3 de Dezembro: dia de festa, dia de luta
As pessoas com deficiência, suas famílias e associações, têm reivindicado os seus direitos
Neste Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, que se assinala a 3 de Dezembro, celebramos a diferença, celebramos a inclusão das pessoas com deficiência numa sociedade plena e diversa, em que as trocas de experiências de vida nos melhoram e enriquecem.
Mas este dia é também um dia de luta por tudo o que falta ainda conseguir.
É dia de relembrar que as barreiras arquitectónicas ainda impedem milhares de pessoas de circular livremente e que isso tem de mudar. É dia de lembrar que a educação inclusiva não chega a todos e que isto só se reverte com um efectivo investimento na escola pública. É dia de lembrar que não adianta estabelecer quotas de emprego para pessoas com deficiência se não há um investimento em formação para que estas possam responder aos pedidos de emprego.
As pessoas com deficiência, suas famílias e associações, têm reivindicado os seus direitos em vários momentos, com iniciativas, e fazendo-nos chegar várias exigências.
O PCP sabe que só se constroem políticas que dêem resposta às pessoas com deficiência ouvindo-as de viva voz e, por isso, tem marcado presença nas iniciativas destas organizações – como por exemplo a conferência organizada pela ANDST a 6 de Abril no Seixal, onde se falou de doenças profissionais, ou o 29.º Encontro Nacional de Pessoas com Deficiência, organizado pela CNOD a 26 de Outubro em Viseu, onde várias organizações tomaram a palavra e expuseram as suas principais reivindicações.
É destas participações, do contacto directo com as pessoas com deficiência, que nos vem o conhecimento para apresentar as propostas, como por exemplo agora para o Orçamento do Estado, tentando dar resposta às necessidades mais prementes destas pessoas.
Assim, para além das propostas que são transversais a vários sectores, apresentámos nesta área várias propostas, das quais destacamos a gratuitidade do Atestado Multiusos, essencial para a garantia dos direitos das pessoas com deficiência; as melhorias no Sistema de Atribuição de Produtos de Apoio, essenciais a tantas pessoas e que tardam em ser atribuídos e entregues. Apresentámos propostas como o aumento da componente base da Prestação Social para a Inclusão em 70 euros e mudanças nas suas regras de atribuição, tornando-a mais abrangente e justa. Apresentámos proposta para alteração da reforma antecipada para pessoas com deficiência, tentando aproximá-la daquilo que foi efectivamente discutido com as organizações, com a percentagem necessária para a reforma nos 60% de incapacidade. Apresentámos propostas de isenção de IVA e ISV nos veículos adaptados. Apresentámos ainda propostas sobre acessibilidade, quer pela eliminação de barreiras arquitectónicas, pela acessibilidade aos espaços de jogos e recreio e pela criação de uma bolsa de intérpretes de Língua Gestual Portuguesa para garantir o acesso das pessoas surdas aos serviços públicos.
Todas as nossas propostas foram rejeitadas, com a excepção da proposta sobre as barreiras arquitectónicas, que foi aprovada parcialmente.
Aqui se vê bem qual a opção política desta maioria parlamentar no que às pessoas com deficiência diz respeito. Não cortam com a visão assistencialista, antes pelo contrário, a sublinham, não aprovando propostas que garantem condições de vida e independência a estes cidadãos.
Não baixaremos os braços, pois a luta continua! E as pessoas com deficiência podem contar com o PCP para defender os seus direitos na Assembleia da República, nas autarquias, nos locais de trabalho e na rua, até que seja atingida a sociedade justa e inclusiva pela qual todos lutamos.