A UE afunda-nos na guerra

João Oliveira

O presidente norte-americano Biden autorizou a utilização de mísseis americanos para ataques em profundidade no território russo, sendo que esses ataques não podem ocorrer sem o envolvimento operacional dos EUA. Essa decisão confirma que os EUA participam num confronto directo com a Federação Russa a partir do território da Ucrânia, utilizando o poder ucraniano, a UE e a NATO como seus instrumentos. Mais do que isso, essa decisão constitui uma perigosa escalada numa guerra que leva já mais de 10 anos e põe a Humanidade perante o risco real de uma confrontação entre potências nucleares.

A gravidade da situação exige (hoje com uma urgência ainda maior do que antes) que todos os esforços sejam feitos para encontrar uma solução de paz que ponha fim à guerra que se trava na Ucrânia e que garanta a segurança colectiva da Europa. Esforços que têm de ser de natureza política e diplomática, buscando pelo diálogo e pelo compromisso as soluções que, já todos percebemos, não serão encontradas pela força das bombas.

Por razões óbvias, os povos da Europa são os primeiros a ter interesse nesse caminho e a necessitar dele.

É no continente europeu que aquela guerra produz o seu efeito destrutivo de vidas humanas e de condições materiais de vida e desenvolvimento. Sendo seus vizinhos, são os povos europeus quem corre maiores perigos com a escalada da guerra e quem mais está sujeito a sofrer as suas consequências directamente.

Isso é, já hoje, muito evidente nos problemas económicos e sociais que atingem os diversos países da Europa. Eles são consequência das opções feitas pela generalidade dos governos europeus e pela UE quando apoiaram o golpe de estado de 2014 na Ucrânia e alinharam na política de confrontação com a Rússia, quando apoiaram o início da guerra ou deram suporte à continuação e agravamento, quando optaram pela política de sanções.

Apesar dessa evidência, a UE continua a afundar a vida e o futuro dos povos europeus na guerra.

Depois dos graves desenvolvimentos verificados na sequência daquela decisão do presidente norte-americano, a discussão no Parlamento Europeu sobre a guerra na Ucrânia mostra, mais uma vez, que os interesses bilionários do negócio da guerra e a submissão política aos interesses dos EUA falam mais alto que qualquer preocupação com a vida e o futuro dos povos europeus. Mesmo quando as consequências desse posicionamento podem atingir as proporções de uma verdadeira catástrofe.

Quando governos e UE revelam tal desprezo pela paz e segurança dos povos, mais urgente se torna que os povos tomem nas suas mãos, de forma determinada a luta por esses direitos. E mais decisiva se revela a tarefa de quem, como o PCP, intervém de forma corajosa e coerente construindo o caminho que permita alcançar tais objectivos.

 



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