MAL, projecto e contexto

Carlos Gonçalves

O autodenominado MAL, Movimento Armilar Lusitano, organização nazi-fascista, investigada pela PJ e o Ministério Público desde 2021, foi agora alvo de quinze mandatos de busca e seis detenções de presumíveis envolvidos – quatro mantêm-se em prisão preventiva, o MAL foi desmantelado e a operação continua. E aqui se assinala que a Justiça tenha a coragem de cumprir a Lei nesta matéria, o que não tem sido fácil e importa valorizar.

Esta organização de extrema-direita, ultra-nacionalista, xenófoba, violenta e fascista, próxima do grupo provocador fascista 1143 e com apoiantes em sobreposição com o CH, propôs-se subverter a Constituição, com recurso à violência contra o Estado, a “esquerda”, as minorias e os imigrantes – africanos, árabes, judeus –, com acções de discriminação, incitamento ao ódio e violência, com uma milícia organizada, de formação e natureza militar, para o terrorismo, assalto a instituições e assassínios já planeados, com equipamentos de combate, explosivos e um acervo de armas de guerra – proibidas claro –, roubadas em Portugal, traficadas a partir de conexões na Polónia e (é um indício) na Ucrânia, vendidas a organizações congéneres, ou de produção própria (sofisticada).

Neste quadro político, do Governo AD e do seu programa, mais o “quinteto” que de facto suporta esta política e com o peso parlamentar fascizante do CH, são previsíveis mais casos tipo MAL. Mas importa perceber que o monstro não nasceu agora, esteve sempre cá, veio do ovo fascista da ditadura de Salazar e do bombismo Spinolista contra Abril, que deram quadros à AD e ao CH, ao 1143 e ao nazi-fascismo.

Não surpreende por isso que CH, IL e acólitos encham a boca “contra a violência extremista de esquerda e de direita”. Mas qual violência de esquerda? O que temos todos os dias é o terror fascista, contra a cultura, actores e assistentes sociais, trabalhadores e comunistas, contra o que desagrade aos reaccionários, que assim se tenta apoiar, de facto, banalizando e promovendo o fascismo.

O combate à política do grande capital e do “quinteto” que a apoia, da direita, mais ou menos extremada e fascizante, faz-se com coragem, determinação e confiança, com liberdade e afirmação do regime democrático, com a luta e a construção de um Portugal com futuro.



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