Com a luta na Alemanha e atentos à Autoeuropa

«Que pague a “crise” automóvel quem está na sua origem» - exigiu a FIEQUIMETAL/CGTP-IN, que enviou ao sindicato IG Metall uma moção de solidariedade e divulgou um pertinente comunicado do SITE Sul.

Houve decisões políticas erradas e erros de gestão, priorizando os lucros

A moção da Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Eléctricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas foi divulgada no dia seguinte à primeira «greve de aviso», que durou duas horas, no dia 2, afectando nove das dez fábricas da Volkswagen na Alemanha. A FIEQUIMETAL reiterou «total solidariedade para com os trabalhadores, em luta pela manutenção dos postos de trabalho e contra os cortes salariais, rejeitando qualquer retirada de direitos».

Em vez do fecho de, pelo menos, três fábricas na Alemanha, o Grupo VW deve «inverter o rumo e garantir o emprego e as condições de trabalho àqueles que, ao longo dos anos, têm criado riqueza e garantido fabulosos lucros».

Também no dia 3, a Comissão Sindical do SITE Sul na VW Autoeuropa emitiu um comunicado, a apelar a que os trabalhadores manifestassem total solidariedade com os seus camaradas das fábricas na Alemanha, mas também disponibilidade para a luta e para «repudiar, desde já, quaisquer investidas do mesmo tipo por parte da administração da fábrica em Palmela».

O sindicato da FIEQUIMETAL/CGTP-IN assinala que «a situação que se vive no sector automóvel é da única responsabilidade da Comissão Europeia e dos construtores europeus», pelo que «os trabalhadores do sector não podem ser penalizados no emprego, nem nos rendimentos, por decisões em que não tiveram nenhuma intervenção».

«Onde está a crise» no sector automóvel, questiona-se no comunicado, notando que a Volkswagen, ainda que registe uma queda nos resultados anuais, «continua a declarar lucros milionários em 2024», que somaram 7590 milhões de euros, até Setembro.

Com «decisões políticas erradas e erros de gestão», os construtores na Europa atrasaram-se «na corrida pelos carros eléctricos, por falta de investimento em tecnologia e inovação, preferindo acumular lucros ano após ano».

Agora, «numa tentativa desesperada de manterem o máximo de lucros», apresentam como soluções «o fecho de fábricas e cortes nos salários e nos direitos daqueles que sempre contribuíram para o sucesso e lucros milionários do Grupo VW».

No dia 9, as «greves de aviso» nas fábricas alemãs prolongaram-se por quatro horas.

A CIL (Comissão Coordenadora das CT da Região de Lisboa) divulgou, no dia 6, um «voto de apoio e solidariedade a todos os trabalhadores da Volkswagen e suas organizações de classe».

 

Desemprego em Palmela

A administração da Autoeuropa «não está isenta de culpas no desemprego de centenas de trabalhadores» de empresas fornecedoras, instaladas no parque industrial, como a Vanpro e da Tenneco, acusou a Comissão Sindical. A decisão de não atribuir a estas empresas o fornecimento de componentes para o novo carro da VW Autoeuropa «pode empurrar centenas de trabalhadores para o desemprego».

Se «a política economicista do Grupo VW é a única responsável por esta situação», a administração da Autoeuropa «também tem responsabilidades».



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