Ir ao essencial

Manuel Rodrigues

Como era de esperar, no debate sobre o estado da Nação na AR, há duas semanas, o primeiro-ministro fez o elogio da «brilhante» governação que, de medida em medida, vai tornando cada vez mais difícil a vida de quem vive e trabalha em Portugal.

Corrigindo-se a si próprio, em vez da célebre tirada de 2014 (quando era presidente do grupo parlamentar do PSD e um outro governo PSD/CDS aplicava o pacto de agressão da troika) «a vida dos portugueses não está melhor, mas o País está muito melhor», sintetizou assim o resultado da acção do seu Governo: «o País está melhor e a vida dos portugueses está melhor».

Ora, como denunciou o Secretário-Geral do PCP, a realidade é bem diferente e a vida está muito mais difícil para a imensa maioria dos portugueses, enquanto para o grande capital, o IRC desce sucessivamente de 20% até 17%, à razão de 1% ao ano, até 2028; prosseguem os apoios, os benefícios e as negociatas à custa do erário público; preparam-se novas privatizações, o assalto aos fundos da Segurança Social e alterações gravosas à legislação laboral.

E, no meio disto tudo, qual é a preocupação do Chega e da IL? Pressionar para que o Governo vá ainda mais longe e mais depressa no projecto reaccionário que com ele partilham, dispondo-se, para tanto, a desempenhar o seu papel de «abre-latas». E o PS? Choramingou por o «não é não» ter passado a ser «sim é sim», ou seja, por o Governo ter trocado de parceiro na execução desta política, apesar da inequívoca prova de boa vontade dada por si, ao viabilizar o programa do Governo.

Para lá dos arrufos, sobre a essência desta política, nem um pio, nem uma palavra de reprovação, nem uma palavra quanto à necessidade de um caminho diferente.

É perante este quadro que aos trabalhadores e ao povo não resta outra alternativa que não seja a intensificação da luta. Luta que será tanto mais forte quanto maior for o reforço do PCP e da CDU, bem como mais ampla for a unidade e convergência de democratas e patriotas, de todos os que sentem as consequências desta política, de todos os que estão preocupados com o estado a que as coisas chegaram, com o futuro de Portugal.

Em síntese, o estado da Nação é muito grave, mas há soluções. Há uma outra política, um outro caminho que é necessário, incontornável e urgente trilhar.

 



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