Trabalhadores do Exército «fartos de esperar»

Mais de duas dezenas de trabalhadores concentram-se junto à entrada do Estado-Maior do Exército, em Lisboa, na passada segunda-feira, 23, exigindo a regularização da situação salarial de mais de duzentos trabalhadores. Esta luta contou com a presença de Tiago Oliveira, Secretário-Geral da CGTP-IN e António Filipe, do PCP.

Erguiam pancartas exigindo «o pagamento do que é devido»

Lusa


O Sindicato dos Trabalhadores Civis das Forças Armadas, Estabelecimentos Fabris e Empresas de Defesa – STEFFA/CGTP-IN – convocou, no passado dia 20, todos os trabalhadores para uma concentração frente ao Estado-Maior da Armada «para exigir o pagamento dos valores em falta».

No comunicado que acompanhou a marcação desta luta, o sindicato denunciou algumas das situações a que estes trabalhadores estão, actualmente, sujeitos. Casos como o de muitos assistentes operacionais que, com mais de trinta anos de serviço, «ainda não viram aplicadas as valorizações remuneratórias em função da antiguidade», valorizações estas que deviam estar a produzir efeitos «há dois anos e meio». Junta-se a este incumprimento, os atrasos verificados na «aplicação da valorização para assistentes operacionais que detenham entre 23 e 31 anos de serviço». Por fim, existem ainda vários casos de trabalhadores que «não viram aplicado ainda o regime especial de aceleração do desenvolvimento das carreiras», «apesar de preencherem os requisitos para tal». O STEFFA, reconhecendo a insuficiência das valorizações em questão, afirma que estas são «inteiramente merecidas» e «seriam provedoras de algum alivio económico para os respectivos agregados familiares, sendo assim o seu incumprimento algo totalmente inaceitável e que não pode ser tolerado por parte dos trabalhadores.

Lutar para vencer
Os trabalhadores avançaram então para a luta, nesta segunda-feira, tendo sido mais de duas dezenas de trabalhadores civis do Exército a manifestarem-se junto ao Estado-Maior.

No decorrer desta manifestação, em que os trabalhadores erguiam pancartas exigindo «o pagamento do que é devido» e afirmando que «dois anos e meio há espera é uma vergonha», foi aprovada por unanimidade uma resolução que seria entregue ao Chefe do Estado-Maior do Exército, onde se reafirmava a exigência da aplicação imediata das valorizações em causa, assim como o pagamento de retroactivos.

Após uma reunião em que foram apresentadas estas reivindicações, o sindicato informou que dos 480 trabalhadores analisados, 109 têm a sua situação regularizada, no entanto, a ampla maioria continua com a situação por regularizar ou mesmo excluído destas valorizações.

Esta concentração contou com a presença de Tiago Oliveira, Secretário-Geral da CGTP-IN, que deu força à luta desenvolvida por estes trabalhadores, exigindo ainda um posicionamento por parte do ministro da Defesa, Nuno Melo, face a esta situação. Esteve presente também António Filipe, antigo deputado do PCP, que expressou a sua solidariedade com esta justa luta e garantiu o acompanhamento do Partido destes casos, assim como um questionamento do grupo parlamentar comunista ao actual executivo sobre a situação destes trabalhadores.

 



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