património gastronómico, contribuíram para aumentar a procura turística, sobretudo no Outono e Inverno.
A criação da praia fluvial de Albergaria dos Fusos marcou uma viragem no turismo local. Pretendemos dar continuidade e aprofundar este trabalho, diversificando a oferta com a conclusão do Ecopark e a construção do parque de autocaravanas, estruturando o turismo de natureza e apostando no turismo literário e religioso.
Que avaliação fazes da actual gestão municipal e que diferenças destacas no projecto que agora apresentas?
A concretização da maioria das propostas apresentadas é prova de que cumprimos os compromissos assumidos. Ao contrário de outras forças políticas, a CDU mantém a mesma matriz, centrada na valorização das pessoas e do serviço público. As diferenças que apresento estarão sobretudo na forma de relacionamento com a população – com maior proximidade – e numa postura mais reivindicativa junto do Governo para conquistar políticas necessárias para o concelho e a região.
Qual é a mensagem que gostarias de deixar?
A população conhece-me e sabe que tenho capacidade para criar consensos, ouvir e resolver problemas. Aos que não me conhecem, peço que escolham em consciência. O papel do autarca é cada vez mais exigente em termos técnicos e requer experiência e visão. A minha experiência política e profissional, aliada a uma abordagem jovem e inovadora, dá-me as condições para executar o projecto de desenvolvimento económico e social de que o concelho precisa.




