Comunistas britânicos contra «histeria anti-imigrante»

O Partido Comunista Britânico (PCB) acusa Conservadores e Trabalhistas de terem contribuído para a criação de condições para a ocorrência de tumultos e de violência com motivações raciais como os que recentemente ocorreram em várias cidades do país.

Há muito que se difundem ideias racistas e xenófobas

O PCB, que desempenhou um papel relevante nas mobilizações contra o racismo na Grã-Bretanha, em resposta aos tumultos xenófobos do início do mês, salienta que os mesmos «não ocorreram no vácuo».

Numa declaração do director de comunicação do partido, Johnnie Hunter, recorda-se que durante mais de duas décadas os meios de comunicação de massas de direita têm divulgado peças exageradas e inflamadas sobre migrantes e requerentes de asilo, «que “inundam” e “invadem” a Grã-Bretanha, “roubam” os empregos e as casas das pessoas, “roubam” prestações sociais e “sobrecarregam” o nosso Serviço Nacional de Saúde».

Os comunistas britânicos estendem as críticas aos principais partidos políticos do país, o Conservador e o Trabalhista, que têm amplificado estas «distorções histéricas, tornando a retórica anti-imigrante uma parte central da sua campanha eleitoral e aprovando inúmeras Leis no Parlamento, como se enfrentássemos uma ameaça existencial de pessoas cujo único desejo é viver, trabalhar e contribuir para a nossa sociedade». E criticam a liberdade dada a canais televisivos e redes sociais (citando especificamente a GB News e o X/Twitter) para espalhar desinformação e teorias da conspiração que ajudaram a criar o «clima de ódio».

Para o dirigente comunista, a «classe dominante sempre esteve disposta a jogar a “cartada racial” para desviar a atenção das pessoas das verdadeiras causas da desigualdade, da insegurança e da crise do capitalismo».

LUSA

Resistir e responder
Identificando, entre os que estiveram envolvidos nos tumultos, pessoas com antecedentes criminais por agressão e roubo e também membros de organizações racistas e fascistas, o PCB considera que esses actos devem constituir um apelo à organização e mobilização das forças de esquerda, dos sindicatos e dos movimentos anti-racistas.

E elogiou as mobilizações recentes para ultrapassar as políticas de «dividir para reinar» e defender as comunidades populares, as mesquitas e os centros de migrantes contra os racistas e os fascistas. Isto mostra, garante, o potencial existente para «recuperar as ruas à extrema-direita e também para lutar por políticas de esquerda e progressistas».

O dirigente comunista, que falava numa reunião dos órgãos dirigentes do partido, alertou ainda para os perigos de confiar exclusivamente na resposta repressiva e judicial para combater o fenómeno da violência racista. Para além de não ir à raiz dos problemas económicos e sociais que ajudam a explicar aqueles actos, abre portas ao reforço de instrumentos que, amanhã, serão utilizados contra a esquerda.

Paz e solidariedade
Relativamente à situação internacional, os comunistas britânicos alertam para os perigos da escalada do conflito na Ucrânia, que pode desencadear uma guerra regional mais ampla ou, até, num acidente ou conflagração nuclear.

O PCB reiterou o seu apoio ao plano de paz da China, apoiado por países como o Brasil e a África do Sul, que apela a um cessar-fogo imediato e a negociações para chegar a um acordo permanente para as relações entre a Ucrânia e a Rússia.
Quanto ao Médio Oriente, os comunistas britânicos identificam riscos e alternativas semelhantes e defendem o reforço do movimento de solidariedade com o povo palestiniano e da luta pelo fim do apoio das autoridades do Reino Unido ao genocídio que Israel leva a cabo na Faixa de Gaza.



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