A luta das forças de segurança e a sensatez
A propaganda, por muito eficaz que seja, não resolve problemas
O último mês e meio tem sido marcado por várias acções promovidas pelas forças de segurança, nomeadamente da PSP e da GNR. Sobre o porquê não valerá a pena adiantar muitas razões. Vale a pena, contudo, salientar que a causa próxima relacionada com o tratamento diferenciado, por parte do Governo, nos valores atribuídos aos funcionários da PJ discriminando os demais, foi isso mesmo, a causa próxima. Todo um outro mundo de problemas tem vindo a acumular-se e a propaganda, por muito eficaz que seja, não resolve problemas.
Anos de alertas, de propostas e estudos apresentados por estruturas profissionais ao governo, aos grupos parlamentares, às comissões respectivas na Assembleia da República, não tiveram resposta. Iniciativas apresentadas na Assembleia da República, como os diversos projectos apresentados pelo PCP, foram chumbados. Um processo que foi caminhando a par com crescentes sentimentos de insatisfação e desconsideração, sobrecargas de trabalho, etc. O resultado está à vista de todos.
Não tinha o Governo consciência desse mal-estar? Se tinha, como não pode deixar de ser, porque decidiu o que decidiu, discriminando? Pensou que os profissionais da PSP e da GNR comiam e calavam? Mas como poderia pensar isso face a um histórico de alertas, propostas e acções que demonstravam esse mal-estar? Então porque avançou, ainda por cima num quadro em que novas missões no âmbito das fronteiras aéreas, portuárias e terrestres foram atribuídas à PSP e à GNR? Para não trilhar os caminhos das teorias da conspiração, fica a pergunta que pode ser que seja algum dia respondida.
O desenvolvimento da luta através de uma plataforma agregadora das diversas estruturas tem, no essencial, decorrido dentro de parâmetros de responsabilidade. Rasurar todo o conjunto de acções e meter o foco em tal ou tal afirmação ou acto, por mais questionável que seja, procurando transformá-los no centro do problema, não parece ser uma atitude séria.
Desestabilização e sensatez
Ninguém ignora, é público, que na camada denominada polícias (digamos assim para facilitar) há visões diferentes da vida, dos problemas e das suas causas, das soluções, da forma de atingir objectivos. Visões que conduzem nalguns casos a posturas mais radicalizadas. Nada que não suceda noutros sectores.
Dir-se-à com justeza que por força do seu papel na sociedade é exigido um comportamento adequado a essa sua responsabilidade. É certo! E é certo, está à vista, que a justeza das suas reivindicações não deve ser comprometida por atitudes que os façam perder a razão que têm. É necessário um redobrado bom-senso.
Mas mais criticável ainda é os que por via de redes sociais pretendem conduzir processos, lançam anátemas, enxovalhos, fakes, etc., sem dar a cara, restando até saber se são mesmo polícias. Os que percorrem o caminho de que aquilo que importa é desestabilizar a qualquer preço, talvez porque se sentem à-vontade porque não têm contas a prestar pelo que dizem e promovem.
A sensatez da decisão agora adoptada pelas estruturas de aguardar pelo próximo governo, em vez de ser objecto de saudação por muitos que se apressam no comentário critico às acções, é lida como recuo. Procuram assim atiçar, espicaçar e empurrar para o prosseguimento, mesmo que seja rumo ao abismo. A decisão adoptada parece que, pelos vistos, não lhes fez a vontade. Se não lhes fez a vontade é porque a decisão ainda maior justificação teve. Imperou a sensatez.