Media, o programa oculto

Carlos Gonçalves

O Governo anunciou o seu Programa e as dez linhas que valorizou. Sobre a matéria, discutida e votada na AR, no quadro da Moção de Rejeição do PCP, está dito o essencial – é «expressão da política de exploração e desigualdades, negócios e negociatas, desmantelamento do SNS, benefício aos grupos económicos, privatizações, contenção de salários, alteração de leis laborais e assalto à segurança social». Por isso o repúdio do PCP, importante para futuras batalhas.

Mas nem o facto do núcleo de questões ser tão ruim e crucial para a luta, faz esquecer as áreas não referidas, mas que importam e são conexas na ofensiva contra a democracia. O Governo da AD decidiu tacticamente não as valorizar e até ocultar, por “oportunidade” e gestão de agenda, a sua e a dos grandes interesses.

Como na questão dos média, importante na ofensiva reaccionária e oculta no Programa do Governo, e cujo “Plano de Acção” não parou desde Outubro: continua a preparar o “Guião” de subversão de toda a legalidade do sector e apenas suspendeu brevemente alguns aspectos de execução porque Pedro Duarte saiu do Governo; criou a “Estrutura de Missão para a Comunicação Social”, na lógica do mercado, de “coordenação de entidades públicas relevantes” com as privadas, como a “Plataforma de Media Privados”, com quem organizou a conferência “O Futuro dos Media”, que tratou do “Pacote de apoio” ao grande capital para garantir os lucros, com salários pagos pelo Estado a trabalhadores sem direitos, e “reorganização e modernização da RTP”, com cortes nas receitas para implodir o canal público e abrir a outros negócios.

Entretanto, a situação é agora terminal para alguns órgãos da imprensa escrita, após lucros e dividendos forjados e negociatas criminógenas, e é quase insustentável em dois ou três casos de “transições digitais” insuficientes. Daí o “clic” até à linha que hoje une Governo e grupos económico-mediáticos e que constitui o seu programa oculto: que o Estado tem de pagar reestruturações, lucros e concentração, levando o sector a uma nova fase de fusão do Estado e do grande capital, numa mega supra-estrutura de domínio e controlo omnipotente e ainda mais antidemocrática.

É imperioso travar o Programa do Governo para os média, esclarecer e lutar pela liberdade de informação.

 



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