Pantomineiros
Fazendo prova de que cada coisa, por melhor e radiosa que seja, não se livra de um reverso de maior ou menor negritude, a pantomina – com o seu significado e valor próprio de expressão cultural – viu-se também condenada a arcar com o sentido figurado e pejorativo que nos remete para quem recorre à dissimulação e ao engano, usando a mentira para ludibriar outros.
Os pantomineiros, esses que preenchem o espaço mediático com comentários, opiniões, análise e até suposto teor informativo, sempre com aquele ar de independência e de novidade por mais evidente que seja o mero papagueamento do que as centrais de informação dominante decidiram transformar em opinião e pensamento únicos. Com essa particularidade de dizerem hoje, sem pestanejar, o contrário do que antes afirmaram.
Vale a pena lembrar o que se disse a propósito da guerra na Ucrânia e comparar com o que agora as mesmíssimas bocas dizem sobre Israel e as suas acções genocidas e de agressão: registemos, não tanto para memória futura mas para efeitos presentes, o que sobre uns se disse e diz quanto ao compreensível “direito de defesa preventiva”, à legitimação de “impor uma mudança de regime” ou ao manuseamento de vocábulos como “invasão”, “incursão”, “acção punitiva” para agigantar criticas ou justificar procedimentos.
Deixando de lado, ainda, a estafada conversa sobre armas de destruição massiva hoje invocadas para pretexto à agressão ao Irão com a fiabilidade argumentativa que em 2003 se conheceu no Iraque, o que a esta gesta de pantomineiros, pródigos na inquisitorial postura do “condena ou não condena, condena ou não condena” se exige é que sejam tão claros e prontos na condenação de Israel, dos seus crimes de guerra, do genocídio e nas agressões a países diversos que promove, como o PCP o foi face à acção militar da Rússia e a todo o processo belicista da NATO que a ela levou.




