1.º de Maio: grande jornada de luta dos trabalhadores

O movimento sindical unitário continuou a desenvolver a sua acção ao longo do tempo

O 1.º de Maio, com fundas raízes históricas, o Dia do Trabalhador, é a mais internacional jornada de luta dos trabalhadores. Assinalado em Portugal desde 1890, teve lugar durante a monarquia e a I República, foi jornada de resistência durante o fascismo, alvo de feroz repressão. Com diferentes expressões, pela dimensão e significado destacam-se o 1.º de Maio de 1962 e, em 1974, ficou profundamente ligado à Revolução de Abril.

O levantamento militar do 25 de Abril de 1974 foi imediatamente seguido por um levantamento popular, fundindo-se os dois num único movimento revolucionário e confirmando, assim, a via defendida e prevista pelo PCP para o derrube do fascismo, a via do levantamento nacional armado.

Acções de rua e manifestações têm lugar por todo o País, de que foram expressão as grandiosas manifestações do 1.º de Maio de 1974.

Em Lisboa, no Estádio 1.º de Maio (assim passou a chamar-se), Álvaro Cunhal intervém e no seu discurso afirma:

«Esta imensa manifestação, pela possibilidade da sua realização é, por si mesma, a afirmação irrefutável de que a classe operária, o povo trabalhador, todos os democratas, os militares, a nação portuguesa inteira, estão firmemente decididos a levar até ao cabo a liquidação do fascismo e dos seus restos, a consolidar e alargar as liberdades, em pôr fim à guerra, em instaurar em Portugal um regime democrático.

São estes os objectivos fundamentais da hora presente. Eles podem e devem ser alcançados. Se o quisermos, sê-lo-ão!

O nosso povo tem toda à razão quando grita vitória!

Trata-se de facto duma vitória histórica.

A democratização da vida nacional deu passos velozes nos seis dias decorridos desde o dia 25 de Abril.

Proponho, camaradas e amigos, que aqui, todos, numa só voz, que estou certo será hoje a voz de ponta a ponta de Portugal, a voz dos trabalhadores, a voz de todo o nosso povo, — saudemos o Movimento das Forças Armadas e lhe asseguremos:

Vós estais (e confiamos em que estareis sempre) com o povo!

O povo está e estará convosco!».

Hoje como ontem

O movimento operário e popular afirma-se como uma poderosa realidade da vida nacional e força determinante no curso da Revolução portuguesa. E, neste processo de luta, desempenhou um papel decisivo quer no processo de realização das grandes conquistas da revolução, quer na sua defesa perante a ofensiva da contra-revolução.

Movimento que contou sempre com o papel da grande central sindical dos trabalhadores portugueses, a CGTP-IN (então denominada Intersindical) fundada em 1970, criação histórica dos trabalhadores portugueses.

Movimento sindical unitário que continuou a desenvolver a sua acção ao longo do tempo em defesa dos interesses de classe dos trabalhadores e na luta contra a política de direita, por uma política alternativa centrada na valorização do trabalho e dos trabalhadores, pela construção de uma sociedade nova liberta da exploração.

Papel decisivo que continua na actualidade e que, ontem mesmo, teve significativa expressão no 1.º de Maio, grande jornada de luta promovida pela CGTP-IN em todo o País: pelo aumento dos salários e das pensões, para garantir direitos, combater a exploração, por um Portugal com futuro.

O desenvolvimento, a combatividade, a implantação nacional e os êxitos históricos do movimento operário e popular são indissociáveis da inabalável orientação do PCP no sentido da luta, unidade e organização da classe operária e de todos os trabalhadores e da constituição de uma ampla frente social e política empenhada na defesa da democracia e das conquistas e valores de Abril e da acção abnegada dos comunistas nas mais diversas estruturas e frentes de luta do movimento operário e popular.

 



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